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“A legião estrangeira” #4: “Macacos”

“A legião estrangeira” #4: “Macacos”
“A legião estrangeira” #4: “Macacos”

Este é o quarto conto do livro “A legião estrangeira”, que faz parte da reunião de “Todos os Contos” de Clarice Lispector, uma obra da Editora Rocco organizada por Benjamin Moser. A sugestão do comentário de cada um dos contos desta escritora fantástica partiu de Marcia Cogitare, do Blog Surtos Literários.

Este conto é extremamente curto; são apenas 3 páginas. Eu me pergunto em alguns destes contos se eles são baseados em alguma história pessoal, autobiográfica da Clarice. Este, em especial, parece algo assim. É como alguém que está contando um fato de sua própria vida para alguém. E neste caso, diz respeito à sua experiência com animais de estimação que, no conto, referem-se aos macacos.

O conto tem início com a descrição com um macaco (mico) que ela teve e que a incomodava muito. Seu filho percebia o desejo da mãe em se ver livre do animal, até que isso de fato aconteceu.

Uma amiga entendeu de que amargura era feita a minha aceitação, de que crimes se alimentava meu ar sonhador, e rudemente me salvou: meninos de morro apareceram numa zoada feliz, levaram o homem que ria, e no desvitalizado Ano-Novo eu pelo menos ganhei uma casa sem macaco.

Mas no ano seguinte, a mulher se deparou com uma pessoa vendendo animais silvestres em Copacabana e, numa tentativa de dar alegria aos filhos, ela comprou uma macaquinha chamada Lisette.

Quase cabia na mão. Tinha saia, brincos, colar e pulseira de baiana. E um ar de imigrante que ainda desembarca com o traje típico de sua terra. De imigrante também eram os olhos redondos.

Eles ficaram com a macaquinha por três dias; depois desse tempo, ela adoeceu e morreu, mesmo que eles tivessem tentado levá-la a um hospital veterinário.

“Não se compra macaco na rua”, censurou-me ele abanando a cabeça, “às vezes já vem doente”.

Não senti nenhuma mensagem no conto, além do amor da mulher e dos filhos pela macaquinha que morreu apesar das tentativas feitas para salvá-la. Mas fiquei imaginando o sofrimento destes bichinhos silvestres que ainda são capturados para serem vendidos de forma ilegal, em um tráfico que estimula o crime e a extinção destes pequenos animais. Talvez eles não venham doentes, mas adoeçam no contato com as pessoas, nos maus tratos, na exploração, prisão, tristeza. Acho que não se passa um único dia sem que eu me choque com as atitudes cruéis de algumas pessoas.

 

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