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Livro “Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski

Livro “Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski
Livro “Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski

Título Original: Преступлéние и наказáние

Primeira Publicação: Dezembro de 1866

Editora: Editora 34 (06/06/2001)

Tradutor: Paulo Bezerra (Essa é a primeira edição traduzida diretamente do russo no Brasil, trabalho do renomado professor Paulo Bezerra)

Ilustrador: Evandro Carlos Jardim

ISBN: 8573262087 (ISBN13: 9788573262087)

Sinopse: Publicado em 1866, ‘Crime e Castigo’ é a obra mais célebre de Dostoievski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petersburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria – grandes homens, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

 

Anna Kariênina” de Tolstói e, agora, “Crime e Castigo” de Dostoiévski foram as únicas obras russas que li.

As duas me marcaram bastante. Cada uma à sua maneira.

Essa obra mostra a pobreza e miséria da população, suas dificuldades, a fome, as doenças, a degradação humana.

Embora os aspectos centrais da obra sejam a culpa pelo crime que Raskólnikov cometeu, as angústias decorrentes dessa culpa e, ao mesmo tempo, os momentos em que ele se coloca acima do assassinato, como se ele estivesse automaticamente perdoado por ser um homem mais evoluído, cujos crimes são perdoados na história, comparando-se a Napoleão, confesso que outros aspectos me marcaram mais. São pontos secundários, que aparecem de forma discreta na história, sem destaque.

Sempre fico atenta aos papeis que as mulheres ocupam nas obras clássicas antigas. As duas obras russas que li, ambas do século XIX, ajudaram a mostrar uma sociedade onde a mulher parecia ter um papel maior do que o que se via na Europa ocidental. Posso estar completamente errada. Essa é uma análise pessoal e superficial, sem maiores pesquisas a respeito.

Mas, ao me basear em obras portuguesas, francesas e inglesas do mesmo período, tenho a sensação que nas obras russas, a opinião das mulheres é mais valorizada e, em ambas, comenta-se sobre a emancipação das mulheres e a necessidade de uma adequação das leis para tornar os tratamentos mais igualitários.

Nas obras da Europa ocidental, parece que a mulher tem sempre um papel subalterno, de alguém que não consegue pensar por si mesma e não exerce uma função decisiva de forma positiva.

Estou enganada?

As análises psicológicas, o início de observações do comportamento, os termos como “monomania” que indicava pensamentos repetitivos… E tudo isso excluído das crenças religiosas e dos aspectos místicos.

O questionamento da existência de Deus…

Cada personagem tem uma construção extremamente cuidadosa, com características individuais muito reais, o que os torna quase “vivos”, pessoas de verdade. Apenas esse aspecto já faz com que eu entenda o motivo de ser um clássico da literatura mundial.

Talvez eu ainda precise de alguns dias para digerir tudo. Não é um livro simples, que engolimos rápido e nos dá bem estar. A leitura é indigesta, repleta de sofrimento e miséria, sentimentos antagônicos, questionamentos vários.

Eventualmente, terei que reler, para conseguir absorver o muito que ficou faltando nessa primeira leitura.

 

– Sílvia Souza

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