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Filme “A História Verdadeira” (“True Story” – 2015)

Filme “A História Verdadeira” (“True Story” – 2015)
Filme “A História Verdadeira” (“True Story” – 2015)

Vou fazer uma confissão constrangedora. Quando o BBB começou a ser exibido, cheguei a assistir a alguns dos episódios que eram apresentados na TV. E achava muito interessante como a Globo selecionava sequências de imagens a favor ou contra algum dos participantes, de tal forma a levar o público a simpatizar com um ou antipatizar com outro. Cada uma das cenas tinha de fato acontecido; mas a importância dada a cada uma delas, a retirada do contexto, a montagem, tudo isso acabava mudando o efeito final, de acordo com o desejado pela emissora. É possível dizer que eles mentiram? Enganaram? No meu ponto de vista, SIM. Afinal, tiraram o meu poder de julgamento e quiseram induzir minha avaliação em uma determinada direção.

Quantas vezes isso não acontece em variados momentos em nossas vidas? Os fatos não nos são apresentados objetivamente. Eles passam por crivos dos jornalistas, dos editores, dos diretores; e, dessa forma, sem haver mentiras, são escolhidas as notícias que querem que vejamos e quase omitem aquelas que não querem que sejam comentadas.

O que tudo isso tem a ver com o filme? Esse filme não é bom. Não estou recomendando que assistam. Mas eu acabo usando os filmes como formas de reflexão, assim como faço com as minhas leituras. Esse filme é baseado em uma história verdadeira de um jornalista do NY Times, Michael Finkel, que tinha uma carreira promissora, até que foi desmascarado em uma de suas reportagens. Ele manipulava os fatos e os personagens, de forma a tornar a notícia mais interessante e apelativa, ganhando um espaço muito maior no jornal. A verdade foi descoberta e ele foi demitido.

Após a demissão, ele acabou sendo “escolhido” por um preso, Christian Longo, que tinha sido acusado de assassinar a mulher e os três filhos. Longo queria que Finkel escutasse sua história verdadeira e escrevesse a respeito dela. Mas dessa vez, Finkel passou a ser a marionete nas mãos de Longo, porque este só contava a história parcialmente, levando o outro a tirar suas próprias conclusões deturpadas.

Quantas vezes não fazemos isso sem nos dar conta? Quantas coisas que nos incomodam e sobre as quais não queremos falar apenas citamos superficialmente? E assuntos menos importantes ganham horas de debates?

Enxergamos realidades parciais, geralmente apresentadas pelos olhos e lembranças de outras pessoas. Até mesmo quando vivenciamos diretamente alguma coisa, nossa memória não tende a filtrar o evento baseado nos nossos sentimentos, experiências prévias, humor do momento ou qualquer outra coisa que mude nossa percepção?

É claro que nossa visão parcial, que decorre do fato de desconhecermos o todo ou simplesmente por sermos humanos, não é a mesma coisa que a manipulação premeditada de informações para sensibilizar ou não a opinião pública.

Eu fico muito preocupada ao perceber a importância crescente que a mídia (TV e os vários meios de comunicação da Internet) ocupa em nossas vidas e a quantidade de informações sem fundamentos ou distorcidas que chegam até nós. Mas quantas pessoas vão de fato pesquisar, se informar, buscar outras visões dos eventos, mais informações, fatos passados, história de vida?

Quando eu publico uma citação (que geralmente extraí de um livro que li), procuro ser fiel ao autor. Quantas pessoas apenas não repetem aquilo que escutaram ou leram sem nem mesmo se certificarem dos fatos? Eu, que me considero cuidadosa, já fiz isso muitas vezes… e voltei atrás. E tento ser ainda mais cuidadosa, para não incorrer no mesmo erro.

Infelizmente, vivemos em um mundo onde o dinheiro manda. E ele paga pela voz que vai se sobrepor, falar mais alto e convencer os outros. Se não pensarmos um pouco por nós mesmos, apenas iremos com a massa em direção ao precipício.

 

 

– Sílvia Souza

 

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