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Filme “A Corte” (2015)

Filme “A Corte” (2015)
Filme “A Corte” (2015)

Fabrice Luchini é um dos melhores atores franceses e o meu preferido. Seja quando ele atua em comédias, seja quando interpreta um personagem mais denso, ele sempre se sai bem.

Neste filme, “A Corte”, ele interpreta um juiz em uma corte criminal. O crime que está sendo julgado é a morte de um bebê de 7 meses e o acusado é o próprio pai. Ele deverá sortear pessoas para compor o júri. Uma das mulheres sorteadas tem algum contato com o juiz, mas não sabemos do que se trata logo no início do filme.

Além disso, ele acabou de se separar e está morando em um hotel, mas mantém bom relacionamento com a mulher que pretende se mudar para algum lugar mais ao sul da França.

Pouco tempo depois, descobrimos que a relação do juiz com a mulher do júri é que ela foi a anestesista que cuidou dele quando ele sofreu um grave acidente, alguns anos antes. E ele se apaixonou pela médica, sem que nunca tivesse havido absolutamente nada entre eles.

Eu diria que o filme tem um enredo horizontal; ou seja, não há grandes pontos de tensão, nem suspense, nem ápices antes de um desfecho especial. É um filme francês meio morno e, ainda assim, estou aqui falando sobre ele; e posso dizer que gostei do filme. Por que?

Foram dois aspectos principais que despertaram meu interesse. E é sobre eles que eu gostaria de comentar aqui.

O primeiro é sobre o papel do juiz e sobre o julgamento que ele conduz. O pai, réu do processo, se diz inocente do caso e existem vários aspectos que realmente deixam dúvida sobre a culpabilidade dele. Os depoimentos já foram tomados e o processo está na etapa final. O juiz chama o júri e conversa com eles, dizendo uma coisa que me marcou muito: talvez eles não descubram a verdade; provavelmente, os únicos que saberão o que realmente aconteceu são os pais da menina morta; o papel deles não é necessariamente descobrir a verdade, mas lembrar a todos de que a lei deve ser cumprida e que não pode ser desrespeitada.

Achei interessante este ponto de vista. Estamos sempre buscando a verdade dos fatos e nos incomodamos quando a verdade não é revelada. Mas a verdade nem sempre é objetiva. Supondo que o pai estivesse acobertando a mãe que estava grávida de outro bebê e não a quisesse acusada… supondo que fosse uma outra pessoa a quem ele quisesse omitir… e quais seriam os reais motivos por trás da ação do pai de assumir a culpa por outra pessoa? Poderia haver tantos aspectos a serem considerados… mas a lei precisa ser objetiva e não pode ficar se perdendo em meandros e motivos… Ou será que deveria? O que seria o correto?

E o outro ponto do filme que me chamou a atenção é com relação ao comportamento da médica. Talvez exatamente por ter uma relação direta com a minha profissão. Ela é uma profissional extremamente humana e dedicada. Quando ela cuida dos pacientes, ele fica perto, pega na mão, toca de forma carinhosa, acolhendo os pacientes que estão, geralmente, graves em uma UTI. Ela é de origem dinamarquesa, mas é uma cidadã francesa e exerce a medicina na França.

Mas foi esse cuidado dela, essa proximidade, que fez com que o juiz se apaixonasse por ela quando ele estava internado. Ele esperava com impaciência as visitas médicas e que ela chegasse para vê-lo e saber como ele estava.

Fiquei pensando como é fácil confundir as emoções, especialmente quando se está em uma situação de extrema fragilidade, adoentado, sozinho ou passando por outros problemas emocionais. Ele diz à médica que na França os médicos não tocam nos pacientes nem demonstram aquele grau de cuidado, proximidade e atenção.

No meu ponto de vista, a medicina exige isso, exige humanidade, exige acolhimento, exige atenção. Quantas pessoas não precisam apenas de alguém que possa escutá-las com interesse?

Não sei qual é o certo. Não sei se existe o certo. Mas vou continuar fazendo da forma que meu coração indica.

Fica a dica do filme.

 

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2 Comments
  • O filme parece bastante interessante, sobretudo quanto à questão do julgamento. Até porque, lembrou-me do caso dos Nardoni, que me fez muitas vezes ouvir coisas do tipo “Se ele tivesse alguma preocupação com a família, assumiria toda a culpa e inocentaria a esposa para que ela pudesse criar os dois filhos”.

    Beijos!

    • Silvia Souza disse:

      Eu sempre tenho um pouco de receio ao comentar os filmes e livros de que gosto.
      Sei que tenho um gosto meio fora do tradicional e daquele que agrada a maioria das pessoas.
      O que me encantou neste filme foi a forma como ele me fez refletir sobre várias questões de justiça, relacionamentos, percepções; são pequenas sutilezas que me agradaram.
      Espero que goste.
      Beijo!

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