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Experiências de mãe: O sono do bebê – Parte I

Experiências de mãe: O sono do bebê – Parte I
Experiências de mãe: O sono do bebê – Parte I

Acho que uma das maiores dificuldades da maternidade (na minha opinião) é a privação do sono; especialmente a que ocorre nas primeiras semanas após o nascimento do bebê. O Gabriel acordava a cada 3 horas e sempre foi uma criança fácil. Mas entre acordar, amamentá-lo, trocar a fralda (geralmente eles fazem cocô depois de mamar), fazê-lo dormir de novo e eu conseguir me aquecer na cama e pegar no sono, as noites ficavam longas e o descanso era quase nenhum. E eu não tinha ajuda durante o dia. Precisava entrar no ritmo dele e ainda cuidar das atividades da casa.

Quando ele passou a dormir a noite inteira, com cerca de 40 dias, senti como uma bênção. Finalmente, conseguiria descansar um pouco mais. A partir de então, o tempo de sono foi aumentando progressivamente, de 6 até 9 horas de sono ininterrupto. Essa fase durou cerca de 1 ano.

Por algum motivo que não sei explicar, quando ele tinha cerca de 14 meses, ele passou a acordar todas as noites e pedia a minha presença até que conseguisse dormir de novo. Eu me sentava na poltrona que ficava ao lado do berço, segurava sua mãozinha até que o sono viesse. O problema é que eu acabava dormindo ali, sentada na poltrona, até o horário de levantar para trabalhar. Acordava cansada, com dor nas costas e no pescoço, com as pernas inchadas e precisando enfrentar o dia todo de múltiplas atividades.

Em momentos assim, normalmente, aparecem muitas pessoas dando as mais diversas opiniões sobre como lidar com esse despertar noturno. Naquela época, fazia sucesso um pequeno livro chamado “Nana, Nenê – o Verdadeiro Método Estivill Para Ensinar Seu Filho A Dormir Bem” do autor Eduard Estivill. Uma amiga disse que tinha feito uso da técnica e que tinha dado certo. Comprei o livro, li e resolvemos aplicar.

O livro recomenda que o bebê seja deixado chorando durante esse despertar por tempos progressivamente mais longos; esperam-se 3 minutos, inicialmente, vai até o quarto e fala que está tudo bem e que ele deve dormir… e assim a cada 3 minutos na primeira noite. Na segunda noite, a cada 5 minutos… e assim progressivamente. (Posso não estar sendo precisa, afinal, usei essa técnica há 15 anos!).

E o Gabriel chorava, chorava… até o ponto de perder o fôlego. E chamava por nós, pai e mãe. E nós dois ficávamos sentados na sala ou no quarto, ignorando o choro, até que o tempo fosse completado. De acordo com o livro, em uma semana, ele estaria dormindo sem ajuda e a noite toda. Mas eu não aguentei uma semana! Meu coração chorava junto com ele! Não era possível que deixar a criança ali, sozinha, desamparada, não acabasse causando algum mal do ponto de vista emocional para ela.

Resolvi conversar com a pediatra. Ela nos disse que abominava esse método e achava que a criança precisava de acolhimento e não de abandono. Sua orientação foi para que deixássemos um colchão em nosso quarto, onde ele pudesse ser colocado caso acordasse à noite. Assim, estaria ao nosso lado, mas não em nossa cama. Adotamos esse método. Foram cerca de 4 anos em que o Gabriel acordava praticamente todas as noites e ia para seu colchão no meio da madrugada. Aos pouquinhos, esse hábito foi interrompido. Parabenizávamos quando ele dormia a noite toda em sua própria cama.

Mas simplesmente não consegui lidar com a possibilidade de ele se sentir sozinho e abandonado. Não sei se fiz certo. Mas ser mãe implica em errar infinitas vezes, geralmente fazendo o melhor, geralmente tentando acertar. Ao menos, sei que ele se sabe amado, sabe que sempre tem alguém para ampará-lo. É um adolescente seguro de si e que, hoje em dia, dorme muito bem, a noite toda, sem dificuldades.

– Sílvia Souza

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6 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Claro que você sabe o que é cólica seis meses, Aqueles foram aqueles os que passara a minha filha chorando, decidimos instalar uma cama extra no seu quarto e como minha esposa trabalhou muitas noites, lá eu fui para a cama para ler até que a criança adormeceu. E então eu marchei para o meu quarto. Pessoalmente eu não acredito nessas teorias e garantir que as crianças não vão chorar é uma boa resposta dos pais. Em troca, o menino teve que acordá-lo para dar-lhe a garrafa. Um abraço.

  • claudio kambami disse:

    O Daniel mais velho não dava trabalho mamava e dormia, mas Rodrigo, acabava de mamar e quando menos esperávamos ele pulava o berço e com a carinha enfiada na cara da mãe dizia, “mâmã, nenê qué lete” era um susto pois o cansaço sempre acompanha os primeiros anos de vida de deles pois trabalhávamos muito. Enfim cresceram e ainda assim muitas vezes perdemos o sono pois enquanto ele não chega e mesmo em contato pelo WhatsApp ou Telegram queremos ele ao vivo e a cores.
    É difícil ser pai ou mãe, mais difícil ainda quando uma das partes tem de assumir as duas funções a de pai e mãe. Uma diferença entre meus filhos é que o mais velho nunca ou quase nunca dormia sozinho, quando menos esperávamos sentíamos ele lá em nossos pés na cama, foi quando adaptamos o tal colchão no quarto que ficava vazio, ele queria nosso calor e assim ficou. Já Rodrigo não após a segunda mamadeira seguida sossegava e dormia.
    O problema estava justamente no habito de não aceitar nada, apenas o leite, diferente do Daniel que podíamos por os complementos “lactos faríneos”, Mucilon, Neston e coisas do tipo. 🙂

    • São boas lembranças… mas ainda bem que são lembranças, né?
      Estou entrando na fase de me preocupar com as saídas noturnas, festas, independência… E sei que eles terão que passar por isso (como eu passei) e não posso criá-los em uma redoma…
      Beijo!

      • claudio kambami disse:

        É não podemos, difícil é fazer com que nosso coração se aperceba disso, que filhos, são do mundo, não meus, rsss. 😘

  • […] publiquei um texto falando da minha experiência como mãe para fazer meu filho mais velho dormir (Experiências de mãe: O sono do bebê – Parte I). Hoje, vou escrever sobre meu caçula. A história não poderia ser mais diferente. Apenas uma […]

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