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Conhecedores de livros (Conhecimento é poder)

Conhecedores de livros (Conhecimento é poder)
Conhecedores de livros (Conhecimento é poder)

Não sei se pelo fato de ter sido uma criança tímida ou se por gosto mesmo, quando recordo da minha infância, vejo sempre a imagem dos livros que me acompanhavam nas férias e feriados. Quando tinha que pedir um presente para alguém, minhas sugestões eram livros.

Eu morava em uma cidade do interior, onde não havia livraria como temos hoje em dia. Não havia compras virtuais. Eu frequentava bibliotecas onde escolhia meus livros, emprestava de amigos e assinava uma revista do Clube do Livro, que me dava o direito de escolher um dos títulos da revista por mês. Não eram muitas opções diferentes. E eu me contentava com o que houvesse disponível, desde que eu tivesse uma história diferente na qual pudesse mergulhar.

Com meus 10 anos, descobri os livros da Agatha Christie, aos quais me viciei. Fui lendo todos eles ao longo da minha adolescência. E fui evoluindo nos meus gostos literários, de acordo com os momentos de vida, idade e interesses.

Quando meus filhos passaram a ler sozinho, seguiam as orientações da escola para as escolhas de livros. Mas chegou um momento em que percebi que eles estavam muito desinteressados das leituras indicadas. Muitas vezes, devolviam os livros da biblioteca da escola sem que tivessem lido.

Passei a observar que o problema principal eram as escolhas da escola, com livros que não eram capazes de envolvê-los na história narrada. Passei eu mesma a buscar alternativas. E tentei estratégias e tipos diferentes de livros, até que encontrasse o que pudesse desenvolver neles o gosto pela leitura.

Assinei gibis da Turma da Mônica. Foram infalíveis para estimular as primeiras leituras. As histórias curtas, com ilustrações e frases simples facilitavam bastante a compreensão e o treino inicial. Eles liam todos os gibis que eram lançados mensalmente.

Depois busquei histórias que contivessem ação, mas que fossem possíveis de serem lidas integralmente em pouco tempo. Na época em que meu filho mais velho chegava a essa fase, saiu uma série de livros do personagem Zac Power. Fui comprando na sequência e ele lia cada livro em 1 ou 2 horas.

Adotando essas estratégias, consegui com que fossem, pouco a pouco, aderindo à magia dos livros. Hoje em dia, eles sempre carregam um livro consigo, que eles mesmos escolhem de acordo com interesse, indicação de amigos, sugestão minha ou do pai, leitura de resenhas.

E, a meu pedido, fizeram uma lista dos livros de que mais gostaram até hoje.

Espero que, nesse Dia das Crianças, possamos não apenas presentear com brinquedos, mas tentar dar a eles outros conhecimentos, para que participem de outros mundos; mundos imaginados pelos escritores, mas que possam ser recriados mentalmente pelas crianças. Com isso, desenvolverão a criatividade, a linguagem, vocabulário, vivências, permitindo que se tornem pessoas melhores para construir um mundo com chance de futuro.

Segue a lista dos meus filhos:

  1. Os livros das Aventuras da Turma do Gordo de João Carlos Marinho; o primeiro livro é ‘O Gênio do Crime’
  2. A série de ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’ de Douglas Adams
  3. ‘Os Três Mosqueteiros’ (adaptação) de Alexandre Dumas (ainda não leram a versão integral)
  4. ‘O Escaravelho do Diabo’ de Lúcia Machado de Almeida
  5. A série dos Gatos Guerreiros de Erin Hunter
  6. A Invenção de Hugo Cabret‘ de Brian Selznick
  7. ‘Frankenstein’ de Mary Shelley
  8. A Revolução dos Bichos’ de George Orwell
  9. ‘O Menino do Pijama Listrado’ de John Boyne
  10. Graphic Novels da Marvel

– Sílvia Souza

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16 Comments
  • mariel disse:

    Adorei a sua listinha (e a infância)

  • Sorte dos filhos que têm mães educadas.

  • laynnecris disse:

    Ótima contribuição! Minha filha morre de rir com os Mochileiros da Galáxia… <3

  • Sílvia, ótima idéia essa da listinha, vou guardar pra mim, meus pequenos são agarradinhos em livros, o mais velho escolhe levar livro pra escola no dia do brinquedo e um dia quero propor a eles fazerem a lista deles também! Quanto ao gosto literário, fantástico, com Frankenstein, Revolução dos bichos, Três Mosqueteiros e até o Escaravelho, que me trouxe um certo saudosismo, eles são uma promessa necessária de seres críticos, humanizados e de bom gosto! Parabéns, reflexo da criação, sem dúvida alguma.

    • Silvia Souza disse:

      Obrigada pelos comentários, Fran.
      Como mãe, acho que sou muito suspeita pra falar…
      Espero que você tenha razão.
      Beijo!

  • Bia Aguiar disse:

    Que bacana tua atitude, Silvia!
    Esse post me lembrou do primeiro livro que li inteiro quando criança, era um dos livros da coleção da Bruxa Onilda que aluguei na escola!
    Ler desde criança é essencial para um bom desenvolvimento intelectual do ser humano.
    Adorei o post!

    Um beijão, Silvia! Uma linda semana :**

  • Monica disse:

    Ler pelo simples prazer de ler. Sem figurinhas. Os efeitos especiais eram nossa imaginação: Monteiro Lobato. Também ensinava que a Democracia de Péricles da maneira mais natural possível. Aí meu filho nasceu e descobri com ele, muito tempo depois, que os super-heróis também nos ensinam as histórias do futuro. Aquelas que só conseguimos entender – por enquanto – pela ficção. Meu filho nasceu sabendo isso; a minha pretensa intelectualidade bloqueou esse aprendizado até ele quase virar homem.

    • Ter filhos é uma coisa incrível, não é?
      Não tenho certeza se ensinamos mais, se aprendemos mais ou se aprendemos junto com eles…
      Eu tento estar aberta às coisas incríveis que eles me ensinam todos os dias.
      Um lindo domingo!
      Beijo!

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