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Filme “A Acusada” (“Lucia de B.” – 2014)

Filme “A Acusada” (“Lucia de B.” – 2014)
Filme “A Acusada” (“Lucia de B.” – 2014)

 

O filme holandês é baseado na história real da enfermeira Lucia de Berk. A história me chocou por causa da injustiça cometida em um país desenvolvido e em que se acredita que haja retidão nas análises e nas condutas. E é uma forma de ver como podemos (todos) estar sujeitos a mudanças abruptas em nossas vidas, inexplicáveis, vítimas de ilegalidades; e podem existir momentos em que nós mesmos nos questionamos se somos culpados ou não e se estamos loucos ou não.

A enfermeira holandesa Lucia de Berk foi condenada à prisão perpétua em 2003 pela morte de sete pacientes. Os supostos assassinatos ocorreram entre 1997 e 2001 em três hospitais. As suspeitas vieram à tona quando a polícia investigou o caso de um bebê chamado Amber – que, segundo toxicologistas, morreu de envenenamento por digoxina. Segundo o portal de notícias holandês Dutch News, os pacientes que até agora eram considerados vítimas de Berk eram todos bastante idosos ou doentes e teriam morrido de “causas médicas inexplicadas”.

Na época do julgamento, a procuradoria afirmou que a enfermeira estava frequentemente em serviço quando as mortes aconteceram e baseou o caso contra ela em provas estatísticas, demonstrando que mais pessoas morreram quando Berk estava trabalhando do que quando ela não estava presente nos hospitais. Os corpos de suas supostas vítimas não foram examinados em procedimento de necrópsia, disse o Dutch News.

O filme apresenta a história do ponto de vista da enfermeira: sua infância complicada em que foi prostituída pela própria mãe, sua dedicação ao trabalho, o amor à filha e aos avós (cuidava do avô muito doente). Sem saber direito o que estava acontecendo, foi afastada do trabalho após a morte do bebê. Acabou descobrindo pela TV que estava sendo acusada dos assassinatos.

Foi presa, tratada como uma pessoa insensível e sua culpa foi presumida antes de qualquer julgamento. O filme narra problemas políticos que vinham acontecendo, com a aquisição do hospital por outro maior. Em meio a estes problemas e ao medo das demissões que poderiam acontecer, outros funcionários testemunharam contra a enfermeira, que foi condenada sem que houvesse qualquer prova concreta contra ela.

Em 2008, a Suprema Corte da Holanda decidiu reabrir o caso, já que depois de algumas análises, houve dúvidas sobre se o bebê Amber teria ou não morrido de causas naturais. No veredicto, anunciado no dia 14/04/2010, a Justiça determinou que não era possível estabelecer se as supostas vítimas morreram como resultado de ação humana. Segundo o procurador-geral da Holanda, Harm Brouwer, os especialistas que testemunharam contra a enfermeira erraram ao afirmar que ela havia matado os pacientes, que provavelmente faleceram de causas naturais. Lucia de Berk teve sua pena perdoada e recebeu desculpas públicas do governo da Holanda.

Considerada a “pior assassina em série da história da Holanda”, ela foi presa em 2001 e passou mais de seis anos na prisão. Além de ser condenada pelas mortes, a enfermeira também foi considerada culpada de três tentativas de assassinato. Berk sempre afirmou ser inocente das acusações.

Apesar da história ser conhecida e não haver surpresas na trajetória descrita no filme, este foi bem construído e conta a versão dos roteiristas quanto aos fatos e aos acordos que poderiam ter favorecido a condenação injusta da enfermeira.

Eu gostei muito e acho que vale a pena ver, em especial por aqueles que forem apreciadores do cinema europeu.

– Sílvia Souza

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4 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Olá Silvia, mesmo nesta Europa que pretende aplicar garantias aos processos e ter uma democracia baseada na separação de poderes, por vezes, a influência da mídia de comunicaçao na sociedade em geral é excessivo e leva à existência de ensaios paralelos e sentenças injustas. Estou feliz que você gostou do filme você. Um abraço.

    • Olá, Carlos!
      Você assistiu ao filme?
      Ontem vi um filme espanhol (gosto muito do cinema espanhol) excelente! Chama-se “Viver é fácil com os olhos fechados”. Você já viu?
      Ainda não consegui escrever a respeito. Mas farei em breve.
      O filme é realmente muito bom!
      Beijo!

      • Carlos Moya disse:

        Olá Silvia, eu não costumo ir ao cinema, só com a minha filha. Ou mesmo assistir a filmes ou séries de televisão, eu só vejo alguns documentários e palestras que despertam meu interesse. Embora eu admiro as pessoas que gostam do entretenimento. Um abraço.

  • Mariel F. Fernandes disse:

    Adorei a resenha

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