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De Livro para Filme: “A Menina que Roubava Livros” de Markus Zusak

De Livro para Filme: “A Menina que Roubava Livros” de Markus Zusak
De Livro para Filme: “A Menina que Roubava Livros” de Markus Zusak

Fico sempre receosa de comprar um livro que seja um best seller. Tenho opiniões e gostos que destoam daqueles da maioria das pessoas e, geralmente, mesmo que um best seller possa me entreter, não é o tipo de leitura que eu mais aprecio. Em sua maioria, são leituras leves, fáceis, escritas para fazer sucesso e não para acrescentar algo de valor para o mundo literário. Será que estou sendo muito dura? Provavelmente. Sei que muitas vezes tenho uma visão rígida e um pouco preconceituosa quando se trata de avaliar uma obra literária; desprezo um pouco (ou muito) os livros extremamente comerciais.

Mas esse livro me provocou com seu título envolvendo uma paixão por livros e com seu tema envolvendo a Segunda Guerra, em especial com uma visão de alguém que viveu a Guerra do lado alemão. Acabei me interessando ainda mais pelo fato dos pais do autor terem vivenciado a Guerra. Então, mesmo ele sendo australiano e nascido em 1975, imaginei que ele tenha escutado vários relatos reais da Guerra. Acabei cedendo e comprando esse livro. E confesso que foi uma das melhores surpresas literárias da minha vida.

A leitura ocorreu em Setembro de 2012, antes que eu soubesse que haveria um filme sobre a história do livro. O livro é lindo, com a história da Guerra muito presente, com todo seu sofrimento, a fome, os bombardeios, o massacre dos judeus e, em meio a tudo isso, a história da pequena Liesel, contada pela própria Morte. Uma menina que ficou órfã e passou a ser criada por uma família desconhecida. Seu maior desejo era aprender a ler e ela tomava para si livros que tivessem sido perdidos, esquecidos ou que encontrasse abandonados.

O livro consegue reunir tantos aspectos diferentes e trata tudo com tanta sensibilidade que é impossível não se apaixonar pela menina e torcer por ela e pelas pessoas à sua volta em meio ao caos que a Alemanha vivia.

Gostei quando o filme estreou em 2013. Mas desde o início, imaginei que o filme não me agradaria tanto quanto o livro. E não errei. O filme tentou ser fiel ao filme na medida do possível. Mas os desfechos não foram respeitados e houve mudanças essenciais em relação à história contada no livro. Eu entendo que a indústria do cinema goste de amenizar algumas histórias relatadas, fazendo com que elas se tornem mais palatáveis. Mas as guerras não são facilmente digeridas… elas fazem sofrer, angustiam, incomodam cada célula do nosso corpo. E deveriam ser retratadas dessa forma, para mostrar os horrores que os homens são capazes de fazer uns com os outros.

Então, por mais que o filme seja bonitinho e bem feito, não chega aos pés do livro. E quem tiver a chance, deveria ler essa obra.

 

 

– Sílvia Souza

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11 Comments
  • Francine Camargo disse:

    Também achei o livro de uma beleza e sensibilidade incríveis, pois também o li nesse contexto de “vamos ver do que as pessoas tanto falam”. O filme, porém, não despertou em mim nem 1/3 das emoções da escrita.
    Beijão.

  • Silvia, adoro o fato de que você resenha muitos livros que por conta própria eu não procuraria. A Menina que Roubava Livros sempre me repeliu por parecer modinha de quem gostava de parecer engajado no meu tempo de ensino médio, mas admito que nunca sequer havia chegado a ler a sinopse (que criminoso da minha parte! rs). E a sua resenha me fez conhecer um pouco da história do livro e ter vontade de lê-lo, pois amo histórias que envolvem guerras de uma maneira geral (E O Vento Levou, Pássaros Feridos, Uma Mulher de Fibra). Não sei se você já leu/viu o filme, mas, relacionado à 2GM, recomendo o livro e o filme O Leitor. Me comoveu muito a leitura!
    Beijos!

  • Aparecida Dias disse:

    Esse livro é muito bom. De uma forma mais branda ele retrata o nazismo aos olhos de uma criança que tanto queria aprender a ler.

  • Carlos Moya disse:

    Eu acho que a leitura não tem os limites impostos pelo cinema no número de personagens e do tempo que lhes dá o autor de expressar suas emoções. Eu acho que há exceções e algum filme será melhor do que o original. Heinrich Böll, autor de O anjo ficou em silêncio, um dos comentários mais recentes e outros como Vasili Grossman, são grandes contadores de histórias sobre a guerra na Europa. Um abraço.

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