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Filme “A sorte está em suas mãos”

Filme “A sorte está em suas mãos”

A sorte está em suas mãos

 

Inicialmente, volto à minha reflexão sobre o cinema argentino: por que os filmes argentinos são tão superiores aos brasileiros? Em todos os aspectos: técnico, enredo, som… tudo!

Há uma cena em que várias amigas estão conversando. Elas fofocam e falam de suas próprias vidas para as outras. E contam confidências. E falam dos relacionamentos.

Aí, fiquei pensando… Por que falar com as amigas sobre os problemas com o namorado, marido, amante ou quem quer que seja e não discutir com o parceiro diretamente?

Eu nunca tive amiga do tipo confidente. Passei quase toda a minha vida refletindo nas minhas próprias questões e, quando tinha algo que eu precisasse realmente falar, falava com o homem com quem estava me relacionando. É claro que nem todos estavam prontos para minhas reflexões e questionamentos; portanto, nem sempre eu era capaz de expor tudo o que preenchia minha mente.

Quando resolvi ter confidentes, o que aconteceu no final do meu casamento, a coisa complicou.

Quase simultaneamente comecei a fazer terapia e a dividir os fatos e insatisfações da minha vida com uma amiga.

E comecei a achar que era uma coisa boa eu falar, me abrir, desabafar. Falava com a terapeuta, com essa amiga e passei a falar mais e mais, como se eu não devesse guardar minha privacidade.

Eu errei!

Antes eu estava certa. Minha vida e os fatos que fazem parte dela, meus pensamentos e ideias, pertencem a mim apenas e são coisas extremamente preciosas. As pessoas merecedoras de entrar no meu mundo têm que ser aquelas que são capazes de dar tanta importância a cada um dos detalhes como eu dou. O valor de cada evento não pode ser medido em dólares, ouro ou diamantes. O valor de cada pequena coisa é medido pelo significado que teve, pelo amor e carinho envolvidos, pelo sofrimento causado, pelas lágrimas e sorrisos.

Quem é capaz de entender esses valores? Quem é capaz de ouvir cada história contada e perceber as nuances e a importância daquilo que não é dito? Quantas pessoas saberiam entender melhor o silêncio guardado do que as palavras que acobertam os medos e angústias?

Eu não percebia isso antes. Eu não percebia que a forma como eu queria me mostrar através das histórias contadas não era eu mesma e apenas um personagem que eu criava para impressionar o mundo à minha volta.

Quantos souberam me ver de fato? Muito poucos. Talvez ninguém.

E percebi que sou complexa demais para ser compreendida. São poucas as pessoas com inteligência suficiente para perceberem as nuances do meu ser.

E voltei a acreditar que toda a minha história pertence apenas a mim e ao ser único que queira percorrer o mundo ao meu lado. Esse homem, se quiser, pode vasculhar cada canto sombrio de mim e, quem sabe, consiga entender ainda melhor que eu mesma o significado das perguntas silenciosas que ainda não foram formuladas.

Só você pode ser esse homem.

Mas não é apenas uma honra. É algo árduo e sofrido. Há medos, tristezas, dificuldades, angústias, dores no meio desse mar turbulento.

Será que você tem interesse em desvendar esse labirinto?

Atualmente, estou convicta que tenho sim que me abrir e expor o que eu sinto ou, ao menos, a compreensão que faço dos meus sentimentos. Mas apenas uma pessoa deve dividir isso comigo.

Não estou dizendo que tenho que ser falsa ou mentir aos outros. Apenas devo calar. O silêncio é algo valioso. Mas ele incomoda. Incomoda principalmente àqueles que vivem atormentados pelos próprios pensamentos.

Estou conseguindo fazer do silêncio meu aliado. E quanto mais aprendo a calar, mais me orgulho de mim, e menos arrependimentos tenho no final do meu dia.

– Sílvia Souza

(15-08-2014)

 

 

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8 Comments
  • Oliveirawa disse:

    Estimada amiga Silvia, tem vários post em seu blog que gostaríamos de “curtir”…rsrsrrss mas esta opção não está disponível na maioria deles. FELIZ 2016….Boa nova configuração abraço!

    • Silvia Souza disse:

      Amanhã o blog deve sair do ar até sexta-feira (espero). Será reformado e (meu desejo) ficará mais bonito e funcional.
      Assim que estiver de volta, gostaria de contar com a sua ajuda para realmente verificar se houve melhora e para que registre uma opinião a respeito de todas as mudanças.
      Um excelente 2016!
      Abraço!

  • É interessante como às vezes mais vale calar do que falar, já passei por momentos assim. Desabafar é bom, mas desabafar com a pessoa errada é uma tragédia grega!
    Não adianta: cada ser humano é tão profundo quanto um oceano, não tem como conhecê-la por completo. Como tu mesma indagou: “Quantos souberam me ver de fato?”, agora estou me fazendo essa pergunta e a resposta que vem é como a sua: muito poucos mesmo e talvez ninguém.
    Mas eu ainda erro, ainda sou um livro aberto e sofro por ter a boca maior que o mundo. Não consigo guardar mágoas e o que me incomoda eu já reclamo. Eu sei que DEVO mudar esse meu jeito e que isso me atrapalha muito, na relação familiar principalmente.
    Que 2016 nos ensine mais sobre a vida, sobre como viver!
    Um beijo grande, minha querida!

    Bia

    • Silvia Souza disse:

      É tão bom ter seus comentários aqui!
      Mas não acho que a gente deva guardar as mágoas, Bia. Eu acho que a gente tem que dizer aquilo que nos incomoda (também estou aprendendo a fazer isso).
      O que eu acho que vale a pena guardar melhor são coisas pelas quais passamos, erros, conquistas, intimidades, aqueles pensamentos perturbadores que nos visitam de vez em quando (eu tenho muitos)… ou seja, aquelas coisas que competem apenas a nós mesmos. Aprendi a guardar essas coisas só pra mim.
      Algumas coisas eu boto pra fora, pra exorcizar os fantasmas e as coisas ruins…
      Mas nunca deixe de falar o que te incomoda… e não guarde mágoas… continue reclamando e sendo sincera… Isso é uma coisa maravilhosa e fará com que seus amigos sejam sempre as pessoas que gostam de você de verdade!
      Um beijo grande e um ano de muitos aprendizados!
      🙂

  • Pensamentos disse:

    Ola! Te indiquei para o Prêmio dardos!!Beijos e sucesso!

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