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Desprezo

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Desprezo

Sou uma grande admiradora da filosofia e dos ensinamentos de Buda. E um dos principais pontos do budismo é o Carma ou a Lei de Causa e Efeito. Ela nos diz que toda ação gera uma energia semelhante que irá retornar a nós mesmos… colhemos o que plantamos. Quando optamos por atitudes positivas em relação a outras pessoas, nosso carma também ficará carregado de energias positivas. E não são apenas as ações que contam, mas também as motivações que levaram a que se tomasse uma determinada atitude.

Acredito no carma. Independente da existência de outras vidas ou não. Mas já comprovei que quando faço algo bom por alguém, sinto-me bem e parece que minha alma ganha um brilho, uma energia boa que acaba contagiando outras pessoas. E procuro manter as boas ações e fazer aos outros o que eu gostaria que fosse feito comigo; esse é um dos principais preceitos da minha vida.

Mas, obviamente, não sou perfeita. Cometo inúmeras falhas sem nem mesmo me dar conta. Procuro melhorar a cada dia que passa, buscando deixar um mundo melhor do que encontrei, mas também fico cansada, irritada, perco a paciência, entristeço-me… são reações humanas.

Das minhas inúmeras falhas, tento evitar, em especial, o desprezo. Acho que tento tomar tanto cuidado para não desprezar os outros justamente porque ser desprezada é uma das coisas que mais me causa sofrimento. E quando isso acontece, fico sempre me perguntando onde errei, o que causei de mal ou o que posso ter feito para ter merecido semelhante coisa. E sei que falho.

Não serão todas as pessoas que irão gostar de mim. Devo despertar sentimentos diversos, dependendo se me conhecem mais ou menos ou quando as energias simplesmente não se harmonizam. Se alguém chegar na minha cara e me disser que não gosta de mim, vou ficar chateada; mas saberei entender que é algo absolutamente normal. Mas mesmo o fato de não gostar de alguém justifica (no meu ponto de vista) que se despreze o outro. Tratar com desdém ou indiferença, ignorar um cumprimento, um pedido ou qualquer coisa é algo que acho imperdoável… (e continuo achando imperdoável mesmo que tenha partido de mim).

Se alguém envia uma mensagem, espera-se uma resposta. Se um compromisso é marcado, o mínimo que se deve fazer é avisar, caso não se possa comparecer. Um cumprimento merece uma retribuição. O mesmo acontece com um ato de carinho, uma gentileza, um favor. Não custa muito. E traz muito mais coisas boas do que ignorar o outro.

Não há coisa que me magoa mais do que alguém marcar algo comigo e não aparecer, sem nem mesmo dar notícias; um e-mail que nunca seja respondido; uma mensagem totalmente desconsiderada. Porque além de fazer com que eu me sinta muito triste, ainda tenho meu lado preocupado, aquele que se importa com o outro, que fica se perguntando se aconteceu alguma coisa, se está tudo bem. E não é justo que se faça isso. Ninguém merece ser tratado assim.

Mas continuarei procurando fazer o meu melhor, tentando deixar meu carma mais positivo e, quem sabe, acabar deixando uma energia melhor a quem convive comigo.

– Sílvia Souza

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9 Comments
  • claudio kambami disse:

    Desprezo…quem já não passou por isso? Machuca, mas passa e fortalece. Como bem disse coisas humanas. Quanto aos ensinamentos de Buda, me lembrei dos ensinamentos que dizem, “a semeadura é livre, mas a colheita é sempre obrigatória”. Já nascemos semeados o que nos resta é o que disse, fazer o melhor dentro do possível para que nossa colheita não seja de tanto sacrifício. Como havia te falado segue o link da brincadeira. Beijo! 🙂
    https://kambami.wordpress.com/2016/05/27/tags-2/

    • Olá, Claudio!
      Obrigada por continuar me deixando seu carinho…
      Responderei à TAG sem falta… Obrigada por se lembrar de mim!
      Sabe, estou com vontade de escrever fazendo um desabafo rasgado dos meus sentimentos e sofrimentos. Eu tenho uma péssima capacidade de lidar com alguns problemas, em especial quando sofro desprezo, indiferença, quando sou enganada por pessoas mal caráteres… Queria ser diferente… Queria me afetar menos… Queria já ter aprendido que o mundo não é acolhedor e que as pessoas são más por natureza…
      Sou uma pessoa despreparada, ingênua, crédula… e facilmente passada para trás…
      O que eu faço? Me interno em um mosteiro? Me fecho em casa? Ou acabo com a minha vida?
      Sei que estou fazendo perguntas injustas para você… o desabafo nem é para você… é para mim mesma… e não posso nem mesmo chorar as minhas tristezas e contar minhas mágoas, por vergonha de ser tão tola aos quase 45 anos…
      Perdoe! Considere que essa resposta não foi para você, mas apenas um desabafo triste de uma pessoa desenquadrada no mundo…
      Um beijo grande, com carinho!

