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Estou viva!

Superstições
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Estou viva!
Estou viva!

Quantas vezes eu pensei em desistir? Em quantos momentos surgiu o desejo de pular rumo ao vazio e não ter que sentir mais nada? Quantas dores tive que enfrentar ao longo da minha vida? Quantas decepções, frustrações, falhas, quedas?

As dores não são apenas físicas. Os sofrimentos não surgem apenas pela falta de saúde, dinheiro e amor.

Tenho tudo o que preciso. Sou saudável. Tenho inúmeras qualidades. Tenho uma família maravilhosa. Tenho filhos incríveis. Tenho uma casa, um trabalho e o que comer. Tenho água potável, roupas, livros. Posso ir ao cinema, ver filmes na TV a cabo, viajar.

Ainda assim, meu sofrimento é legítimo?

Eu acho que é. Sofro pelo passado, pelo presente e pelo futuro. Sofro por mim e pelos outros. Sofro pelos injustiçados, pelos famintos, pelos doentes. Sofro por aqueles que não podem sonhar.

E sofro por mim mesma também. Ninguém sabe efetivamente tudo o que tive que passar, todos os obstáculos que tive que superar, todas as vezes que caí e me levantei em silêncio sem coragem de pedir ajuda a ninguém. Todas as vezes em que fui enganada, em que não acreditaram em mim, em que me difamaram ou tentaram puxar meu tapete.

Todos os sofrimentos são legítimos. Não acho que o caminho seja dizer que as tristezas não são justas. O importante é mostrar que há formas de superá-las.

O que sempre me ajudou foi acreditar que eu podia me fortalecer, acreditar em mim, respirar fundo e seguir em frente. Mesmo nos momentos difíceis, em todas as vezes em que desejei desistir, nas vezes em que eu me sentia perdida na escuridão sem saber que direção seguir, eu soube segurar a corda para sair do poço. Eu soube buscar as boas energias, amparar-me nos apoios, procurar ajuda.

Posso ter sido fraca muitas vezes. Posso ter errado incontáveis vezes. Fraquejei. Chorei. Desacreditei de mim mesma. Perdi a esperança. Estamos todos sujeitos a tudo isso. E cada uma das nossas alegrias e dos nossos sofrimentos irá moldar aquilo que somos.

Sofri e sofro. Tenho feridas abertas e inúmeras cicatrizes das dores que curaram (mas que, em muitos casos, continuam doendo).

Mas posso dizer que, até agora, sou uma vencedora. Estou viva. E seguirei escrevendo minha história enquanto minha energia vital permitir.

 

 

– Sílvia Souza

 

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6 Comments
  • WLD disse:

    Viva e fazendo outros viver. Pela reflexão que o texto desperta, pois pra mim refletir é viver, ou melhor, é parte preponderante dos que escrevem. Se eu fosse convidado a classificar o texto acima em palavra, diria: persistência. Boa Noite. Forte abraço.

    • Silvia Souza disse:

      Concordo com você, Waldir… Não consigo imaginar minha vida sem minhas reflexões. E sempre foram à base de todos os meus textos, inclusive aqueles em que falo de livros e filmes.
      Chegou um momento da minha vida, particularmente nos momentos de dúvidas e angústias, em que achei que precisava compartilhar essas reflexões. Achei que poderia ajudar outras pessoas passando por problemas semelhantes.
      Não sei se ajuda de fato; mas eu gostaria de ter tido alguém que tivesse dividido suas experiências comigo. No meu caso, as ajudas vieram dos livros, dos escritores e de seus personagens.
      Abraço!

  • Que o seu presente seja a sua melhor história e o seu melhor futuro.

    2016 abraços para você, as crianças e toda a família.

    • Silvia Souza disse:

      Obrigada, Gustavo!
      Cada pequeno momento é importante pra tornar a história de vida mais rica.
      Um excelente 2016 para você!
      Que venha repleto de sonhos e que todos possam ser realizados.
      Beijo!

  • Anônimo disse:

    Que lindo!

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