Lazer: Pateo do Collegio
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Filme “A Última Lição” (2015)

Filme “A Última Lição” (2015)
Filme “A Última Lição” (2015)

Já comentei aqui sobre outro filme que aborda o mesmo tipo de situação.

Nesse filme francês, dirigido por Pascale Pouzadoux, Marthe Villalonga interpreta uma mulher de 92 anos, Madeleine, que deseja colocar um fim à própria vida, por estar perdendo a capacidade de cuidar de si mesma.

A história do filme foi baseada em uma história real, também contada em um livro do mesmo nome.

Madeleine sempre viveu sua vida de forma independente e respeitando a individualidade de cada pessoa. Ela teve dois filhos e trabalhava como obstetriz. Sempre foi contestadora e lutava pela igualdade dos sexos, pela valorização da mulher, pelos imigrantes. E desde que tinha 60 anos, avisava os filhos de que não gostaria de continuar vivendo se não fosse mais capaz de cuidar de si mesma.

Aos poucos, ela perde a capacidade de tomar banho sozinha, porque não consegue mais entrar na banheira; não consegue mais subir as escadas para chegar ao seu apartamento e depende de um vizinho que a leva nos braços; sente-se incapaz de dirigir, porque torna-se um perigo para o trânsito depois de quase atropelar um ciclista e um motociclista. E assim vai, progressivamente, perdendo a capacidade de exercer várias de suas atividades. Por último, ela já não consegue mais segurar a urina, especialmente durante a noite.

Por todos esses fatos, ela anuncia aos filhos, genro, nora e netos, em sua festa de 92 anos, que ela pretende colocar um fim à própria vida dali a 2 meses.

Essa questão gera uma comoção geral e ninguém na família aceita sua decisão.

O filho se opõe frontalmente e passa a brigar com a mãe por absolutamente tudo, achando que ela está deprimida. A filha adota outra postura e passa a fazer companhia à mãe durante todo o tempo, ajudando-a em suas dificuldades (banho, compras, passeios). Ela e a mãe passam a relembrar todas as alegrias do passado, de quando ela era criança, das brincadeiras, danças, cuidados.

O filme tem uma sensibilidade imensa para tratar desse assunto tão delicado.

Existem muitas pessoas que continuam extremamente apegadas à vida, mesmo com a idade avançada e com as dificuldades para cuidar de si mesmas. Mas existem muitas que simplesmente se cansaram e que passam a desistir de tudo, simplesmente porque não têm vontade de continuar vivendo.

Sei que existem situações de depressão de fato ou até de abandono e de falta de cuidado pela família. Mas já vi pessoas idosas muito bem amparadas emocionalmente e nos cuidados que recebiam, mas, mesmo assim, estavam cansadas das dores, da dificuldade visual, da falta de controle de urina e fezes, da dificuldade para dormir, da perda de todos os conhecidos que foram partindo pouco a pouco…

Mais do que prolongar a vida, nossa batalha deveria ser para deixar a qualidade de vida melhor para as pessoas mais velhas… E se elas não encontrarem mais sentido em continuar vivendo? Elas poderiam ser detentoras da decisão sobre seu futuro?

 

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