9.10.2016

inferno

 

Título original: All Hell Let Loose

Primeira publicação: 2011

Editora: Intrínseca (2012) – 816 páginas

ISBN13: 9788580572698

Sinopse: Para muitos historiadores, nenhum outro acontecimento da história da humanidade teve o impacto da Segunda Guerra Mundial, que entre 1939 e 1945 abalou as vidas de centenas de milhões de pessoas em todo o planeta. Jornalista especializado na cobertura de conflitos, com vinte livros publicados, o inglês Max Hastings traça, em apenas um volume, um vasto painel da guerra em todos os fronts, colocando em primeiro plano o testemunho de pessoas comuns, obtido em cartas, diários, livros de memórias e depoimentos. Estudo monumental e abrangente do conflito, Inferno não se limita a fazer uma simples narrativa da sequência de eventos trágicos, desde a invasão da Polônia até a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki, mas revela ao leitor do século XXI como foi viver, lutar e morrer em um mundo em guerra.

 

 

Sir Max Hugh Macdonald Hastings é um jornalista e historiador britânico. Seus pais eram Macdonald Hastings, jornalista e correspondente de guerra, e Anne Scott-James, editora da Harpers Bazaar. Depois de deixar a Universidade de Oxford, tornou-se correspondente estrangeiro para a BBC e o London Evening Standard. Entre seus livros mais vendidos, Bomber Command ganhou o Prêmio Somerset Maugham, e ambos Overlord e The Battle for the Falklands ganharam o Prêmio Livro do Ano do Yorkshire Post.

Depois de dez anos como editor e, em seguida, editor-chefe do The Daily Telegraph, ele se tornou editor do Evening Standard em 1996. Ele ganhou muitos prêmios por seu trabalho jornalístico, incluindo Jornalista do Ano e Repórter do Ano What the Papers Say por seu trabalho no Atlântico Sul em 1982, e Editor do Ano em 1988. Aposentou-se como editor do Evening Standard em 2001 e foi nomeado Cavaleiro em 2002. Sua obra monumental da história militar, Armageddon: The Battle for Germany 1944-1945 foi publicado em 2005.

Esta obra histórica maravilhosa veio para sedimentar tudo o que li e aprendi recentemente sobre a Segunda Guerra Mundial. Ele não descreve o cenário pré guerra, nem os eventos que favoreceram a subida ao poder de Adolf Hitler. Sobre estes aspectos, aprendi em outras obras que li sobre esse período. Mas no livro Inferno: o Mundo em Guerra, 1939-1945, Max Hastings relata, de forma incrivelmente detalhada, aspectos da Guerra que envolveu praticamente o mundo todo (ficou de fora a maior parte da América Latina, com exceção do Brasil).

A narrativa segue, em sua maior parte, a sequência cronológica, desde o crescimento do Nazismo na Alemanha, a anexação da Áustria, a invasão da Polônia que levou à declaração de Guerra da Inglaterra e da França à Alemanha. É descrita a invasão da Finlândia pela União Soviética e como as batalhas aconteceram. As principais disputas na Europa, África, Ásia, Oceania e como cada país participou da Guerra.

Um aspecto da narrativa histórica deste livro faz com que ele tenha um lado mais humano: a transcrição de cartas e trechos de diários de moradores das regiões afetadas pelas batalhas ou de soldados; eles contam as vivências daqueles que mataram e/ou morreram… aspectos que tornam a Guerra cruel e que vai além dos acordos e estratégias traçados por políticos e governantes que não estavam nas frentes de batalha.

É um livro bastante detalhado em datas, pessoas envolvidas, fatos importantes e acho que pode despertar o interesse naqueles que realmente gostam de livros históricos e de conhecer mais detalhes sobre a Segunda Guerra Mundial. Tenho que confessar que aprendi muitas coisas das quais não tinha conhecimento, apesar de todas as minhas leituras envolvendo esse período.

