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Filme “A pequena morte” (2014)

Filme “A pequena morte” (2014)
Filme “A pequena morte” (2014)

 

Esta é uma comédia australiana muito bem feita e muito interessante. Ela fala de relacionamentos. São mostrados casais diferentes e, para cada um dos casais, aborda-se um tipo de fetiche ou estimulante sexual. Em cada uma das situações, um dos constituintes do casal percebe em si a excitação frente a um fato ou tem curiosidade de experimentar algo novo.

O aspecto mais interessante não vem do estímulo sexual em si; o que chama atenção é a dificuldade do marido (ou da mulher) de falar com o parceiro sobre o que está acontecendo. E, infelizmente, as coisas são exatamente assim. Como é difícil expormos algo extremamente íntimo para alguém que amamos! Acho que é mais fácil falar com um estranho total que não sabe nada de nossa vida pregressa e não fará julgamentos (mesmo que faça, o julgamento de um estranho não vai afetar nossa vida diretamente).

Em um dos casos, um casal que vive muito bem, felizes e bastante conectados, a mulher resolve dizer ao marido, pedindo para que ele não a julgue, falando com receio e muito tato, que uma de suas fantasias é de ser possuída à força, quase como um estupro. O marido fica um pouco chocado e imagina, em um primeiro momento, que ela gostaria de ter relações com um estranho. Ela tenta explicar que não é essa a questão e não existe uma compreensão completa por parte dele da fantasia da mulher. Alguns dias depois, ele forja um assalto, usando uma máscara, sem que ela saiba e ele a arrasta para dentro de casa. Uma coisa que exemplifica bem essa dificuldade de falar a mesma língua, de expor um sentimento íntimo, e como é grande a chance de interpretações errôneas.

Outro casal está tentando engravidar, mas as relações s tornaram tão mecânicas, que a mulher não tinham mais orgasmos havia muitos meses. Era sempre o ato mecânico. Até que o sogro morre e ela vê o marido chorando e se sente extremamente excitada ao vê-lo naquela situação. Ela procura fazer de tudo para que ele chore. Inúmeras vezes, ela ensaiava de dizer a ele o que estava acontecendo, tentando falar que achava que estava doente, mas simplesmente não conseguia expor essa questão íntima com a qual ela se sentia envergonhada.

E outros casais nos são apresentados, sempre mostrando algum fetiche diferente; algo brando e que faz parte normal do erotismo e das fantasias sexuais, mas que se tornam tão difíceis de compartilhar com o parceiro, com a pessoa que amamos e com quem dividimos a vida. Mas existe esse receio do julgamento, da pessoa deixar de nos admirar, do encanto ser quebrado, como se tivéssemos que nos mostrar como pessoas perfeitas e quase irreais aos olhos do outro.

Percebo como a comunicação é difícil. Ela está muito além das palavras. Porque a compreensão daquilo que é dito depende de várias outras coisas de nossas personalidades e de nossos passados que carregamos conosco.

Assistam ao filme. Vale a pena.

– Sílvia Souza

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1 Comment
  • carlos disse:

    Olá Silvia, parece um filme interessante que apresenta uma questão de relações humanas, acredito que no casamento cada um dos cônjuges é apropriado para o papel que é atribuído como um pilar. Por seu parceiro. E o ato de deixar o script pode comprometer todo o edifício. É uma grande revisão. Um abraço.

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