23.10.2016

nunca-te-vi

 

Título original: 84, Charing Cross Road

Primeira publicação: 1970

Tradutor: Raymundo de Araújo

Editora: Casa-Maria Editorial (1988) – 253 páginas

ISBN: 8585208015

Sinopse: Correspondência entre a autora americana, em Nova York, e o gerente de uma loja de livros raros/usados na Inglaterra, em Londres, durante vários anos. Uma viagem sentimental indicada aos amantes de livros. Tudo começou com uma carta perguntando sobre livros de segunda mão, escrita por Helene Hanff em Nova York, e endereçada a uma livraria no número 84 da Charing Cross Road, em Londres. Como as sarcásticas e espirituosas cartas de Helene são respondidas pelo indigesto e criterioso Frank Doel da Charing Cross Road, 84, uma relação floresce, em meio ao aconchegante e charmoso mundo dos livros, dando espaço a uma amizade a distância, ao longo de duas décadas.

 

 

Este livro contém duas histórias diferentes e complementares: “84 Charing Cross Road” e “A Duquesa de Bloomsbury”. Ele deu origem a um filme na década de 1980, com Anne Bancroft e Anthony Hopkins, cujo título em português é “Nunca te vi, sempre te amei”.

Comprei este livro recentemente em um sebo, após procurar por algum tempo; como não é um livro facilmente disponível, acabou custando o que vale um livro raro: R$100,00; e seu estado de conservação nem está tão incrível assim. Mas era um desejo que vinha de algum tempo.

Minha ligação com este livro e com o filme veio de um comentário de um amigo com quem troco muitas mensagens sobre filmes, livros e vivências pessoais. Embora sejamos da mesma cidade e moremos ambos em São Paulo atualmente, nossa amizade é basicamente virtual e creio que nunca tenhamos conversado pessoalmente. Houve uma ocasião em que, após tantas mensagens trocadas, ele me disse que parecíamos os personagens do filme. Mas eu nunca tinha ouvido falar do filme ou do livro e resolvi procurar. Na época, não encontrei nenhum dos dois. Algum tempo depois, em nova busca, encontrei o livro em um sebo e o filme disponível para compra. Adquiri os dois e optei por ler o livro antes de ver o filme.

São dois livros complementares e são autobiográficos. Helene Hanff era uma escritora americana, nascida em 1916 em Filadélfia (Pensilvânia). Ela morava em Nova York e se dedicava a escrever roteiros para a TV. Quando a maior parte da produção da televisão mudou para a Califórnia, o seu trabalho lentamente secou, e ela virou-se para escrever textos para revistas e, finalmente, acabou publicando este livro (que fez sua reputação).

Publicado pela primeira vez em 1970, 84 Charing Cross Road narra seus 20 anos de correspondência com Frank Doel, comprador para Marks & Co., uma livraria de Londres especializada em livros usados, onde Helene buscava títulos clássicos da literatura britânica. As correspondências se iniciaram no final da década de 1940, pouco tempo depois do final da Segunda Guerra, e ela foi, pouco a pouco, envolvendo-se na vida dos funcionários da loja e costumava encomendar pacotes de comida e enviá-los para eles, que ainda sofriam com o racionamento de alimentos do período do pós-guerra, e partilhava com eles detalhes de sua vida em Manhattan.

Ela planejava, ano após ano, viajar para a Inglaterra para conhecê-los, mas devido a dificuldades financeiras, essa viagem teve que ser postergada inúmeras vezes. Seu amigo Frank Doel morreu em dezembro de 1968 devido a uma apendicite, e Helene nunca chegou a conhecê-lo. Ela pediu autorização à esposa dele, Nora, para publicar as correspondências que trocaram e o livro 84 Charing Cross Road foi publicado; ele contém as cartas escritas por Helene, por Frank, por Nora e por outros funcionários da livraria.

