5.11.2016
"Nature morte" de Marc Chagall (1912)

“Nature morte” de Marc Chagall (1912)

 

Dando continuidade ao Projeto Clarice Lispector, idealizado pela Márcia Cogitare do Blog Surtos Literários, vou comentar o oitavo conto, ainda na primeira parte do livro. Leiam também a publicação da Márcia, clicando aqui.

Confesso que terei muita dificuldade de comentar este conto; simplesmente porque não encontrei um sentido real para ele nem consegui dar uma explicação particular além do que ele é. Ele é composto por 5 cartas escritas por uma mulher, Idalina, a um homem, José (mas a quem ela prefere chamar de Hermengardo, porque ela gosta desse nome). Ela o chama por “Querido”, mas eles não se conhecem. Ele é um amor platônico, um homem que ela vê de sua janela:

De minha janela enxerguei-te debruçado à tua. Não me olhaste e parece mesmo que não me conheces ainda.

Ela escreve as cartas para ele, sem intenção de enviá-las. São como um diário destinado a alguém desconhecido.

E sinto-me tão agradecida e feliz que é mesmo possível que eu te mande um dia todas as cartas que te escrevi.

Ela tenta manter uma crença em Deus e ser grata pelas coisas boas que lhe acontece, mas, como qualquer ser humano, ela demonstra seus momentos de irritação, que tenta conter forçando-se a olhar para as coisas boas que tem na vida.

Quer dizer que o mal me invadiu e alagou todos os meus caminhos claros. Nem tu, teu nome me salvarão agora. Mas eu tenho confiança Nele e na sua compreensão absoluta.

Ela usa as cartas para suas reflexões íntimas, para tentar justificar seus desejos, suas paixões e perdoar-se a si mesma.

Talvez pela consciência tardia de que nós somos a única presença que não nos deixará até a morte. E é por isso que nós amamos e nos buscamos a nós mesmos. (…)

E tudo isso que eu estou dizendo é apenas um preâmbulo qualquer que justifique meu gosto de te dar tantos conselhos. Porque dar conselhos é de novo falar de si. E cá estou eu…

 

 

 

  Dando continuidade ao Projeto Clarice Lispector, idealizado pela Márcia Cogitare do Blog Surtos Literários, vou comentar o oitavo conto, ainda na primeira parte do livro. Leiam também a publicação da Márcia, clicando aqui. Confesso que terei muita dificuldade de comentar este conto; simplesmente porque não encontrei um sentido real para ele nem consegui dar […]


  • Marcia Cogitare

    Oi Silvia, você diz em sua resenha que não compreendeu o sentido deste conto.
    Minha interpretação particular, é que Idalina/Clarice devido a solidão e de seu mundo interior ser muito frenético, esta tenta dar vazão através da ferramenta escrita. Então ela inventa um interlocutor que por uma série de razões ela não pode interpelar pessoalmente.
    Bem, este é o meu palpite.

    Hug 😀

    • Acho que você tem razão.
      Sua resenha sobre este conto ficou bastante profunda…
      Não consegui me envolver nele da mesma forma.
      Beijo!

      • Marcia Cogitare

        Obrigada pelo elogio rs

        Este conto me encheu de ideias e interpretações, o difícil foi saber o que escolher para colocar em texto.

        Tenho uma mente perdidamente abstrata, acho que isso me fez me dar bem com este conto maluco.

        Hug


%d blogueiros gostam disto:
DESIGN POR JESS