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“Felicidade, um roteiro filosófico”

“Felicidade, um roteiro filosófico”
“Felicidade, um roteiro filosófico”

Meu Carnaval foi comemorado com um curso de Filosofia na Casa do Saber. O curso foi com o Luís Mauro Sá Martino. Sobre FELICIDADE.

Quem não quer ser feliz?

Acho que é o objetivo central da maioria das pessoas.

Por duas semanas, fiquei pensando o que eu queria contar; quais foram as coisas ditas no curso que mais fizeram sentido para mim. Não daria para transcrever as 8 horas de aulas. Mas dá para fazer um resumo meu. Algo do que foi dito, eu escutei, analisei, processei e retorno com a minha interpretação.

Ele começou falando sobre a suposta “felicidade” na sociedade atual. Há uma exigência de que as pessoas sejam felizes. Na verdade, não que sejam felizes, mas que demonstrem estarem felizes. Não importa o que está lá dentro, desde que haja um sorriso, empolgação, satisfação. Revelamos a felicidade e mantemos a infelicidade em ambiente privado. A hipocrisia da sociedade em que vivemos. Somos obrigados a ser felizes.

E essa felicidade obrigatória está vinculada ao prazer, à satisfação imediata de um desejo, ao consumo. Entretanto, esse vínculo gera uma espiral de infelicidade. Não há satisfação mantida. Assim que o objeto do desejo é alcançado, cria-se a necessidade de desejarmos outra coisa.

Mas a felicidade nunca virá de objetos comprados, de conquistas feitas, do sexo e do prazer.

A felicidade é algo a ser conquistado de dentro para fora.

O Luís Mauro abordou o pensamento de 3 filósofos sobre a Felicidade: Aristóteles, Epicuro e Schopenhauer. São 3 filósofos com visões particulares sobre a felicidade e como alcançá-la.

Mas eu, com minha interpretação simplista de alguém que está começando a conhecer a filosofia, percebi que há muitas coisas comuns nos aspectos básicos sobre como alcançar a felicidade. E encontrei muitas semelhanças também com aspectos da filosofia Budista.

A felicidade é algo que vem de dentro, que está na nossa mente. Não podemos basear nossa felicidade na relação com os outros. Nem nas coisas.

Qualquer extremo em nossas atitudes pode até gerar um prazer temporário, mas a felicidade (e a tranquilidade que ela traz) vem das atitudes ponderadas, que buscam a neutralidade e fogem das ações extremadas. Temos que buscar ser o melhor que pudermos e ajudar os outros, porque isso nos trará bem estar e paz. Devemos aprender a virtude e torná-la um hábito, para termos tranquilidade de alma.

Devemos evitar relacionamentos pautados pela culpa ou aqueles que, mais cedo ou mais tarde, trarão dor. Se percebemos previamente que algo está fadado ao sofrimento, por que arriscar a tranquilidade de espírito nesse caminho? Não devemos nos expor a um prazer momentâneo que será seguido de culpa e arrependimento.

Devemos nos libertar daquilo que nos escraviza, que é tudo aquilo que temos medo de perder. Contentar-se apenas com o essencial.

“Se quiser enriquecer uma pessoa, não lhe dê riquezas; mas reduza os seus desejos.” (Epicuro)

Devemos racionalizar nossas vontades, nossos desejos. Analisar cada objeto de desejo com a visão racional. Não devemos nos deixar levar pela ilusão de que possuir algo nos fará bem. Porque, a partir do momento que satisfizermos esse desejo, haverá o tédio e a infelicidade.

Independente das particularidades de cada um dos filósofos, podemos perceber que a felicidade é algo interior e que, ao contrário do que prega nossa sociedade consumista, o desejo de posse de algo ou de alguém está vinculado a um sofrimento futuro, desilusão e infelicidade. E podemos controlar nossos desejos, nossos impulsos, nossas vontades.

É tudo muito simples, não é?

É difícil demais! Acho que é por esse motivo que as pessoas desistem, sucumbem ao desejo, buscam caminhos alternativos, de auto-ajuda ou religiões que pregam formas fáceis de alcançar um reino de alegrias eternas. Como se dissessem: já que nessa vida é tão difícil, coloquem suas esperanças no que virá depois da morte. Mas o que virá depois da morte?

Eu tento ser feliz aqui, agora, nessa vida. Eu já percebi que me sinto muito bem, em paz mesmo, quando faço algo bom por alguém. Eu já percebi que me sinto mais tranquila quando controlo o desejo incontrolável de comprar algo (que eu não preciso, mas quero).

Não acho que haja uma regra única para todas as pessoas. Que cada um encontre a sua definição de felicidade. Aquilo que traz paz, tranquilidade, serenidade.

E que seja nessa vida. Depois daqui, ninguém sabe.

– Sílvia Souza

(02/03/2015)

 

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