Devido à compra dos direitos do livro na Inglaterra, ela finalmente conseguiu realizar seu sonho de conhecer Londres. A viagem aconteceu em 1971 e ela conheceu a esposa e as filhas de Frank, o filho do dono da livraria e outros fãs e pessoas que a acolheram. A segunda narrativa do livro relata esta viagem a Londres, em uma composição como um diário, contando cada dia passado na cidade e tudo o que visitou, além de suas opiniões; em 1973, publicou A duquesa de Bloomsbury.

Helene Hanff morreu em decorrência de complicações do diabetes, em 1997, aos 80 anos, em Nova York.

A primeira história, 84 Charing Cross Road, é mais rápida de ser lida; é agradável, com muitos trechos das cartas marcados pela ironia de Helene, e retrata, mais do qualquer coisa, as escolhas dos livros que ela encomendava e suas opiniões sobre as edições. Mas as cartas acabavam contendo um pouco da vida de cada pessoa, tanto de Helene como dos funcionários da livraria. Foram 20 anos de trocas de correspondências, até a morte de Frank Doel.

A segunda história, A duquesa de Bloomsbury, tem alguns trechos mais cansativos da descrição de sua visita a Londres e eu ficava me perguntando duas coisas: se eu iria gostar de Helene Hanff caso a tivesse conhecido (acho que minha resposta seria ‘não’) e se os ingleses com quem ela se encontrou gostaram dela e de sua forma de ser, extremamente informal, sincera e irônica (não sei responder). Como o livro é narrado através do seu ponto de vista, ela nos faz crer que ela estabeleceu bons contatos e que fez grandes amigos nessa viagem a Londres. Acho que mais interessante do que a descrição da viagem, são as descrições dos hábitos, costumes, as diferenças entre ingleses e americanos; ela consegue nos dar uma ideia muito precisa das pessoas e lugares. E vou dar um detalhe muito pessoal e um pouco bobo… ela fez a viagem para Londres no verão europeu de 1971, ano em que nasci. E senti uma coisa estranha ao ler seu diário correspondente ao dia do meu nascimento… a sensação de um mundo repleto de acontecimentos simultâneos… bobagem, eu sei…

O livro foi uma boa experiência. É uma pena que seja tão difícil ter acesso a obras que já não estão mais entre as publicações atuais. Com frequência tenho que recorrer a sebos, como Helene fazia…

Um trecho do livro que achei interessante:

Depois da esquina do George & Vulture fica “a Igreja de São Miguel Cornhill com São Pedro Le Poer e São Bento Fink”. * Vou colocar São Bento Fink na minha lista de santos favoritos, embaixo dos dois santos de Nova Orleans.

Aí por volta de 1801, quando os Estados Unidos compraram a Louisiana, firmas americanas entraram no negócio de imagens católicas e começaram a mandar caixotes de estatuária eclesiástica a Nova Orleans. Pregavam etiquetas nos caixotes com as palavras “FRÁGIL” e “EXPEDITO”. Os habitantes de Nova Orleans eram franceses, não podiam ler inglês e não sabiam o que significavam as duas palavras. Chegaram à conclusão de que deviam ser os nomes dos santos, cujas imagens estavam dentro dos caixotes. Não deu outra: em pouco tempo os santos mais populares em Nova Orleans eram São Frágil e Santo Expedito.

São Frágil perdeu terreno logo depois, mas, pelo que soube, ainda recentemente se podia abrir um jornal de Nova Orleans, a qualquer dia, e ler na Coluna de Mensagens Pessoais:

“Agradecemos a Santo Expedito pela graça concedida.”

De acordo com a imagem, ele é um antigo romano, que usa toga. Desejaria também saber coisas a respeito de São Bento Fink. PB não tem ideia de quem foi.

Fink, na gíria norte-americana, quer dizer alcaguete, delatador, fura-greves (N.T.).

 

 

 

 

 

  Título original: 84, Charing Cross Road Primeira publicação: 1970 Tradutor: Raymundo de Araújo Editora: Casa-Maria Editorial (1988) – 253 páginas ISBN: 8585208015 Sinopse: Correspondência entre a autora americana, em Nova York, e o gerente de uma loja de livros raros/usados na Inglaterra, em Londres, durante vários anos. Uma viagem sentimental indicada aos amantes de livros. Tudo começou com uma […]



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