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A impermanência dos sonhos

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A impermanência dos sonhos
A impermanência dos sonhos

O que é a nossa vida? Agora estou aqui. E daqui a um dia? Impossível saber.

Quantas vezes fazemos planos de futuro, muitas vezes de um futuro distante, e passamos a viver de um sonho que poderá nunca se concretizar.

Quem efetivamente vive o agora? Quem realmente pensa em ser feliz neste exato minuto? Em fazer o bem no momento presente?

Em março, meu cunhado de 52 anos teve uma infecção fulminante e morreu em apenas 7 horas. Ele era apaixonado pela vida; alegre, otimista, sempre prestativo.

Há poucos dias, uma médica jovem, quase 20 anos mais nova do que eu, apenas iniciando sua vida, teve um bichinho comum, mas que resolveu morar no músculo do seu coração. E este, mesmo jovem, não soube derrotar o bichinho. A jovem médica partiu deste mundo sem chances de se despedir.

Nesta semana, não foi uma perda, mas um susto. E peço a proteção de todas as boas energias para que a recuperação aconteça e seja rápida. Uma colega de faculdade teve uma hepatite fulminante, assim sem mais nem menos. Não foi vírus nem bactéria. O fígado simplesmente resolveu não funcionar mais. Cresceu e adoeceu. Entrou na fila do transplante e se submeteu a uma cirurgia de urgência. Agora, muitos estão na torcida para que ela se recupere, sem rejeitar o fígado doado por alguém que não precisava mais dele. Ela que sempre trabalhou muito, deu seu amor materno a uma criança que não nasceu de seu útero e demonstrou suas inúmeras qualidades.

E sei que estes eventos podem ser citados de forma inesgotável. Quantos não partem deste mundo sem um aviso prévio… Quantos não vivem sustos e surpresas e, de uma hora para outra, passam por mudanças abruptas em suas vidas…

São duas grandes verdades que deveriam ser lembradas todos os dias: tudo é impermanente e a morte não chega com a hora marcada.

Por que insisto em sofrer por pequenas coisas? Por que irritar-se se o farol quebrou e os carros não andam? De que me serve ser o primeiro a desembarcar do avião? Ser o mais rico da turma e viver infeliz? Qual a vantagem de sofrer por inveja, por ciúme, por raiva?

Independente da crença religiosa e do tamanho da fé de cada um, não aceito a ideia de deixar para corrigir os erros em uma próxima vida. Existe mesmo uma próxima vida? Caso exista, ou caso exista algo depois da morte, devemos deixar para “viver” depois de morrermos? Na minha opinião, devemos corrigir nossos erros aqui e agora.

Quero dizer o quanto amo as pessoas à minha volta. Quero pedir desculpas pelas minhas falhas. Quero desculpar qualquer um que tenha tentado me magoar. Quero olhar para o céu e admirar o azul, as nuvens, o Sol, a Lua e as estrelas. Quero ter a capacidade de admirar cada flor que desabrocha, cada beija-flor que surgir na minha frente, cada sorriso gratuito que me for oferecido.

Minha pretensão é de poder manter tranquilidade e sentimento de dever cumprido quando chegar o momento solitário da minha partida deste mundo.

E, no momento presente, minhas preces são por aqueles que tiveram que se despedir de alguém que partiu; por aqueles que foram surpreendidos e tiveram seus sonhos, desejos e possibilidades modificados pela impermanência, com mudanças súbitas em suas vidas; por aqueles que esperam melhoras, novas esperanças e a chance de construir novos sonhos.

 

 

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9 Comments
  • Leandro Tissiano disse:

    Eu amo quando você se expressa de uma forma tão transparente e tão verdadeira, sem ser rude, mesmo dizendo palavras carregadas de verdade, são tocantes. Que bom ter você reservando um tempo aqui. Bj

    • Olá, Leandro!
      Tudo bem? Obrigada por passar pra deixar essas palavras aqui…
      Eu tenho minhas fases… Às vezes, acho que estou mais fechada em mim mesma… Outras vezes, preciso desabafar o que está dentro de mim.
      Mas confesso que ando um pouco cansada e desanimada…
      Coisas da vida…
      São comentários como os seus que me estimulam um pouco…
      Beijo grande!

  • Lari Reis disse:

    Boa reflexão!
    Enviando energias positivas para sua colega, que ela se recupere logo!

  • claudio kambami disse:

    E ai paramos e refletimos diria quase que identicamente, mas com uma pequena distancia que não saberia dar fundamentação por momento.
    Sim, somos todos um grande organismo, mas de um ângulo da visão, estamos aqui para sermos filtrados, quase como dizer que os mais fortes sobrevivem para dar lugar a uma nova e mais “evoluída” civilização. Hoje já com a memória meio embaralhada não saberia afirmar quem pensava assim se Darwin ou Lamarck, aliás nem mais me importo com eles.
    Paro, olho para um lado e para o outro e não consigo de fato entender esse tipo de visão que acabei de te descrever.
    Mas também sei que não podemos fazer o caminho sugerido pelo Ho’oponopono, pois acredito eu que não se encaixa na sociedade que adotamos. Para tanto é necessário antes abandoná-la e ai a pergunta, como? Fazendo o que? Com que direito, quando temos já filhos e família?
    Admirar a natureza e tudo que acho belo é fácil, meus olhos estão preparados para perceber isso seja em terra ou no céu, mas ao mesmo tempo me preocupo com tudo a minha volta. Não posso viver de sonho, não posso ajudar a todos, não posso relaxar sabendo que ao meu entorno existem hienas famintas em destroçar.
    Sabes que meu plano sempre foi Portugal, mas nessa semana recebemos uma carta da Itália com detalhes que aqui não tenho como comentar. Pergunto o que faço com o sonho? Adapto ele para lá?
    Nada contra os italianos, muito pelo contrário, adoro aquele país, mas planos são planos.
    Estamos assim, pensando, enquanto a solução não vem. Beijos! <3 🙂

    • Olá, Claudio!
      Estava com saudades dos seus comentários… Se quiser, se ajudar, você sabe que sempre pode me escrever, não é? Até fiquei com vontade de trocar algumas ideias com você, mas imaginei que deveria estar super ocupado.
      Você não acha que nossos sonhos, mesmo sendo especiais, amados, cultivados com carinho, não podem (e devem) ir se ajustando à realidade em que vivemos?
      Confesso para você que meus sonhos têm se tornado cada vez mais rarefeitos… talvez chegue o dia em que eles não existam mais…
      Beijo!

  • Carlos Moya disse:

    Às vezes você colocar o dedo na ferida e dá muito que pensar. Viver a vida sem procurar deixar mais vestígios do essencial. Ajudando loa que estão mais próximos e receber muita felicidade fazendo algo bom para os outros. E rezar para que após o dia da nossa partida que alguém se lembre de nós com um sorriso. Um beijo.

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