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“Antes do Amanhecer” e “Antes do pôr-do-sol” (Filmes)

“Antes do Amanhecer” e “Antes do pôr-do-sol” (Filmes)
“Antes do Amanhecer” e “Antes do pôr-do-sol” (Filmes)

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** Contém spoilers

Assisti aos dois primeiros da trilogia.

Há atores figurantes nos dois filmes. Mas 99% do tempo, são apenas os diálogos entre os dois atores principais.

Eles estão em um trem.

Ele está sentado ao lado de um casal alemão, que começa a brigar.

Ele se levanta e se senta perto dela, do outro lado do corredor.

Ele faz um comentário sobre a briga e ela fala que não entende bem o alemão.

Acabam trocando algumas frases e ele a convida para irem ao vagão restaurante.

Começam a conversar, sem saber os nomes um do outro, nem detalhes do que fazem ou onde moram.

E começam a falar sobre o que pensam, o que esperam, no que acreditam.

E, sem nenhum passado, sem nenhum julgamento, começam a encontrar uma afinidade extrema.

Chegam a Viena e ele tem que desembarcar.

Ele corre e volta pra chamá-la para descer com ele e passar uma noite em Viena, sem hotel, apenas vagando pelas ruas.

Ela fica em dúvida, mas acaba aceitando.

Eles passeiam por Viena, andam, param em bares, na roda gigante. É lá que eles se beijam pela primeira vez.

Ela fala que vai sofrer no momento da despedida. Eles combinam que serão apenas aquelas horas e que nunca mais vão se ver.

Embora não concordem em tudo, eles se identificam.

Não tem jogo de sedução.

Apenas são eles mesmos, contando detalhes do que pensam, daquelas coisas mais escondidas, para alguém que não vai encontrar mais.

Em uma cena em um restaurante, eles confessam o que sentiram e o que acharam um do outro.

Eles conseguem uma garrafa de vinho e algumas taças (ele não tem mais dinheiro) e vão para um parque, já de madrugada, onde bebem, fazem amor e passam a noite. Ela resiste no início, porque acha que vai sofrer quando ele partir, mas eles estão muito envolvidos.

No dia seguinte, ele a leva para tomar o trem para Paris e ele pega um ônibus para o aeroporto.

Combinam de se encontrar em 6 meses, naquela mesma plataforma.

E o filme termina.

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Segundo filme.

Ele está na livraria Shakespeare Bookstore em Paris, lançando seu livro.

E a história do livro é justamente sobre as horas que passou com ela em Viena.

Quando a entrevista está acabando, ela aparece atrás de uma janela e sorri pra ele.
Ele sai pra falar com ela e quando começam a conversar é que se percebe que eles nunca mais tinham se visto.

Aos poucos, vão contando que se passaram 9 anos.

Ele esteve 6 meses depois em Viena, mas ela não foi porque a avó tinha morrido em Budapeste. E eles não sabiam os nomes completos um do outro, nem onde moravam, nem telefone… NADA!

Da mesma forma que no primeiro filme, eles saem a passear em Paris, nas poucas horas em que ele ficará na cidade e, apesar dos 9 anos distantes, eles se completam. Ele está casado e tem um filho de 4 anos. O casamento está um lixo, mas ele fica com a esposa apenas para ficar perto do filho. E se questiona se é bom para o filho crescer em um ambiente assim, sem amor, sem risadas, sem felicidade.

Ela nunca se casou e fala que nunca foi feliz. Que deixou de acreditar no amor romântico. Que ele, naquela noite em que passaram juntos, roubou a alma dela; ela não conseguia amar outros homens. Namorava, se relacionava, mas nunca mais tinha tido nada parecido com aquilo.

Eles saem de barco pelo Sena, e ele diz que tudo seria tão diferente se ela tivesse aparecido naquele dia. Como eles não tinham trocado telefones e endereços? Ele confessa que escreveu o livro numa tentativa de que ela lesse e soubesse que ele ainda se lembrava daquela noite.

Ele diz que no dia do casamento, a caminho da igreja, tinha tido uma visão dela, entrando em uma confeitaria na 13 com a Broadway em NY. E ela diz que morava na 11 com a Broadway (ela tinha ficado 2 anos em NY e ele morava lá também!!!).

E contou os sonhos que tinha com ela e que se sentia muito distante da esposa.

Ele vai com ela até o apartamento dela, já atrasado pra ir para o aeroporto. Lá, ele pede para que ela toque uma das músicas que ela compôs. Ela pega o violão e toca uma valsinha. E a valsinha é para ele, falando daquela noite que ela nunca esqueceu.

E ela fala que ele vai perder o avião e ele diz que sabe.

E o filme termina sem que ele vá embora.

O que me encantou é que não é uma questão de atração física, de uma paixão. Mas de duas pessoas que se mostram de verdade, sem vergonha de reconhecer fraquezas ou dúvidas ou coisas bobas. Que em poucas horas constroem algo que pode levar uma vida para ser construído ou que nunca será construído em um relacionamento.

É um amor que veio de algumas horas de convivência e durou aceso neles por 9 anos, sem nunca esquecerem, num desespero por acharem que nunca mais iriam se ver, em um remorso ou tristeza pelos anos que não passaram juntos…

Lindo, lindo!

 

 

– Sílvia Souza

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