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“A legião estrangeira” #5: “O ovo e a galinha”

“A legião estrangeira” #5: “O ovo e a galinha”
“A legião estrangeira” #5: “O ovo e a galinha”

Esta publicação faz parte do Projeto Clarice Lispector, idealizado pela Marcia Cogitare do Blog Surtos Literários. Ela me convidou para ler em conjunto com ela o livro “Todos os Contos” de Clarice Lispector, publicado pela Editora Rocco. Este é o quinto conto originalmente publicado no livro “A legião estrangeira”. Se eu tinha tido dificuldade em comentar o conto “A mensagem”, este será absolutamente impossível, porque não consegui compreender qual era o intuito da Clarice ao escrever este conto sobre o “ovo”. No mínimo, é uma coisa insólita. São cerca de 10 páginas falando sobre o ovo; em alguns parágrafos, ela fala sobre a galinha, mas é basicamente sobre o ovo. Quem tiver uma ideia do intuito deste conto, adoraria saber.

O início:

De manhã na cozinha sobre a mesa vejo o ovo.

Olho o ovo com um só olhar. Imediatamente percebo que não se pode estar vendo um ovo. Ver um ovo nunca se mantém no presente: mal vejo um ovo e já se torna ter visto um ovo há três milênios. – No próprio instante de se ver o ovo ele é a lembrança de um ovo. – Só vê o ovo quem já o tiver visto. – Ao ver o ovo é tarde demais: ovo visto, ovo perdido. – Ver o ovo é a promessa de um dia chegar a ver o ovo. – Olhar curto e indivisível; se é que há pensamento; não há; há o ovo. – Olhar é o necessário instrumento que, depois de usado, jogarei fora. Ficarei com o ovo. – O ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe.

E segue nesta mesma linha…

Quem puder, me explique, por favor…

 

 

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14 Comments
  • Carlos disse:

    Olá Silvia, eu acho que eu encontrei a chave para esta reflexão:
    De Manhã na cozinha para Vejo ou mesa ovo. Ainda meio adormecido, vejo que reconhece um ovo, se eu não tinha visto calquer ovo. Ver algo traz à mente a memória que é algo. E ele imediatamente perdido de vista. Milro um ovo apenas uma vez. E eu sei que eu verei outro ovo, porque eu vou ficar com a imagem do ovo, mas a memória individual do ovo da mesa não existe.
    Olhando para aprender a reconhecer. É um jogo?

    • Silvia Souza disse:

      É interessante essa sua reflexão, Carlos…
      Na verdade a vida da gente deveria passar o tempo todo por esse tipo de observação, mudando nossa forma de olhar e de repensar tudo à nossa volta. Não acha?
      Beijo!

  • Carlos disse:

    Por dias eu não receber notificações das suas novas publicações. Um abraço

  • Acho que é um exercício de escrita e observação publicado, uma anotação, uma tiração com ela, conosco e, claro, com o ovo. Quem nasceu antes, Clarisse ou a galinha?

    • Silvia Souza disse:

      No fundo, talvez haja mesmo um significado nesta brincadeira proposta no conto…
      Confesso que não sei bem colocar em palavras… talvez apenas uma mudança em nossa forma de olhar para as coisas…
      O que acha?

  • Silvia, este conto me lembrou muito o romance A Paixão segundo GH, a barata como algo primitivo, penso que o ovo representa a mesma coisa no conto.
    Força ai e não jogue a toalha ainda

    Hug

    • Silvia Souza disse:

      Continuo firme e forte… mas confesse que esse livro “A legião estrangeira” não tem me agradado particularmente… assim como não gostei de “A paixão segundo G.H.”.
      Eu preciso sentir que a leitura consegue captar minha alma. Não sei se dá pra entender…
      Beijo grande!

  • jo1cres disse:

    José Olavo disse:
    Boa noite Sílvia
    Quando você diz:-
    No fundo, talvez haja mesmo um significado nesta brincadeira proposta no conto,
    você não estaria mencionando os três significados que talvez tenha se almejado alcançar de
    ovo no conto: ovo físico, ovo nascimento e ovo preservação da espécie.
    Da forma mencionada vejo razão e lógica no conto.
    Um abraço

  • jo1cres disse:

    Boa noite Sílvia
    Quando você diz:-
    No fundo, talvez haja mesmo um significado nesta brincadeira proposta no conto,
    você não estaria mencionando os três significados que talvez tenha se almejado alcançar de
    ovo no conto: ovo físico, ovo nascimento e ovo preservação da espécie.
    Da forma mencionada vejo razão e lógica no conto.
    Um abraço

    • Silvia Souza disse:

      Olá, José Olavo!
      Gostei muito da sua colocação. Eu não tinha conseguido extrair um significado para o conto.
      Sou uma grande admiradora da Clarice Lispector. Mas existem algumas obras ou contos que não consigo entender bem.
      Confesso que também tive grande dificuldade para ler o livro “A paixão segundo G.H.”. São escritos repetitivos e cujos significados não me ficaram claros.
      Foi uma limitação minha.
      Obrigada pelo seu comentário. Foi de grande ajuda.
      Abraço!

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