      • claudio kambami disse:

        Então Silvia, estava tentando escrever pelo android e me enrolei todo, vim para o computador onde ainda domino um pouco melhor. Estava mesmo sentado a ele tentando escrever algo sobre como eu vejo e lido com as amizades virtuais e o que penso sobre esse mundo virtual. Estou quase dizendo a você me dê as mãos pois sentimos se não algo igual diria muito semelhante.
        Tenho também não medo, mas receio de receber uma agressão gratuita como já recebi tempos trás o que chamam de bulling virtual.
        Tento ser o máximo que posso carinhoso com todos, muitas vezes não entendem e julgam achando que possa haver algum interesse por trás disso.
        Silvia, sou um livro aberto e tudo que escrevo todos aqui em casa tem acesso, minha esposa, meus filhos e sabem que tenho amizades com adolescentes e com pessoas bem mais velhas que eu.
        Não vejo diferença pois os mais novos, trato-os como se fossem meus filhos, incentivando, dando apoio aos sonhos que eles dizem ter, dando orientações para não entrarem em furadas enfim, o mesmo que faço com meus filhos.
        O problema de caráter é algo difícil de lidarmos e confesso que estamos sim expostos a ele mesmo quando somos treinados a reconhece-los.
        O tal bulling que sofri a anos atrás foi assim, de cara quando conheci a pessoa por um convite para entrar em uma comunidade que ela havia criado senti um alerta por ela já vir afirmando que havia desmascarado uma pessoa que se passava sendo de uma determinada religião e não era, enfim, os erros não justificam os meios.
        Entendo que se alguém quer se fantasias em algum personagem e se estando nesse personagem não agride ninguém, não faz mal a ninguém e sabe se comportar dentro de um espaço aberto, que continue. Assim também pessoas que como eu gostam de usar um avatar em vez da própria foto o que não significa que ninguém saiba quem sou afinal tem lá no FLICKR, tem postada no blog, tem em filmes que fiz.
        Eu de fato não entendo essa digamos “canalhice”.
        Eu quero estar na rede para fazer amizades, receber e dar carinho, receber e dar apoio, participar mesmo sabendo que não sou lá nenhum escritor e nenhum especialista na gramática portuguesa.
        Te entendo e muito e como te entendo.
        As vezes sofro com pessoas que estou seguindo e por problemas pessoais ou de doença se afastam ou abandonam o blog. Isso me deixa muito triste, pois nutro um carinho, queria que continuasse nem que fosse um olá a cada 3 meses, sinto falta.
        Uma vez fiz uma poesia em homenagem a um amigo muito querido que perdi o Jairton de Souza que está lá no blog e falava como uma crítica a Deus dizendo que não lhe dava essa direito de retirar minhas pétalas pois cada um de vocês são minhas pétalas.
        Um dia antes estava conversando com ele e ele fazendo planos junto de escrevermos artigos em um blog que ele já tinha, preporei alguns que já havia escrito e ele posou de imediato. Ele sabia que era uma pessoa tão frágil que me omitiu que estava já internado e escrevendo de um lap top do hospital, nos deixou no dia seguinte e ainda chegou a postar que havia passado uma noite horrível, já que também escrevia e junto comigo e mais duas pessoas gerenciávamos um espaço de debates.
        Então Silvia o que quero dizer com tudo isso é que estamos sim entregues as intempéries da vida, temos que saber quem nos ama e ficar junto para também amarmos, já que o mundo está muito ruim. Por esse motivo te falei que você era meu anjo, mas isso que quiser saber mais detalhes te conto no Telegram já que não quero expor a pessoa aqui no espaço.
        Silvia te digo, assim que eu estiver apto para viajar e for a São Paulo na casa do Dani vou ver se consigo marcar para você ir lá nos conhecer e vai até ser bom pois como te contei a Carina esposa do Dani terminou agora a Psicologia e está estagiando parece que Clinica não sei direito e ela me conta que muitas vezes tem que também fazer terapias exatamente por tanto ouvir os problemas alheios assim como você no seu dia a dia.
        Não esmoreça, estou aqui, e gosto muito da sua amizade. Sabes que pode contar comigo sempre. Grande beijo! <3

        • Bom dia, Cláudio!
          Obrigada por sempre se manter próximo de disponibilizar seu tempo e seu carinho.
          Às vezes, queria ter a chance de nascer de novo… e nascer menos sensível, menos influenciável por tudo o que vejo à minha volta. Vejo as pessoas que conseguem simplesmente mandar o outro passear, sem sofrer demais. Eu não consigo e isso é muito ruim.
          Como ser diferente?
          Existe alguma forma?
          Caso venha a São Paulo, não deixe de entrar em contato.
          Um beijo grande, com carinho!

  • Carlos Moya disse:

    Eu acho que a maioria das pessoas estão relacionadas por um interesse mútuo e íntimo, faz parte do ser humano correspondem aos favores que estabelecem relações de confiança. Eu não sei nada sobre o budismo, mas eu sei que eu sinto bem quando eu puder ajudar com qualquer coisa. Embora eu suponho que haverá pessoas que não gostam de mim. Um abraço

    • Olá, Carlos!
      Saiba que você sempre me faz bem só de passar por esse meu espaço e deixar um comentário…
      Às vezes (muitas vezes), as pessoas, suas atitudes, são capazes de me magoar profundamente… Queria que as pessoas fossem um pouco menos egoístas e olhassem mais para os outros… O mundo seria tão melhor!

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