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Documentário “HyperNormalisation” de Adam Curtis

Documentário “HyperNormalisation” de Adam Curtis
Documentário “HyperNormalisation” de Adam Curtis

“HyperNormalisation” é um documentário exibido pela BBC em 2016 e produzido por Adam Curtis.

Kevin Adam Curtis, nascido em 1955, é um cineasta inglês, especializado em documentários. Seu tema favorito é o “poder e como ele funciona na sociedade”. Seus trabalhos exploram áreas de sociologia, psicologia, filosofia e história política. Curtis descreve seu trabalho como uma forma de jornalismo apresentado na forma de um filme. Seus filmes ganharam quatro BAFTAs. Ele construiu sua carreira bastante ligado à rede inglesa BBC.

“HyperNormalisation” conta a história extraordinária de como chegamos a este momento de grande incerteza e confusão, onde aqueles que estão no poder estão paralisados e não têm ideia do que fazer. Ele tenta explicar não só o porquê destes eventos estarem acontecendo, mas também porque nós, e nossos políticos, não conseguimos entendê-los. O filme mostra que o que aconteceu é que todos nós no Ocidente – não apenas os políticos, os jornalistas e os especialistas, mas todas as pessoas – passaram a aceitar uma versão mais simplificada (e, muitas vezes, completamente falsa) do mundo.

O documentário está dividido em nove partes e tem quase três horas de duração. Curtis mostra como a estratégia de HiperNormalização surgiu na antiga União Soviética nos anos 1970 para depois ser adotada pelas potências do Ocidente. Durante o colapso econômico da União Soviética, seu governo mantinha a aparência de normalidade. Resignados e desiludidos com a política, os cidadãos tocavam suas vidas fingindo que tudo estava normal porque não encontravam alternativas para o futuro. O escritor Alexei Yurchak chamou isso de “HiperNormalização”.

Segundo Curtis, no Ocidente, as pessoas foram desenvolvendo uma aversão à política. Usaram formas de mantê-los alienados a tudo o acontecia de fato, sendo a mais importante delas o Cyberspace e o crescimento dos equipamentos tecnológicos e da Internet.

Achei o documentário interessante em alguns aspectos, especialmente quando mencionava algumas informações reais sobre eventos mundiais, com muitas imagens e entrevistas de arquivo da BBC. Por outro lado, precisa-se olhar com alguma desconfiança algumas afirmações que Curtis faz, mas, para as quais, não existem comprovações. Isso pode gerar um clima ainda maior de “teorias de conspiração”.

Ele inicia contando sobre a decadência e recuperação de Nova York nas décadas de 1970 e 1980. E como Donald Trump acabou se beneficiando nessa época para começar a construir seu império.

A seguir, ele muda o foco para Damasco, na mesma época, e dos planos de Hafez al-Assad, presidente da Síria, de unificar o mundo árabe. E passa a descrever como estes planos foram desfeitos pelos Estados Unidos, que se tornaram o grande inimigo da Síria.

Ele vai alternando estes dois enfoques (Estados Unidos e Oriente Médio), principalmente, ao longo das décadas, mas também relata sobre a queda a União Soviética e sobre a chegada de Putin à frente da Rússia. Até chegarmos ao momento atual, com os atentados terroristas, a subida ao poder de Trump e ao Brexit.

Alguns fatos que são narrados não parecem ser comprovados, como a premeditação dos Estados Unidos de usar o Coronel Gaddafi da Líbia como um bode expiatório, dizendo ser a Líbia e não a Síria a responsável por ataques terroristas. Ou a possibilidade de grande número de imagens de UFOs filmadas na década de 1980 serem de armas militares americanas que estavam sendo desenvolvidas e desejava-se manter sigilo.

O que valeu a pena para me fazer pensar, além de imagens e entrevistas de arquivo, foi a possibilidade de mudar um pouco a forma de olhar para as coisas. Temos uma tendência muito grande de aceitar (ou rebater de pronto) o que chefes de estado ou a imprensa nos diz. Mas qualquer que seja a fonte, as informações podem estar sendo completamente alteradas de acordo com o interesse de grupos ou países mais poderosos.

E como fazer para conhecermos a verdade? Não sei. Isso ele não apresenta. Ele apenas mostra as formas como podemos ser enganados sem nos darmos conta.

É um documentário interessante. Não para aceitar tudo, mas para refletir a respeito do mundo em que vivemos.

 

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5 Comments
  • Carlos Bazuca disse:

    Uma boa forma de “problematizar” a situação por aqui, onde panelas rufam seletivamente e pessoas elegem Políticos, quando deveriam eleger “Políticas” (de Governo) e, no final, todos vão pra Internet brigar. Pretendo ver, parabéns.

    • Silvia Souza disse:

      Vale a pena assistir, mesmo que seja para ver novos pontos de vista.
      Abraço, Carlos!

  • carlos disse:

    Olá Silvia, eu acho que é um tema muito interessante, o grande normalidade é manter a aparência de que tudo o que acontece é explicável a partir de uma perspectiva econômica, porque há muitos fatores que afetam o planeta, e que a realidade é imprevisível e parece regido pela sorte. Os governos tomem decisões populares para manter o número de votos suficientes. E a sociedade de consumo é alimentado de volta para a necessidade de aumentar a quantidade de bens adquiridos. Mais pessoas com mais propriedades é uma equação impossível de resolver, mas também a base do sistema que entra em pânico com a possibilidade de deflação e o atraso das compras e, portanto, da demanda por crédito. Então o melhor e´fingir que tudo está bem. Um abraço.

    • Silvia Souza disse:

      Olá, Carlos!
      Mas será que não chega um momento em que as coisas acabam saindo do controle?
      Tenho a sensação de que estamos chegando perto desse momento…
      Beijo!

  • carlos disse:

    Olá Silvia, eu concordo com você, eu acho que há muito tempo já ultrapassou o limite e talvez nenhuma outra solução que voltar atrás e começar a mudanças em quase todos os aspectos da vida, desde alimentos, habitação, férias e nível de consumo. Até agora, parece que nenhum governo quer ser o primeiro a impor restrições então escolha a fazer pequenas mudanças que dão origem a grandes protestos. E não é uma questão de ricos e pobres, porque eles entregar todos os bens dificilmente resolve nada. Um beijo.

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