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Estou esperando na torre do castelo

Estou esperando na torre do castelo
Estou esperando na torre do castelo

“À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta.”

Essa frase continua martelando na minha cabeça. E qual é o sentido dela se eu não sou mulher de ninguém? Mas não adianta. Acho que sofri uma lavagem cerebral ao longo dos anos de convivência. Foi uma convivência maligna, tóxica, perversa, funesta, nociva… e mais todos os sinônimos existentes no dicionário.

Sempre fico pensando: qual será o crime mais grave? Bater em alguém ou destruí-lo psicologicamente? Violência física ou emocional? Não estou defendendo a violência física, não. Detesto qualquer violência. É apenas como um exercício mental. Ninguém se mata por apanhar de alguém. Mas uma pessoa pode se matar pelo desequilíbrio mental que alguém lhe causar. Não pode?

É um jogo estranho um indivíduo acusar outro de alguma coisa, quando quem realmente cometeu o pecado foi o acusador. Em que espaço tresloucado do subconsciente acontece essa visão refletida da própria culpa no outro? E como posso ter me deixado envolver por alguém assim?

Vá lá. Existem os aspectos totalmente compreensíveis. Um homem absolutamente sedutor, lindo, alto, moreno, bem sucedido, seguro de si, que me enchia de presentes e agrados. Alguém que sabia me elogiar e fazer com que eu me sentisse a melhor das mulheres. Alguém que me fez mulher, me amando e me desejando como nunca antes na minha vida.

Meu erro foi até compreensível, não foi? Caí na armadilha perfeita e fui hipnotizada pelo canto do “sereio”. Claro que aproveitei em muitos momentos. Tivemos momentos incríveis.

Se eu viveria tudo de novo? Mesmo sabendo o desfecho, os terrorismos psicológicos e meu sofrimento enorme no final? Eu não sei. Talvez sim. Talvez não. Quem pode dizer? Talvez se eu fosse cega, surda e não tivesse olfato, quem sabe? Acho que nesse caso, eu resistiria… Mas não tenho nenhuma dessas deficiências sensoriais!

Puxa! O cara chega. Se diz apaixonado, que vai cuidar de mim. Quando eu vi, achei que estava na história… sei lá… não sei de quem… de uma dessas princesas lindas que encontra o homem maravilhoso. Mas me diz, sinceramente, qual é a mulher de 40 anos que acredita, de verdade, que caiu de paraquedas em um conto de fadas? Além do mais, já era para desconfiar, não era? Sempre tem uma bruxa ou uma rainha malvada ou qualquer ser maligno para tentar estragar a história de amor perfeita.

E aqui estou eu. Ainda presa nesse conto de fadas. Como se eu tivesse ficado trancada na torre mais alta do castelo, sem escadas nem janelas. Estou presa nesse universo paralelo, vivendo um misto do sonho e do pesadelo, sem conseguir tirar as algemas nem fugir. Esquecida. Sem poder contar com um salvador, nem que fosse um ogro verde e fedido. Porque o problema é que eu não permito que ninguém me salve.

Talvez tenha sido eu mesma que tenha mandado o príncipe (de araque) colocar tantos muros, grades, portões, cadeados, cercas elétricas, para impedir qualquer aproximação. Mas, afinal de contas, por que me sabotar dessa forma?

Será que algum dia, algum psicoterapeuta ou psiquiatra ou neurofisiologista vai conseguir decifrar completamente o cérebro humano e me explicar o funcionamento desses mecanismos que nos tornam reféns de nós mesmos?

Posso deixar meu cérebro para estudo depois da minha morte… alguém aceita? Será que, com isso, eu conseguiria ajudar outras mulheres (ou mesmo homens) a não caírem nas mesmas armadilhas que eu caí?

Está aí. Esse é meu presídio. Eu mesma.

Se algum dia alguém quiser me salvar dessa torre, terá que ser um pouco Dom Quixote; um sonhador capaz de enxergar os inimigos imaginários (que, por enquanto, só eu mesma consigo ver) para poder derrotá-los em um duelo (sem sangue) para me trazer de volta para o mundo real.

Enquanto isso, continuo apenas esperando.

– Sílvia Souza

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3 Comments
  • M.Raydo disse:

    Quem espera sempre alcança? Bom, este é o ditado! Né não?!
    Ei! Estou tímido em dar uma boa opinião, mesmo você já sabendo o que penso sobre os amores que se foram, não é mesmo?! Estou tímido, porque, conforme me disseram, sou um péssimo psicólogo!kkk
    Ergue a cabeça e toca o bonde!
    Tudo vai ficar bem!
    Pode crer! 🙂

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