Saúde: Ginecomastia
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Batalha (ou amor)

Batalha (ou amor)
Batalha (ou amor)

Somos iguais. Portanto incompatíveis.

Nós nos amamos loucamente sabendo que haveria um final. Porque não sabemos amar simplesmente. Competimos. Afinal, somos iguais. Um dos dois dominaria, aprisionaria o outro e arrancaria seu coração. Não é maldade. Apenas o desfecho esperado para pessoas como nós. Eu sei. Não há necessidade de explicar. Somos caçadores solitários. Não desejamos o mal para nenhuma das nossas vítimas. É uma simples questão de sobrevivência e de instinto.

Seres como nós não costumam cruzar o caminho um do outro. Se isso acontece, olham-se com respeito e seguem trilhas opostas. Mas conosco foi diferente. Por que? A troca de olhares gerou faísca e desejo. E esse é outro dos nossos problemas: não sabemos controlar o desejo. Ao contrário, ele nos domina e define nossas ações. E do desejo era natural que viesse o amor; afinal, somos iguais. Era quase como se amássemos a nós próprios. As histórias eram diferentes, mas a alma selvagem era a mesma. Espírito que não pode ser domado ou contido. Tendemos a fazer o bem até o momento em que a fera acorda e parte em busca da próxima vítima. O amor foi sincero. Eu sei. O meu. O seu. O carinho das feras, deixando as marcas das garras, a ferrar a carne e a alma, querendo ser dono de quem não nasceu para ser posse, mas apenas para possuir.

Um dos dois sairia vencedor dessa briga silenciosa. Mas os dois sairiam profundamente feridos: vencido e vencedor. Porque o amor era sincero e sempre nos magoamos quando vemos sofrer aquele que amamos. E nossa mágoa é ainda maior quando sabemos que fomos o causador daquele sofrimento.

Eu sabia que iria perder. Desde o início eu soube. Estava mais cansada, brigando há mais tempo. Você estava treinado e tinha fôlego. Mas ainda não sei se perdi lutando até o final. Acho que não. Acho que entreguei os pontos antes de você acabar muito ferido. Acho que preferi ser vencida e sofrer essa derrota sabendo que você conseguiria se refazer mais rápido e voltar ao seu habitat, pronto para novos combates.

Não morri nessa batalha derradeira. Finalmente as feridas estão fechando. Os olhos já brilham à noite esperando a nova presa. A fera está de volta, pronta para partir sorrateira a defender seu domínio e, quem sabe, poder trocar olhares com você novamente, de respeito, amor e admiração.

– Sílvia Souza

 

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2 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Deve ser terrível amar tanto, que não pode conceber uma derrota sem condições. A história parece-me uma profunda sinceridade

    • Obrigada pelo comentário tão sensível, Carlos…
      Acho que amar nunca é terrível… Mas realmente faz com que fiquemos vulneráveis ao sofrimento. De qualquer forma, o ser amado não é nossa posse, não é mesmo?
      Mas sempre vale a pena…

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