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Filme “A Família Bélier” (“La famille Bélier” – 2014)

Filme “A Família Bélier” (“La famille Bélier” – 2014)
Filme “A Família Bélier” (“La famille Bélier” – 2014)

Recentemente, minha irmã perguntou porque eu nunca tinha escrito minhas impressões sobre o filme “A Família Bélier”. A verdade é que eu tinha certeza absoluta que escrevera a respeito. Mas, estranhamente, confirmei que não.

Não precisa ser um amante do cinema francês para se encantar com esse filme.

Uma menina com audição normal nasce em uma família em que os pais e seu irmão são surdos. Ela estuda, cuida da fazenda, resolve todos os problemas da família, é a intérprete em todas as situações, inclusive quando a mãe vai ao médico.

Mas, ao mesmo tempo, ela é apenas uma adolescente, que precisa ir à escola, que se apaixonou por um dos colegas de classe, que se envergonha da família na frente dos amigos. E, por conta de tudo isso, mantém sua vida pessoal (e familiar) o mais distante possível de sua vida escolar. Ela tem uma única amiga que conhece sua família e frequenta a fazenda onde eles moram.

Por conta dessas coincidências do destino, ela resolve fazer aulas de canto como atividade extracurricular na escola. E desponta como uma excelente cantora.

Como explicar para seus pais seu dom musical? Como mostrar a qualidade da sua voz e suas chances de investir na música? Como abandonar sua família, que depende dela para resolver quase todos os problemas, e seguir seu próprio sonho?

O diretor Eric Lartigau soube mostrar essa adolescente, com todos os problemas, vergonhas, embaraços, dilemas, preocupações. A atriz Louane Emera, que na época do filme tinha 16 anos e tinha apenas participado do The Voice France, representou o papel de forma brilhante. A adolescente, com seu lado rebelde, mas preocupada com seu papel na família, que se coloca frente a uma escolha tão difícil como a que se apresenta no filme.

Em nenhum momento ela se coloca como vítima. Ela não expõe a situação da família (nem sua própria situação). Não aborda a deficiência auditiva dos seus pais como uma doença, mas como uma variante do normal, apenas uma característica.

E o sofrimento dos pais, em especial da mãe, com a possibilidade da filha partir para estudar música em Paris, se coloca como uma situação independente da deficiência auditiva. É apenas a dor real de uma mãe no momento em que seu filho parte em busca do próprio sonho. É o momento para o qual preparamos os filhos e tentamos capacitá-los para serem independentes; por outro lado, como mãe (ou pai) sofremos com a possibilidade da ausência, o medo dos riscos, dos perigos, das desilusões.

E o filme aborda tudo isso de forma leve, divertida, comovente.

Para quem não assistiu a esse filme, é um programa imperdível.

 

 

– Sílvia Souza

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