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Filhos: autonomia e liberdade

Filhos: autonomia e liberdade
Filhos: autonomia e liberdade

Eu não tenho formação em Pedagogia nem em Psicologia. As reflexões que pretendo fazer são reflexões e dúvidas de uma mãe que tenta entender um pouco melhor o mundo atual e encontrar a melhor forma de educar os filhos.

Eu busco um equilíbrio. Tento manter um bom diálogo com meus filhos. Eles têm total liberdade para falarem comigo sobre qualquer assunto e também são responsáveis pela organização do seu tempo e de suas atividades e obrigações. Eles jogam videogame, jogos online, têm celular com conexão Wi-Fi; mas também fazem caratê, leem e têm desempenho exemplar na escola. Precisam dormir cerca de 9 horas por noite e, quando vão para o quarto dormir, não levam o celular nem nenhum outro eletrônico. Eles são informados; sabem das notícias e de tudo o que acontece no mundo; conversam sobre qualquer assunto (aliás, assunto é o que não falta). Adoram museus, exposições, viagens, cinema e de passar tempo com a família.

Eu olho para eles e acho que estou fazendo um bom trabalho. Mas acredito que isso aconteça com todas as mães. A gente sempre busca fazer o melhor. Entretanto, não tenho dúvidas de que há falhas; provavelmente inúmeras. Eu vejo algumas. Por exemplo, às vezes acho que eles ficam tempo demais no computador e tempo de menos praticando atividades físicas. Há dias em que estou mais preguiçosa e passamos o domingo inteiro em casa, sem colocar os pés para fora da porta.

Mas acho que a coisa que mais me incomoda é a minha dificuldade em dar autonomia a eles. Na idade deles, eu saía sozinha, andava pela cidade toda, ia para a casa de amigos… e nem existia celular! Como eles se tornarão adultos confiantes e seguros de si, se vivem em uma redoma, protegidos do mundo e alheios ao próprio ambiente em que vivem? Qual a idade certa para dar essa autonomia no mundo de hoje, com tanta violência e insegurança? Como eu me preparo para soltá-los no mundo sem infartar?

Por outro lado, vejo adolescentes (que para mim ainda são crianças) de 12, 13, 14 anos (como meus filhos) que não têm autonomia, que ainda são excessivamente cuidados pelos pais, mas que têm uma liberdade além da ideal, sem limites. No meu entender, são conceitos muito diversos.

Meus filhos podem falar comigo sobre o que quiserem; podem questionar minhas ordens, quando poderei explicar o porquê de cada uma das minhas decisões. Tenho confiança neles. Um pouco de receio de soltá-los no mundo. Mas eles sabem que existem regras a cumprir. Eles não ganham tudo o que querem; precisam cumprir as tarefas que são solicitadas e sabem que a escola e as atividades escolares são prioritárias. Eles não bebem e não ficam até de madrugada na rua.

E vejo essas “crianças” de 14 anos indo a baladas de madrugada, bebendo vodka, fumando (coisas variadas), dormindo 5 horas por noite (porque ficam no celular até 2 da manhã), beijando várias pessoas diferentes por noite. Eles não têm maturidade nenhuma, não entendem as consequências dos seus atos, não são orientados, não têm autonomia, mas têm uma liberdade absoluta e irresponsável.

Eu sei que esse comportamento não é uma regra. Prefiro acreditar que seja uma exceção. Mas que tipo de jovens estamos criando? Eles serão adultos em alguns anos. E tenho que acreditar que eles irão amadurecer de uma hora para outra aos 22 ou 23 anos, quando começarem a trabalhar, e serão, magicamente, adultos conscientes, educados, seguros?

Não consigo acreditar nisso. E fico muito preocupada. A responsabilidade tem que ser adquirida desde a infância; e eles precisam perceber que há vários deveres que devem cumprir para que sejam cidadãos.

Como encontrar o equilíbrio?

– Sílvia Souza

 

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12 Comments
  • Não acredito em equilíbrio perfeito, porém creio que a virtude maternal aos filhos esteja na busca dele. Parabéns aos seus pela mãe que eles têm.

  • laynnecris disse:

    Silvia, acho que você é uma mãe maravilhosa. Acho que existe um grande abismo entre educar de forma errônea e a negligência. O que acontece e que vemos nos dias de hoje é a total negligência… pra não dizer um total abandono de corpo presente.

    Às vezes prefiro pensar que é total ignorância de compreender que nossos filhos precisam e necessitam de nós, somos pra eles uma base para que possam crescer, encontram em nós o conforto para terem um amadurecimento psicológico que os tornem fortes e boas pessoas.

    E o problema mora justamente ai as vezes… ensinamos muito mais sem intenção do que de forma intencional…

    Adorei suas reflexões…

    • Silvia Souza disse:

      É sempre muito bom ler seus comentários. Adorei sua frase: “abandono de corpo presente”.
      E acho que existe muito isso mesmo… Infelizmente!
      Um beijo grande!

      • laynnecris disse:

        E, posso dizer nas “melhores” famílias… Já vi muitas mães que ficam com os filhos e o olhar está congelado, distante em qualquer lugar menos ali… É triste! Ai enchem as crianças de brinquedos e atividades caras e tudo o que uma criança quer é um pouco de uma presença real, uma interação verdadeira… Sinto um pesar enorme e tento me policiar sempre pra não reproduzir aquilo que tenho asco. Somos todos humanos e temos nossas necessidades, mas amar alguém é colocar de lado os nossos “problemas” e ser ali apenas uma mãe…

  • VIVIMETALIUN disse:

    Afinal quero parabenizar pelo seu texto magnífico de como você responsabilidade com seus filhos,e você está no melhor caminho possível,muitos jovens de hoje não atende as autoridades dos pais e fazem o que quer e sendo ainda crianças,a melhor educação vem de casa,mas nem todos os pais tem essa responsabilidade para educar seus filhos.No seu caso achei bonito o jeito que educa eles,eu prestei bastante atenção quando falou que eles não leva nenhum eletrônico para seus quartos,você garante a eles um sono tranquilo,para me você diva na educação deles. 😀

  • Sua família é muito unida, parabéns. Isso é uma prova de que os filhos tem total liberdade para se divertirem, porém, na dose correta. É o exemplo da mola na palma das mãos. Se você mantiver pressionada na mão uma mola, vai chegar um momento que você não conseguirá segurar mais e a mola vai saltar de suas mãos. Se você soltar a mola aos poucos ela permanecerá nas mãos. Parabéns mãe!

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