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Autonomia na adolescência

Auto estima
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Autonomia na adolescência
Autonomia na adolescência

A adolescência atinge seu auge por volta dos 15 anos, pouco mais ou menos. Os jovens querem autonomia e independência, querem experimentar coisas novas, compartilhar as vivências com os amigos; os pais perdem importância, assim como os irmãos mais novos.

Eles passam a desenvolver o próprio gosto musical, os filmes que mais agradam, as roupas que querem no guarda-roupas… e tudo isso é altamente dependente das preferências dos colegas, do grupo, daqueles com quem eles conversam sobre o cotidiano.

Isso está acontecendo com meu filho mais velho. Exatamente isso. E fico muito feliz pelo fato de que ele goste de dividir comigo essas novas descobertas, as coisas que ele conheceu com amigos, mas faz questão que eu saiba, que eu veja, que eu escute, que eu dê risada das coisas que ele achou engraçadas.

E eu me lembro como se fosse ontem de quando eu passei por essa mesma fase, essas mesmas descobertas, a diversão em grupo que parecia muito melhor do que meus momentos em casa, o aborrecimento de ter que almoçar todos os domingos na casa dos meus avós, em outra cidade, e não podia encontrar meus amigos.

Muitas coisas podem ter mudado. Mas as transformações pelas quais os adolescentes passam por volta dos seus 15 anos (pouco mais ou menos) são as mesmas.

Eu acho que tenho conseguido conviver com essas mudanças no meu filho… principalmente porque penso em mim, 30 anos atrás, e sei exatamente como me sentia. Consigo trazer as mesmas sensações e desejos apenas por reacender a memória, colocar uma música de que eu gostava ou sentir um cheiro que me remeta àquela época.

O que muda em mim e, nesse aspecto, ainda estou um pouco desorientada é o fato de, esse momento, também ser uma fase de tantas exigências na escola e no aprendizado. Esses anos da vida do adolescente são aqueles em que ele tem que viver todas essas novas experiências e ainda tem que decidir a profissão, ter bom desempenho escolar, pensar no futuro (sendo que ele não consegue pensar em si mesmo além de 3 a 5 anos) e preparar-se para o vestibular.

Eu sempre fui uma boa aluna. Era a melhor aluna do colégio. E, ainda assim, houve momentos de não querer estudar, de me desinteressar das matérias, de tirar nota vermelha porque já tinha fechado as notas e não queria mais fazer algo além de tomar sol e bater papo com as amigas.

Mas agora sou mãe. E aí? Tenho que obrigar meu filho a passar as tardes estudando e lendo livros nem sempre interessantes? Ou posso confiar nele e permitir que ele desenvolva a própria autonomia para estabelecer seus horários de estudo, desde que ele se mantenha consciente das decisões que terá que tomar no futuro e que dependem das atitudes do momento atual?

Não acredito que haja uma resposta. Provavelmente depende do perfil de cada filho, de cada pai, de cada plano de futuro. Mas eu tenho uma grande tendência de confiar em sua responsabilidade e na forma como eu o orientei até agora para que saiba traçar sua vida.

– Sílvia Souza

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11 Comments
  • Lari Reis disse:

    Que bacana esse post, Silvia!
    Ao longo da minha vida, já sonhei em ter filhos e depois, mais recentemente, passei a questionar a “validade” desse sonho, dadas as circunstâncias e dificuldades do mundo. Uma questão pessoal ainda nada resolvida… Independente disso, sempre pensei em como seria lidar com um filho nesse mundo de agora. Rever esses momentos de descoberta, lidar com os novos desafios e com as diferenças entre meus filhos e eu. Inclusive nessa questão da escola. Eu adorava estudar e ainda adoro aprender. Ninguém nunca precisou me cobrar, então acho que teria dúvidas similares às suas. Hoje, ainda, vejo que o ensino é muito falho, mesmo nas escolas particulares, porque não evoluiu muito. Há quem estude em casa e foi ainda essa semana que eu pensava nessa possibilidade. Nem sei se é muito comum no Brasil e se eu teria condições de bancar isso… Enfim, estava divagando sobre o futuro dos filhos que nem sei se terei :p

    • Oi, Lari!
      Que bom que gostou!
      Você é nova… ainda tem tempo para pensar sobre ter filhos ou não. Passei muitos anos da minha vida, mesmo depois de casada, não incluindo filhos nos meus planos. Até que deu um estalo e achei que seria uma coisa boa. Realmente, são muitas coisas a considerar. Não deve ser em um impulso.
      Sobre a educação em casa, aqui no Brasil, esse tipo de ensino não é permitido por lei. O que eu acho um absurdo! Se ao menos o Governo disponibilizasse uma educação de nível, com boa infraestrutura e professores, ainda vai… Mas não é o caso.
      E realmente a educação precisa passar por uma transformação radical. O ensino é engessado e o mundo mudou demais!
      Vou indicar um outro video do TED, com Sir Ken Robinson abordando exatamente isso. Vale a pena assistir…
      Beijo grande!

      https://youtu.be/kFMZrEABdw4?list=FLJWj07Vj62lxKBeHPFSO8rw

      • Lari Reis disse:

        Olha, nem sabia que a educação em casa não era permitida por aqui. Que coisa!! Assistirei ao vídeo em breve 🙂

        • Depois me conta se gostou…
          Estou enchendo demais você de vídeos?

          • Lari Reis disse:

            Não está não! Eu que ando correndo demais esses tempos e, às vezes, demora um pouquinho para que eu consiga assistir com calma. Mas vai! haha

          • Lari Reis disse:

            Finalmente, assisti! E achei bem oportuno me deparar com a citação de Abraham Lincoln em um dia como hoje. Ademais, a palestra é leve e inspiradora. A metáfora explicando a necessidade de mudança do sistema industrial para a agricultura é bastante interessante, clara. Só me aborrece pensar o quão distante estamos de, sequer, começar a avaliar a possibilidade de colocar a mudança em prática. Ainda falamos de reformas e, como ele disse, reformas não bastam. Nosso ensino precisa de uma revolução.

          • Pois é… isso me desanima…
            O duro é que por aqui nem mesmo o ensino tradicional de qualidade está nas escolas… quanto levará para que se adote uma mudança completa na forma de ensinar???

          • Lari Reis disse:

            Fiquei pensando que não temos organização suficiente para isso… Complicado. Espero que as lideranças da causa não desistam, hehe.

          • A gente vai vivendo de esperanças…

  • Jamile Silva disse:

    Passei por essa fase não tem muito tempo, e ao ler suas palavras, me lembro como se fosse hoje.
    É importantíssima essa confiança que está depositando em seu filho, pois acredito que o maior medo dos pais seja justamente ver seu pequeno se afastar, e com confiança, só tende a trazê-lo para mais perto de ti.

    • Olá, Jamile!
      Obrigada por deixar seu comentário… isso ajuda a que eu me sinta mais confiante com as minhas atitudes como mãe.
      Todos os pais (imagino) tentam acertar; mas não é fácil…
      Beijo grande!

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