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De Livro para Filme: “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini

De Livro para Filme: “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini
De Livro para Filme: “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini

Inicialmente, assisti ao filme. Um drama absolutamente emocionante envolvendo a invasão soviética ao Afeganistão e a amizade entre dois meninos, sendo um deles rico (Amir) e o outro muito pobre (Hassan), filho do empregado da casa.

Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e está sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas.

Durante um desses campeonatos de pipas, quando Hassan vai tentar resgatar a pipa que caiu longe, acontece uma das cenas mais perturbadoras do filme, quando Hassan é atacado por outros garotos; Amir fica à distância e não defende o amigo. Essa cena ainda acontece no início da história; pouco depois ocorre a invasão soviética e Amir e o pai mudam-se para os Estados Unidos, fugindo da guerra.

Achei o filme muito tocante, mas não é do tipo de filme ao qual eu assistiria novamente, porque dá um pouco de náusea, ao vermos tanto sofrimento e tanto desrespeito pela vida humana.

Mesmo assim, como eu tinha gostado muito do filme, pedi o livro de presente, na expectativa de que ele trouxesse mais detalhes históricos. Mas tenho que confessar que me desapontei.

O filme é exatamente igual ao livro, sem tirar nem por. Talvez, se eu tivesse lido antes, pudesse ter construído os cenários e os personagens do livro usando minha própria imaginação. Mas como vi o filme antes, os personagens já estavam construídos, assim como os cenários. Tudo veio pronto quando a história do livro começou na minha frente.

Esse fato me causou desapontamento. Afinal, o que eu acho mais incrível nos livros é poder usar minha própria criatividade para adentrar o mundo criado pelo escritor. E fiquei impossibilitada. Não houve nenhum espaço, nada que acrescentasse.

Continuo achando a história linda, bastante indigesta, mas linda e comovente. Acho que para aqueles que não levam o livro nem viram o filme, valeria a pena ler o livro. Permitir-se entrar nesse mundo através da sua própria mente, e não pela visão do diretor. Mas, para quem optar pelo filme, o livro não traz mais detalhes e não se perde muito da história nem da caracterização.

 

– Sílvia Souza

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4 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Eu escuto neste momento. A morte foram às ruas, na voz de Zeca Afonso, exclamando assassinato por motivos políticos. Essa violência habitual que parece normal. E será como esquecer o quão pouco da humanidade que permanece para nós. Se o cinema é apenas um esboço de um romance e literatura descreve apenas a realidade. Quantas vozes das vítimas caber em um momento? Esta questão deve ser terrível para você que realmente se preocupa com a saúde de todos. Um abraço.

    • É realmente muito triste… As vidas humanas tratadas com tanto desprezo…
      Eu não me conformo com tanta intolerância e tanta violência… E nem posso dizer que seja algo dos dias atuais, porque os homens sempre se mataram uns aos outros ao longo dos Séculos…
      Isso é algo que me abala e entristece profundamente!

  • Alex André disse:

    Parabéns pela belíssima resenha, Silvinha querida. Fiquei até com vergonha da que eu fiz para o meu blog…kk
    Eu fiz o contrário de ti: li primeiro e depois assisti ao filme.
    Um grande beijo e uma ótima noite para ti.

    • Era só o que faltava você ficar com vergonha… sua resenha é muito mais detalhista do que a minha…
      Já faz um tempão que assisti ao filme e li o livro…
      Eu separei todos os livros que li e cujas adaptações para o cinema assisti e resolvi fazer publicações traçando um paralelo entre os dois… Seu feedback é fundamental! Avise-me o que não gostar, tá?
      Um beijo grande, com carinho!

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