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Conto “Duas histórias a meu modo” de Clarice Lispector

Conto “Duas histórias a meu modo” de Clarice Lispector
Conto “Duas histórias a meu modo” de Clarice Lispector

Esta publicação é referente ao Projeto Clarice Lispector idealizado pela Marcia Cogitare do Blog Surtos Literários. A proposta foi de publicarmos no mesmo dia nossos comentários sobre cada um dos contos da escritora, que foram todos reunidos por Benjamin Moser no livro “Todos os Contos” da Editora Rocco. O conto de hoje é “Duas histórias a meu modo”, do livro “Felicidade Clandestina”.  A publicação da Marcia pode ser lida clicando aqui.

Neste conto, Clarice nos dá mais um exemplo dos exercícios de escrita que ela utilizava.

Uma vez, não tendo o que fazer, fiz uma espécie de exercício de escrever, para me divertir. E diverti-me. Tomei como tema uma dupla história de Marcel Aymé.

Marcel Aymé foi um escritor francês falecido em 1967. Clarice se inspirou em duas histórias contadas por ele e passa a escrever sua própria versão ou continuação da história.

Em uma das histórias, o personagem Félicien era proprietário de uma fazenda produtora de uvas para fabricação de vinhos. Mas ele próprio não bebia e não tolerava a bebida. Para fingir que gostava daquilo que produzia, ele simulava que bebia e criava tremores, como se estivesse com crises de abstinência.

Na segunda história, o personagem Etienne Duvilé era um funcionário público que apreciava vinhos. Não que ele fosse um alcoólatra; ele gostava dos bons vinhos, bebia pelo prazer de degustar a bebida. O problema é que não ganhava o suficiente para comprar os vinhos que apreciava e ainda tinha uma família numerosa para sustentar.

O fato é que este conto de Clarice me deu muitas ideias e desejos de realizar exercícios semelhantes. Quantas possibilidades diferentes podem surgir de exercícios como esse?

Escrever é um hobby para mim, mas gostaria de que fosse uma profissão. Escrever me acalma, ajuda a organizar meus pensamentos, abre um número enorme de visões diferentes do mundo e das pessoas. Mas, ao contrário do que muitas pessoas pensam, escrever não é falta do que fazer. Escrever a sério demanda muito tempo de trabalho no arranjo das ideias, na escolha das palavras e na montagem das frases.

Quando escrevo aqui no site, consigo dedicar, no máximo, 30 a 60 minutos por dia. E raramente de forma ininterrupta. Isso é muito pouco. Impossível criar algo de qualidade que poderia originar um bom livro ou um bom texto.

Mas deixarei registrado este exercício da escritora maravilhosa que foi Clarice Lispector. Quando a vida me presentear com mais tempo livre, tentarei começar por seu exemplo.

 

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2 Comments
  • Marcia Reis disse:

    Achei muito interessante este texto, justamente pelo exercício de escrita.
    Escrever é um desafio constante.

    Admiro vc por ter tamanha disciplina em manter um blog sempre ativo.

    Hug

    • Silvia Souza disse:

      Eu gostaria de ter muito mais tempo para escrever, Marcia…
      Tenho tantas ideias que vou anotando em um caderno, mas não consigo desenvolver.
      Quem sabe algum dia…
      Infelizmente, escrever não paga as contas…

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