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O ninho vazio

O ninho vazio
O ninho vazio

Não falta muito para que um deles parta em busca do seu próprio caminho. É assim que deve ser. Meu papel nunca foi prendê-lo, cortar as penas das asas, acorrentá-lo na cama, chantageá-lo dizendo que o mundo é perigoso e ele não está preparado.

Meu papel é justamente o de abrir a porta para que ele se vá e, mesmo com o coração apertado, saber que ele está pronto para enfrentar o que vier pela frente.

Se eu quero que ele vá? É claro que não! Qual é a mãe que quer que o filho saia de perto de si?

Mas eu sei que é parte da vida, do amadurecimento, de desenvolver a responsabilidade, de assumir as escolhas e os arrependimentos que as acompanham.

Se eu o amo tanto e quero seu bem acima de tudo, não é isso que eu devo desejar? Que ele lute pelos seus sonhos, que desbrave seu caminho, que se orgulhe pelas suas próprias conquistas.

Se eu o amo tanto, eu quero que ele ganhe o mundo, viaje, conheça, pesquise, encante-se, emocione-se, ria e chore, viva o que houver de vida para viver.

Ele sempre saberá que estarei aqui, sofrendo as minhas saudades, torcendo por ele, temendo pelos perigos existentes no mundo, vibrando por cada conquista. Ele saberá que será sempre recebido pelo meu abraço, que vai sempre deitar no meu colo, receber cafuné, infinitos beijos e poderá acariciar meus cabelos. Ele saberá que entenderei os silêncios, os medos, as lágrimas, as fraquezas, as quedas, o medo de recomeçar.

Estarei pronta a escutar os lamentos e a segurar sua mão para ajudar a erguê-lo quando ele sentir que está pronto para retomar a batalha.

Estarei com ele em cada passo que ele der, porque sei que terei deixado muito de mim naquilo que ele se tornou.

A mim, caberá aprender a viver sem ele quando ele partir desbravando o próprio caminho; aprender a aguardar os telefonemas que podem demorar a chegar; aprender a não deixar a saudade me imobilizar; aprender a construir uma vida só minha, independente da vida dele, porque eu soube ensiná-lo a caminhar sozinho.

Sentarei para ver as fotos antigas e conseguirei ver a mesma carinha, os mesmo olhos azuis sérios, os mesmo traços. Para todas as pessoas, ele terá crescido e terá se tornado um homem. Para mim, ele será a mesma criança que segurei no colo por tantas noites, para quem dei as mãos para ajudar nos primeiros passos, a quem ensinei as cores, os números, os animais, as letras, as palavras, as formas.

Estarei com ele sempre, haja o que houver.

– Sílvia Souza

 

 

 

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