O amor verdadeiro
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A solidão em todos nós

Colaboração
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A solidão em todos nós
A solidão em todos nós

Há um tema sempre recorrente nas minhas reflexões e em diálogos com pessoas próximas: as relações entre as pessoas e o quanto vale a pena estarmos cercados de amigos ou termos um amor apenas para evitar a solidão.

Eu sei que muitos fazem isso, porque abominam a possibilidade de ficarem sozinhos. Acho que a maioria tem medo da solidão porque tem medo de olhar para dentro de si mesmo; nem sempre é agradável o que vemos, em especial se nunca paramos efetivamente para analisar quem somos, o que queremos e qual é o sentido de cada uma das nossas atitudes.

Eu sofri muito com a solidão. Custou-me aceitá-la e aprender a extrair dela ensinamentos para minha vida e para que eu me tornasse uma pessoa melhor. Antes disso, eu fazia de tudo para me cercar de pessoas e tentava fazer o que estivesse ao meu alcance para agradar os outros apenas para evitar ficar só. Mas quando fazia isso, acabava preenchida pela sensação incômoda de desrespeito por mim mesma; e se eu não tinha respeito por mim, como poderia esperar que outros tivessem?

Passei a perceber que uma amizade verdadeira ou um amor verdadeiro não deveria exigir tamanho esforço e eu não deveria ser obrigada a “pagar” para ter alguém perto de mim. Parece uma coisa tão óbvia, não é? Mas nem sempre é fácil perceber que esse processo está acontecendo. Tudo se passa no subconsciente, no mais profundo de nós mesmos.

Foi difícil, mas quebrei esse padrão. Aceitei a solidão e aprendi a olhar para mim mesma e analisar como sou, do que gosto, o que quero, quais são meus valores reais e meus objetivos de vida. Percebi que a solidão é parte de quem somos; nascemos sozinhos e morreremos sozinhos e ninguém nos ajuda efetivamente nesses dois momentos cruciais da nossa vida. E se não nos preparamos, aprendendo a viver só, o momento da morte pode ser muito doloroso e desesperador.

Caso eu encontre alguém para ser meu parceiro nos anos que se seguem, não deverá ser qualquer “alguém” apenas para acalmar minhas carências ou “alguém” cheio de carências próprias e que queria dividi-las. Quero uma pessoa completa, que saiba lidar com seus próprios problemas, que já tenha olhado para dentro de si mesmo, que conviva bem com sua solidão, e que queira dividir momentos, alegrias, tristezas… compartilhar, estar junto, aprendendo a respeitar o momento individual do outro.

Sei que muitas pessoas não concordam comigo. Sei que existem aqueles que me acham muito isolada do mundo, porque não aceito as relações superficiais, as falsidades e as conversas fúteis. Sei que o mundo é assim. E, por isto, existem aqueles que acham que eu deveria ser um pouco mais flexível para poder “me enquadrar”. Eu cansei de tentar me enquadrar. Se eu tiver que aceitar tudo isso para pertencer ao mundo de forma completa, então, prefiro ser sempre uma outlier.

Prefiro ficar só ou, sendo autêntica, acabar encontrando outras pessoas isoladas e que se pareçam comigo. Quem sabe poderei ter meu próprio grupo, minha própria comunidade. Mas sendo sempre eu mesma.

 

 

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2 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Ola Silvia. Hoxe vim uma pomba enriba de un teito vecinho. Ela brincaba sozinha, aleteaba hasta encaramarse no alto de la antena. E de novo deixabase caer. Eu sęi que fico viuva fai poucos días. Acostumaban as duas a picotear na herba do meu jardim. E a imagen fixo que pensara en voçe. Embora sozinha sempre disposta a continuar adiante. Um beijo.

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