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Filme “Agnus Dei” (“Les innocentes” – 2016)

Filme “Agnus Dei” (“Les innocentes” – 2016)
Filme “Agnus Dei” (“Les innocentes” – 2016)

 

Os eventos que acontecem no mundo podem receber inúmeros olhares diferentes, não é? Tantas coisas acontecem o tempo todo, tantas histórias desconhecidas de pessoas anônimas. Imagine, então, quantas narrativas diferentes podem ser feitas baseadas nos anos turbulentos da Segunda Guerra Mundial…

Pois é… estou, mais uma vez, escrevendo algo que envolva a Segunda Guerra. E eu nem sabia que este filme contava algo dessa época. Foi coincidência.

A história começa após o final da Guerra, em dezembro de 1945, na Polônia libertada pelos soviéticos. O país está destruído, inúmeras pessoas morreram e a Cruz Vermelha tenta cuidar de alguns feridos e doentes.

Uma freira sai escondida do convento onde vive em busca da ajuda de um médico. Ela encontra uma jovem médica francesa em serviço pela Cruz Vermelha da França. Sem entender o que a freira quer, a médica acaba se solidarizando e levando-a de volta ao convento para verificar o que estava acontecendo.

Ao chegar, uma jovem freira estava em trabalho de parto havia mais de 24 horas. O bebê não poderia nascer na posição em que estava e a médica fez uma cesárea nas condições precárias em que estava, salvando a vida da mãe e do bebê. A Madre Superiora levou a criança embora para ser cuidada pela família da freira quase imediatamente.

Quando a médica voltou, no dia seguinte, para examinar a mãe e o bebê, este não estava mais lá. E ela soube que havia mais 6 freiras ou noviças que também estavam em final de gestação. E o segredo precisou ser revelado à médica: soldados russos invadiram o convento mais de uma vez, em grupos, e estupraram todas as freiras inúmeras vezes. Várias tinham engravidado e outras estavam doentes. O padre que rezava a missa no convento estava morto e nenhum tinha sido enviado ainda. Elas tinham receio de que os familiares e a comunidade descobrissem, pois seriam desprezadas e tratadas como prostitutas. Não havia uma saída honrosa para o que estavam vivendo.

O filme conta uma história triste, com imensa sensibilidade; nele, a fé irrestrita das freiras se mistura à descrença da médica que viu todos os tipos de sofrimento na guerra e, apesar das diferenças, elas conseguem construir um vínculo de compaixão e ajuda mútua. A fragilidade das mulheres que não foram capazes de lutar contra a brutalidade dos soldados coabita a mesma alma forte, capaz de enfrentar inúmeros problemas e persistir no caminho da retidão em que acreditam.

Sinceramente, nunca li estes tipos de relatos da guerra, mas acho muito provável que tenham acontecido, já que existem muitas histórias que contam sobre os estupros coletivos e brutais cometidos pelos soldados soviéticos. Em um dos livros que li (ainda não escrevi a resenha dele), a sobrevivente narra que eles estupravam, inclusive, as mulheres doentes nas enfermarias dos campos de concentração que libertavam.

Gostei muito do filme. Acho que ele desperta reflexões silenciosas, aquelas que incomodam e nos fazem pensar sobre crenças, valores, fé, confiança, entrega, caridade, compaixão… Vale a pena!

– Sílvia Souza

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2 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Boa noite Sílvia, eu acredito que a guerra é a atividade mais inútil que pode ser praticado a humanidade, coloca os participantes bem abaixo do comportamento dos animais. Será um filme duro, que devem ver os governantes de qualquer país. Eu rejeição as massas e me provocam medo, mesmo quando eu olho telespectadores confusos de um jogo de futebol e da forma como eles mudam sua personalidade e a violência domina-los. Um abraço

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