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Amizade

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Eu imaginava que uma vez cometido um erro (algo que tenha sido identificado, pensado, analisado), não seria possível fazer algo semelhante novamente.

Mas percebo que não funciona assim. O cérebro prega peças e quando vejo, estou envolvida em novas ilusões. Ele capta algo de que não gostei, que me chateou ou magoou, e insere em um cenário que ele mesmo construiu e que só existe nos meus pensamentos.

É muito fácil isso acontecer sem que eu me dê conta. E a história pode ser tão complexa, que se torna quase impossível perceber o detalhe, a falha, que revela que não é real.

Tudo o que escrevi até agora parece sem sentido.

Vou tentar esclarecer.

Embora eu seja uma mulher forte, há momentos em que me canso e tenho uma tendência a me fazer de vítima das circunstâncias. Eu me envolvo em uma fantasia de que não sou digna da amizade de ninguém e vou me trancando em um mundo particular quase impenetrável. E se uma amiga simplesmente respeita esse isolamento e não me procura, construo essa realidade paralela que confirma minha ilusão. E eu me afasto cada vez mais, sem explicações. Mas o que gostaria, na verdade, seria procurar a amiga, explicar essa história e esclarecer toda a situação. O problema é que não consigo. Não é por orgulho, mas por falta de coragem.

Depois de já ter pensado nisso por muito tempo, depois de ter identificado as diferentes formas de analisar um mesmo fato, dependendo da forma como se olha, achava que isso jamais voltaria a acontecer.

E, mais uma vez, eu estava caindo nessa mesma armadilha, cega pela mesma ilusão, se não fosse a amizade, uma amizade dessas raras, em que as duas partes conversam sem terem que proferir um único som.

Estava chateada por algo dito de forma inocente, sem que houvesse o menor intuito de me atingir. Mas era algo sensível PARA MIM. Daquelas coisas que cutuca a ferida e faz doer. E eu tomei a minha própria dor como uma agressão. E me isolei no meu mundo, achando que eu era a vítima do mundo.

Ainda bem que eu achei a falha e a ilusão se revelou clara na minha frente. Nada daquilo existia senão pela minha percepção.

O cérebro é fantástico. Só queria que ele pregasse menos peças.

– Sílvia Souza

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5 Comments
  • Marcelo disse:

    Já estou sem falar com pessoas queridas há um bom tempo, pois tenho esta mesma sensação!
    E como já faz um bom tempo mesmo, resolvi que são do passado e é isso aí! Fazer?!
    Mal entendido ou não, toca o barquinho! :p

  • Silvia Souza disse:

    Mas não preciso deixar acontecer mais, né?
    Posso tentar manter minhas amizades daqui para a frente e procurar não cair mais nessas armadilhas da minha cabeça.
    🙂

  • M.Raydo disse:

    Isto me parece uma boa ideia! Tenho tentado mudar estas ideia fixas em mim também! Tudo por uma melhor convivência e consciências tranquilas! 🙂

  • Denérida disse:

    Ah! Como sofro disso! E assim os enganos vão se perpetuando…Às vezes, pareço estar naquele filme em que tudo se repete por causa de uma pequena falha, equívoco, introversão, autocobrança…O bom é saber que posso me levantar, meio cambaleando, persistir e tentar superar…Beijos.

    • Silvia Souza disse:

      Você sabe, Denérida, o certo seria a gente deixar de bobagem e aceitar os erros, falhas, equívocos, sem autopunição, sem tanto sentimento de culpa!
      A culpa é uma coisa horrível da nossa sociedade ocidental e faz com que fiquemos parados no mesmo lugar, ou pior, que a gente volte pra trás!
      Mas vou te dizer uma coisa (e você sabe disso!!!): você pode pedir ajuda e contar com algumas pessoas… e eu acho que sou uma delas!
      Beijo grande! Saudades!

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