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Egocentrismo?

Eu escrevo praticamente todos os dias. É a minha terapia. Se não tenho tempo de escrever no blog, faço anotações em uma caderneta. Não consigo sair de casa sem levar uma caderneta e uma caneta, caso eu sinta necessidade de anotar alguma ideia que me surja.

Então, eu sei que escrevo por mim. É uma necessidade. E acabo me perguntando: por que escrevo aqui? Por que torno públicos meus questionamentos? Minhas reflexões? Minhas preocupações?

Todas as vezes em que passei por problemas mais importantes na minha vida, eu me sentia acolhida pelos livros ou por alguns textos que lia online e que refletiam meus sentimentos e me ajudavam a ampliar meus horizontes e minhas formas de encarar os mais variados problemas. Era sempre algo muito bom e que me permitiu seguir em frente e não desistir da minha vida.

Passei a achar que eu poderia deixar algo de bom aos outros também; às pessoas que procuram quem já viveu situações semelhantes. Achei que poderia, com meus escritos, acolher essas pessoas que estivessem se sentindo sós e desorientadas nesse mundo. Eu sei o quanto é difícil sentir-se só e não saber a quem recorrer. Com esta ideia, este meu espaço foi ganhando forma.

Ao escrever em um blog, dedico meu tempo ao transformar minhas ideias em palavras; tento montar um espaço atraente; invisto dinheiro. E há momentos em que me pergunto se vale mesmo a pena. Existem dias em que desanimo. Penso que poderia destinar este tempo às minhas leituras. Poderia manter apenas minhas anotações pessoais como terapia, sem a necessidade de compartilhá-las com outras pessoas. Por que insisto?

Qual é de fato meu papel no mundo? Sei que consigo ajudar um pouco as pessoas que me procuram no consultório. Devo contribuir com exemplos, carinho e dedicação na vida dos meus filhos. Provavelmente, faço coisas boas a outras pessoas: meus pais, minhas irmãs, minha sobrinha…

E o blog? Será que o blog, o Facebook, o Tumblr, os vídeos que comecei a gravar ajudam de fato outras pessoas? Desconhecidos que possam se sentir estimulados a refletir sobre suas próprias vidas ou sobre o mundo através de tudo o que publico, de todo o tempo que dedico nesses espaços virtuais? Ou serão todas estas interfaces formas de eu dar vazão ao meu egocentrismo? À minha necessidade pessoal de aparecer um pouquinho entre as bilhões de pessoas que convivem neste mundo?

Existem dias em que me canso. Em que acho que não vale a pena. Até por ser mais velha e menos conectada aos interesses dos jovens, que buscam linguagens fáceis e pouca reflexão. Não quero que essa frase seja compreendida como uma crítica aos jovens. Eu também fui jovem; também vivenciei minha fase de me achar detentora de todas as respostas, até às perguntas ainda não inventadas. Minha fase de refletir e perceber que não há respostas absolutas para quase nada no mundo veio com os anos de vida. Então, não estou criticando os jovens. Apenas constatando que talvez eu não tenha muito a acrescentar, a deixar como mensagem ou exemplo ou questionamentos.

Vale a pena continuar?

Provavelmente, continuarei. Talvez pela questão do ego. Ou da esperança de atingir algumas pessoas. Até surgirem novas dúvidas. E chegar o momento em que perceberei que meu investimento de tempo e dinheiro foi totalmente em vão.

 

 

 

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2 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Olá Silvia, suas palavras induzenme a reflexão sobre o papel que desempenham nesta comédia da vida. Eu entendo que às vezes sinto que todo esforço é vão e que seria melhor se concentrar em si mesmo e permanecer alheio aos outros. Eu não acho que esse é o caminho para a felicidade. No longo prazo, seria um caminho que leva-nos de volta para a selva. Uma aceitação de que o único válido é “cada um por si” Nós já falado na ocasião sobre a satisfação que traz nos ajudar. Hoje eu ainda estou convencido de que o bom exemplo multiplica em outras pessoas e esse fato neste mundo, que talvez vai morrer, será uma das poucas opções restantes para a sobrevivência. Um beijo.

    • Olá, Carlos!
      Você tem toda razão e sei que, apesar de eu passar por estes períodos de desânimo, continuarei deixando minhas reflexões. Afinal, se eu fizer algo de positivo para 1 pessoa, acredito que já vale a pena.
      Mas existem sim estes momentos de desânimo… em que me pergunto se o esforço vale a pena ou se eu realmente tenho algo de bom a deixar.
      Acho que eu me questiono demais…
      Beijo grande!

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