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Afinal, o que nós queremos?

Afinal, o que nós queremos?
Afinal, o que nós queremos?

Uma das propostas de postagem coletiva do Projeto Vai um Café, idealizado e colocado em prática pela querida Beatriz Aguiar (que eu admiro muito) do Blog Since85, refere-se ao Dia Internacional da Mulher e às nossas aspirações.

Já escrevi outras vezes sobre as mulheres e minha visão de luta e desejo de igualdade entre os sexos.

Não acho que homens e mulheres sejam iguais. Nunca foram. Cada um tem suas habilidades maiores, características que tornaram um complementar ao outro, o que favoreceu a vida em comunidade e a evolução da espécie. Não há dúvidas de que o homem tem mais músculos e está mais apto a atividades que exijam força; seus hormônios trouxeram esse benefício. A mulher pode ter uma percepção mais aguçada para pequenos detalhes, ver objetos, distinguir nuances de cores; habilidades que também vieram com a evolução e sua ajuda na percepção do perigo e na análise dos ambientes. Somos diferentes.

Mas o fato de sermos diferentes não implica em que devamos ter direitos distintos do ponto de vista social ou de educação ou na vida doméstica.

Meu pai é uma das pessoas mais maravilhosas que eu conheço. É um homem inteligente, culto, que trabalha muito, carinhoso, dedicado, um excelente pai e excelente avô. Mas ele teve uma educação machista e veio de uma casa de 5 homens e apenas 1 mulher, que era a caçula. Sua visão era de que a mulher não deveria se expor a muitas situações. Ele não achava que a mulher era incapaz; mas tinha medo… achava que as mulheres seriam mais indefesas e corriam maiores riscos. Até acho que ele tem razão pelo fato de ainda vivermos em um mundo extremamente machista.

Meu pai teve 3 filhAs. E eu sou a mais velha. Ele achava inconcebível que eu fizesse Medicina ou que me mudasse para São Paulo para estudar. Eu não podia sair à noite se minha irmã não fosse comigo. E essas eram apenas uma pequena parte das restrições. Não era por mal. Era a visão dele.

Batalhei. Briguei. Passei no vestibular. Mudei para São Paulo e persegui meus sonhos. A cabeça dele foi mudando aos pouquinhos. Sei que hoje em dia, ele vê que não há restrições para as mulheres. E ele me apoia.

Acho que é isso que quero, de todos os homens. Um olhar diferente. Precisamos ser respeitadas, vistas como pessoas capazes de escolher o próprio caminho, que não haja visão sexista, a visão da mulher como objeto; que cessem as piadas machistas e que diminuem a mulher (loira ou não).

Não é pedir muito. Respeito não é um grande favor. Respeito e igualdade de direitos é o que permitirá nossas sociedades continuarem existindo.

É só isso o que quero… e seguirei batalhando.

– Sílvia Souza

 

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20 Comments
  • VIVIMETALIUN disse:

    Sabe como o mundo hoje está cada dia mas dificil de se adaptar seu pai teve muitas razões ao ser mais restrito,ele cuida do jeitinho dele por que ele sabe que ter uma filha mulher no mundo como esse é muito complicado,e claro as mulheres tem muitas qualidades que podem ser vista de longe. 😀

    http://vivimetaliun.blogspot.com.br/

    • Olá, Vivi!
      Eu concordo com você…
      Meu pai é uma pessoa extraordinária!
      Ele é muito preocupado e eu entendo isso hoje.
      Mas não podemos deixar de lutar pelo que queremos, não é?
      Beijo grande!

  • Xandy Xandy disse:

    Respeito e amor são o que as mulheres buscam e que quase nunca alcançam.
    Um grande beijo pra ti, Silvinha querida.

  • É o que queremos, respeito e igualdade. 🙂

  • Meu pai sempre foi muito machista, tradicionalista, cristão.
    Controlou todos os homens com quem minha irmã se relacionou, mas por eu ter seguido um caminho oposto a sua crença, nunca confiou o bastante em mim, a implicância muitas vezes me afastou da família.
    Mas hoje percebo que as intenções eram as melhores, e de certa forma ele passou a aceitar meu jeito, aceitou que nunca pedi opinião. Ainda me incomoda essa tristeza no olhar da familia. Fazer o que, né? Não nascemos para agradar a todos.
    Fico feliz por não ter me casado com um homem controlador, que é o caso da minhã irmã.
    Fico feliz por me sentir cada vez mais livre, por não ter me prendido a essas amarras.

    Respeito e igualdade para todas nós.

