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Empatia

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EMPATIA

s.f. Ação de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias.
Aptidão para se identificar com o outro, sentindo o que ele sente, desejando o que ele deseja, aprendendo da maneira como ele aprende etc.
Psicologia. Identificação de um sujeito com outro; quando alguém, através de suas próprias especulações ou sensações, se coloca no lugar de outra pessoa, tentando entendê-la.
Competência emocional para depreender o significado de um objeto, geralmente de um quadro, de uma pintura etc.
Faculdade para idealizar ou traçar a personalidade de alguém, projetando-a num dado objeto, de maneira que tal objeto pareça estar indissociável desta.
Sociologia. Compreensão do Eu social a partir de três recursos: enxergar-se de acordo com a opinião de outra pessoa; enxergar os outros de acordo com a opinião de outra pessoa; enxergar os outros de acordo com a opinião deles próprios.
(Etm. do grego: empátheia; pelo inglês: empathy)

 

Ela nasceu com essa capacidade. Nunca soube disso de forma objetiva, mas percebia que conseguia captar com muita rapidez as pessoas que entravam em sua vida.

Quando estava na faculdade, durante sua formação prática, precisou prestar assistência a um homem com uma grande deformidade. Ao se aproximar dele, olhá-lo nos olhos, cumprimentá-lo e escutar suas primeiras palavras, ela começou a chorar de forma incontrolável.

Ela olhava para aquele homem e sentia nela tudo o que ele passava, todos os olhares preconceituosos, as dificuldades para trabalhar, se deslocar e viver uma vida normal.

Ela pediu licença, saiu de lá para um espaço aberto, respirou fundo e permitiu que aquele sentimento triste saísse de dentro dela através das lágrimas. Ela passou muito tempo chorando, até que conseguiu se acalmar e voltou para conversar novamente com aquele homem.

Ao se aproximar dele, o mesmo sentimento, a mesma energia a envolveu. Ela carregava em si a dor dele.

Muitas outras histórias como essa aconteceram na sua vida. Ela nunca conseguiu assistir a vídeos “engraçados” em que as pessoas caem. A cada cena real ou virtual, em filmes, vídeos, ao vivo, ela sempre se imaginou no lugar daquela pessoa, de cada uma delas.

Cada pessoa que precisa passar 4 horas por dia em deslocamento no trânsito para trabalhar. Cada pessoa que cuida da casa, dos filhos, da vida profissional e ainda faz faculdade para uma condição melhor e dorme 3 a 4 horas por noite. O sofrimento por aquele que deixa de enxergar ou perde uma perna. A angústia sentida por amigos que perderam o pai, a mãe ou um irmão.

E ela achava que todas as pessoas eram assim. Ela não enxergava sua característica como um dom (ou uma maldição). Simplesmente achava que era inato do ser humano se colocar no lugar das outras pessoas; imaginar os sofrimentos ou alegrias pelos quais elas passam como se fosse algo próprio.

E esperava das pessoas esse mesmo cuidado. Que sua família e seus amigos fossem capazes de percebê-la, sentir seus momentos de tristeza, captar as dificuldades pelas quais ela passava, sem que ela precisasse ser explícita ou verbalizar.

E ela se magoava quando não via isso acontecendo. E imaginava falta de amor, ou de boa vontade ou de delicadeza.

Ela não se dava conta que eles simplesmente não podiam, não eram capazes como ela de ter essa identificação.

Um dia, como se uma névoa saísse da frente dos seus olhos, ela percebeu! Ela entendeu como ela vinha exigindo das pessoas algo que elas não podiam dar.

E ela passou a olhar para si mesma de outra forma, até com certo orgulho por ter uma qualidade tão nobre. Mesmo que isso lhe trouxesse sofrimento, por sentir o que os outros sentiam. Ela percebeu que era algo bonito e que seria bom se todas as pessoas pudessem ter essa qualidade.

E usando a mesma empatia, entendeu a dificuldade das outras pessoas em captar essa energia muda, percebeu que para se fazer entender, ela teria que explicar, usar as palavras, dizer o que sentia.

Passou a viver em paz e mais leve.

