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Diálogos familiares

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Venho de uma família que sempre valorizou a educação. Meus pais não podiam me dar muitos bens materiais, mas nunca deixaram de investir em livros e escolas de qualidade. Ambos eram matemáticos e professores da UNESP (atualmente aposentados). Sempre fui a melhor aluna da classe durante os anos de colégio. Na faculdade, continuei com bom desempenho.

Meus filhos nasceram no mesmo tipo de ambiente: com pai e mãe que sempre colocaram o aprendizado e a cultura acima de tudo. Passei para eles muito do que aprendi com meus pais: aplicar as ciências e aquilo que era ensinado na escola no dia a dia. Entender a matemática, a física, a química, a biologia, geografia, história, língua portuguesa… tudo dentro do contexto de vida, em cada pequena coisa onde podemos aplicar aquilo que aprendemos.

Eles se consideram nerds… E, por algum motivo que desconheço, têm orgulho de se autodenominarem dessa forma. Competem para ver quem faz os cálculos de forma mais rápida, quem sabe maior número de decimais do π, quem sabe mais detalhes sobre o Império Romano e assim por diante.

Eles gostam de perceber as reações químicas que acontecem quando estamos cozinhando, têm curiosidade sobre as doenças e seus agentes, sobre os eventos políticos, as necessidades de nutrientes do nosso corpo, a composição dos planetas e as leis que regem o universo.

Uma música bobinha como a que a Varig usou em seu comercial nos anos 1990 fez com que meu filho mais velho fosse fazer o cálculo de qual teria que ser a velocidade para que fosse possível percorrer 10 km no tempo da canção.

 

 

Talvez muitos pais achem um absurdo e pode parecer que meus filhos sejam forçados a esse tipo de comportamento. Forçados, definitivamente, não. Mas estimulados sim. A curiosidade é um dos principais motores do desenvolvimento humano; tentar resolver problemas, vencer obstáculos e desafios é a base para termos um mundo melhor, desde que haja sempre os valores éticos e morais.

Eles acham divertidas piadas nerds e inteligentes; dão risada, competem de forma positiva (apenas algumas vezes a competição passa dos limites e preciso parar a discussão).

Acho divertidíssimo ver meus filhos crescendo assim, procurando solucionar os problemas e aplicar o que aprendem no dia a dia.

Apenas um último comentário… Foi meu filho mais velho que me pediu para escrever esse artigo sobre esse tema…

– Sílvia Souza

 

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6 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Certamente você é uma mãe trabalhadora na educação dos seus filhos e com certeza toda a família desfruta. Tenha certeza de que mais tarde os seus filhos vão ser os melhores amigos que você pode encontrar. Obrigado por compartilhar esta experiência íntima. Um abraço.

  • Thais dos Reis disse:

    Que delícia de texto, vi a minha família na sua e acho mais que fundamental esse estímulo aos pequeninos, para que gostem de estudar. Seus filhos devem ser demais, por curiosidade… qual a idade deles? Achei muito interessante o que você contou dos cálculos!

    • Olá, Thais!
      Obrigada pelos comentários… Falar dos filhos é uma das coisas mais prazerosas pra uma mãe, mas a gente sempre corre o risco de se exceder…
      Meus filhos têm 15 e 12 anos. São dois meninos (adolescentes) maravilhosos!
      Beijo grande!

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