    • Concordo com você, Misa.
      Na verdade, é impossível agradar a todos. Se tentarmos, não estaremos nos respeitando.
      É engraçado como o comportamento controlador é aceito se vier do marido e visto com intolerância se vier da esposa. São essas pequenas coisinhas que me desagradam… e essa mudança de mentalidade é algo que demora muito para acontecer.
      Beijo!

  • Beatriz Aguiar disse:

    Poxa, parabéns pelo texto!
    Meu pai também é assim, não se tratando de faculdade, mas para ele eu sei que muitas coisas colocam a mulher como um ser que precisa do homem para sobreviver, sabe?
    Que “é feio” algumas situações em que a mulher pode comprometer sua moral, entre outras coisas. O pior mesmo não são eles, mas os jovens de hoje em dia que seguem machistas, tratando as mulheres apenas como objeto do seu prazer. Isso sim é o mais bizarro.
    Parabéns pelo texto e fico agradecida pela admiração. ♥
    Tava com saudades de passar por aqui!

    Um beijo enorme, Silvia! E mais uma vez, parabéns pelas tuas conquistas!

    • Oi, Bia!
      É muito bom ver que passou por aqui…
      Olha, eu que estou um pouco mais distante dessa geração atual (e ao mesmo tempo, tenho meus filhos na adolescência e muitos pacientes jovens), tenho ficado um pouco confusa… e acho que eles também. Mesmo as meninas, que misturam a definição de “Liberdade” com uma aceitação de vulgarização, exageros, exposição…
      Beijo grande!

  • Christine Oliveira disse:

    Nossa, sei exatamente o que é ter um pai machista que olha a mulher com uma série de restrições. Eu aprendi a não entrar em algumas celeumas, até por questão de saúde mental. parabéns, por ter conseguido perseguir e atingir teus objetivos, mesmo contra a vontade do teu pai. bjks

  • Amanda Hillerman disse:

    Gostei tanto do seu texto Sílvia. Vim de uma família de mulheres que sempre saíram para fazerem o que querem, minha avó fugiu do interior pro RJ para viver a vida que ela queria, minha mãe foi da primeira turma de mulheres da Marinha e eu sai de casa aos 17 para estudar sozinha em outra cidade. Ver todo esse retrocesso machista dói demais, com sorte continuaremos a batalhar, brigar e conseguir nosso espaço. Afinal o respeito já é nosso por direito!
    Beijos e parabéns por todas suas conquistas e por passar adiante sua história!
    Blog Amanda Hillerman

    • Olá, Amanda!
      Que incrível sua história e da sua família! Uma família de mulheres fortes e decididas!
      É para se orgulhar.
      Acredito que conseguiremos mais respeito e igualdade… O problema é que tudo vai tão devagar…
      Beijo grande!

  • Paloma Silva disse:

    Não tenho pai, cresci com minha mãe e irmã. Minha mãe é a mulher mais guerreira que eu conheço na vida e ela me ensinou a não ser super dependente de ninguém. Precisamos das pessoas, de ajuda, mas não devemos nos boicotar. Enfim, o mais engraçado é que sem ter homem nenhum em casa, essa coisa machista seeempre esteve presente por parte de outras pessoas. Parece que sempre tem que ter um homem! kkkkkkkk Essa vida é engraçada às vezes, né?

    beijoss

    • É isso mesmo, Paloma… Essa mentalidade ainda persiste…
      Quando me separei, ficava todo mundo esperando que eu me casasse de novo logo, porque tinha que ter um homem cuidando de mim…
      Isso me incomoda bastante.
      O bom é que sua mãe deve ter sido um grande exemplo para que você confie sempre em você.
      Beijo grande!

  • Anas há muitas disse:

    Gosto tanto do que escreves. És uma pessoa sábia

    • Obrigada, Ana!
      Fico feliz que goste… Não acho que eu seja sábia… Gostaria de sê-lo, mas ainda não cheguei a esse ponto.
      Acho que tenho tentado aprender com cada evento da minha vida, bons e ruins… olhar para tudo com mais resiliência e paciência. Nem sempre é fácil.
      Um beijo grande e uma ótima semana!

  • […] do Projeto Vai um Café para o mês de Março. Uma delas foi sobre o Dia Internacional da Mulher (Afinal, o que queremos?). A outra é sobre mudança; qualquer tipo de mudança. Acho que eu teria várias histórias para […]

  • […] do Projeto Vai um Café para o mês de Março. Uma delas foi sobre o Dia Internacional da Mulher (Afinal, o que queremos?). A outra é sobre mudança; qualquer tipo de mudança. Acho que eu teria várias histórias para […]

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