Teoria da conspiração
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Conto “O manifesto da cidade” de Clarice Lispector

Conto “O manifesto da cidade” de Clarice Lispector
Conto “O manifesto da cidade” de Clarice Lispector

Esta publicação é referente ao Projeto Clarice Lispector idealizado pela Marcia Cogitare do Blog Surtos Literários. A proposta foi de publicarmos no mesmo dia nossos comentários sobre cada um dos contos da escritora, que foram todos reunidos por Benjamin Moser no livro “Todos os Contos” da Editora Rocco. O conto de hoje é “O manifesto da cidade”, do livro de mesmo nome, “Onde estivestes de noite”.  A publicação da Marcia pode ser lida clicando aqui.

Estamos em uma parte muito complicada deste livro de contos. Deste ponto em diante, teremos oito contos que são realmente muito curtos; cada um tem cerca de duas páginas. O fato de serem contos tão reduzidos já dificulta um pouco a análise (no meu ponto de vista). E o que complica mais é que nem sempre a Clarice Lispector consegue deixar claro qual é o foco do seu conto ou sobre o que ela está de fato relatando.

Neste conto, “O manifesto da cidade”, tenho a impressão de que ela fala da cidade do Recife, onde ela passou sua infância. Mas não sei exatamente sobre o que ela quer contar.

Por que não tentar neste momento, que não é grave, olhar pela janela? Esta é a ponte. Este é o rio. Eis a Penitenciária. Eis o relógio. E Recife. Eis o canal. Onde está a pedra que sinto? a pedra que esmagou a cidade. Na forma palpável das coisas. Pois esta é uma cidade realizada.

A impressão que tenho é que ela tenta relembrar a cidade, os lugares por onde andou em sua infância, a casa na qual viveu.

Este momento não é grave. Aproveito e olho pela janela. Eis uma casa. Apalpo tuas escadas, as que subi em Recife. Depois a pilastra curta. Estou vendo tudo extraordinariamente bem. Nada me foge.

Parece que ela conversa com a cidade. Talvez. Como se fizesse um esforço supremo para se lembrar de tudo o que viveu na infância e tentar se esquecer de fatos da vida adulta.

Estendo a mão esquerda que é mais fraca, mão escura que logo recolho sorrindo de pudor. Não te posso tocar. […]

Tento lembrar-me da memória, entender-te como se vê a aurora, uma cadeira, outra flor. Não temas, não quero possuir-te.

Eu imagino o tamanho do sofrimento e da angústia que Clarice vivia no final da sua vida. As dores físicas e emocionais enfrentadas. A dificuldade de se encaixar em uma sociedade ainda cheia de preconceitos.

Ela tenta encontrar as palavras que representem sua alma, os sentimentos mais íntimos, como uma forma de se libertar de todas as suas dores.

 

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