– Sílvia Souza

(07/08/2015)

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14 Comments
  • M.Raydo disse:

    Se descobrir é um ato complicado! Raramente nos observamos e quase nunca nos percebemos! Sou o que sou, nem melhor e nem pior… comum! Já tive muito destas sensações de me colocar no lugar do outro! Acho que é assim que deveria ser antes de julgar. Entender e respeitar o próximo!!! O tal do amar o próximo como a ti mesmo? Acho que sim! Lindo texto, minha amiga! 🙂

  • A minha energia não é nada muda , no entanto não transmite tudo que sinto , e acho que a de ninguém , Mas a empatia de qualquer forma torna as relações melhores ,

  • laynnecris disse:

    Que belo texto, Silvia. O título é convidativo e a leitura é uma viagem “empática”. Penso que é uma das qualidades que todo mundo deve ou deveria ter ou ao menos trabalhar para descobrir-se, nem que seja um pouco!

    Grande beijo!

    Carinhosamente
    Laynne Cris

  • Eu vejo a empatia como uma capacidade de entender e não de ter uma atitude ou vir a se colocar no lugar de outro. O julgo é algo natural em minha vida, mas nem sempre me fidelizo com a empatia, afinal sou humano, cheio de defeitos e tendo muito a aprender. Por mais que seja eu complacente distribuindo a amabilidade e a gentileza, já me vi também agindo no olho por olho, dente por dente.
    Então faço eu coro com a Laynne e acredito que o exercício constante para alcançar é um dever de ser um Ser melhor. Tenho conseguido progressos expressivos a esse respeito e ele faz parte de um ensinamento chamado Ìwà Pèlè (O bom caráter). Bom estar aqui, me sinto em casa. Obrigado Silvia! 🙂

    • Silvia Souza disse:

      É muito bom receber sua visita e seu comentário…
      Eu me sinto honrada!

      Sobre a empatia, eu peguei a definição de um dicionário.
      Eu acho sim que ela possa ser treinada. Mas, por treino ou não, acho que algumas pessoas têm essa característica de forma mais natural do que outras…
      Mas esse é meu “achômetro”…
      😊

  • Ariani Pontes disse:

    Que bonito isso!
    Seu blog está muito gracioso! Parabéns!

  • Empatia…perder-se no outro, por alguns instantes, com ou sem caminho de volta, envolver-se…é doloroso mesmo, sair, voltar, mas principalmente querer ser percebida e não ser. Nada como as palavras, não é, Sílvia, nada como se fazer entender pelas palavras escritas, energia gritante, mesmo com silêncio ao redor.
    Continue assim, leve, em paz. A gente agradece!

    • Silvia Souza disse:

      Olá, Fran! Que coisa boa ver você por aqui…
      As palavras (mesmo que elas falhem em alguns momentos em expressar exatamente os sentimentos) ajudam muito… ajudam a desabafar, extravasar algo que me preenche… se esse algo não sair, acho que sufoco…
      E seu livro? Quando sai?
      Um beijo grande, com muito carinho!
      🙂

      • Eu leio todos os seus posts, Silvia, mas não estava conseguindo organizar os pensamentos para comentar e do celular não consigo curtir (não aparece o link).
        Acho que as palavras têm vida própria, muitas vezes, elas não falham, são tão sabidas que escolhem atalhos e a gente fica a deriva, pensando quem foi que quis dizer isso…hehehe…
        O livro está em vias de…em breve darei notícias.
        Beijão.

        • Silvia Souza disse:

          Eu tirei o “Curtir” dos posts. Demorava muito para carregar e muitas vezes estava mais atrapalhando que ajudando.
          Fico feliz que você leia o que escrevo… na verdade, sinto-me honrada…
          Adoro a sua escrita… é muito reflexiva e intimista. Sou sua fã… 😉
          Beijo grande!

  • carlos disse:

    Olá Silvia, é uma história muito bonita que traz de volta memórias de infância. Chorando inconsolável veindo com os meus pais no filme bairro Uma quimera do Ouro de Charlotte, não conseguia entender por que eles riam olhando para tantas calamidades. Ainda acho que é una sorte ter empatia. Um abraço.

    • Silvia Souza disse:

      Eu acho que é bom sim.
      Mas também traz sofrimentos, porque acabamos nos envolvendo muito com as outras pessoas.
      Na minha profissão, acho particularmente importante.
      Beijo!

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