Algumas informações transcritas do livro:

A experiência da guerra foi de uma diversidade extraordinária. A Frente Oriental, onde 90% de todos os alemães mortos em combate encontraram seu destino, dominou de forma esmagadora a luta contra Hitler. (…)

A União Soviética sofreu 65% das mortes militares entre os Aliados, a China, 23%, a Iugoslávia, 3%, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, 2% cada, a França e a Polônia, 1% cada. Cerca de 8% de todos os alemães morreram, em comparação com 2% dos chineses, 3,44% dos holandeses, 6,67% dos iugoslavos, 4% dos gregos, 1,35% dos franceses, 3,78% dos japoneses, 0,94% dos britânicos e 0,32% dos americanos. (…) Um em cada quatro soldados russos morreu, contra um em cada vinte combatentes da comunidade britânica e um em cada 34 militares americanos.

“Não havia nada sutil ou íntimo na aproximação e na explosão de uma granada de artilharia. Quando eu ouvia o assobio se aproximar, todos os músculos em meu corpo se retesavam. Eu me preparava, num esforço insignificante para não ser levado pela bomba. Sentia-me totalmente desamparado. Conforme o som do assobio diabólico aumentava, meus dentes rangiam, o coração disparava, a boca secava, os olhos se contraíam, o suor escorria pela pele, a respiração tornava-se apressada e irregular, e eu tinha medo de engolir para não engasgar. Eu sempre rezava, às vezes em voz alta. Sentia-me totalmente impotente (…) Para mim, a artilharia era uma invenção infernal. O assobio e o ruído do pacote de aço grande e destruidor que se aproximava eram o auge da fúria violenta, a encarnação do mal reprimido. Eram a essência da violência e da desumanidade. Desenvolvi um ódio intenso pelas granadas. Ser morto por uma bala parecia tão limpo e cirúrgico, mas as granadas não apenas rompiam e rasgavam o corpo como nos torturavam mentalmente quase além dos limites da sanidade. Após cada granada, eu era um bagaço, mole e exausto.”

– Eugene Sledge

Mais do qualquer aspecto da guerra, a comida, ou a falta dela, ressaltava a relatividade do sofrimento. Globalmente, muito mais gente experimentou fome severa ou morreu por inanição do que em qualquer conflito anterior, inclusive a Primeira Guerra Mundial, porque um número sem precedentes de países transformou-se em campos de batalha, com o consequente prejuízo da produção.

A guerra é um prodigioso desperdício, pois grande parte do esforço dos combatentes rivais se revela fútil, e o preço é cobrado em vidas.

 

 

 

 

 

  Título original: All Hell Let Loose Primeira publicação: 2011 Editora: Intrínseca (2012) – 816 páginas ISBN13: 9788580572698 Sinopse: Para muitos historiadores, nenhum outro acontecimento da história da humanidade teve o impacto da Segunda Guerra Mundial, que entre 1939 e 1945 abalou as vidas de centenas de milhões de pessoas em todo o planeta. Jornalista especializado na cobertura de conflitos, […]


  • Sílvia Olá, boa noite. Eu acho que cada vez melhor compreendo o linguagem portuguesas graças a os seus vídeos e publicações. Conhecendo o contexto é mais fácil para mim. Eu acho que um dia você vai escirbir um documento resumindo o que você aprendeu sobre a Segunda Guerra Mundial, seria artigo muito interessante. Curiosamente a Península Ibérica declarou-se neutro na conflcto. Apesar de que Portugal foi claramente sentindo anglófilo. Em Espanha, embora houvesse debates sérios por partidários de ambos os lados o governo foi mais favorável à tese alemã. Mesmo uma divisão de voluntários, chamado de divisão azul, que era a cor do falangista uniforme, foi lutar na frente russa. Em sua avaliação, foi a parte estatística que me deu mais amargura, parece que o autor reduz milhão de vítimas em números. Eu sei que o que eu digo não serão preciso. É apenas uma impressão pessoal. Um abraço.

    • Olá, Carlos!
      Obrigada por seu comentário e seu estímulo às minhas publicações.
      A Espanha já vivia seus próprios problemas nessa época da Guerra, não é? Havia um acordo de que ela iria aderir ao Eixo, mas ela não chegou a aderir porque já estava muito enfraquecida pela Guerra Civil.
      Talvez eu não tenha sido muito feliz em selecionar este trecho do livro com os dados estatísticos. Acho que o valor do livro está justamente no fato de usar informações muito pessoais das pessoas que viveram diretamente a Guerra, tanto soldados quanto da população civil. Ele descreve o sofrimento muito pessoal, a fome, as dificuldades do dia a dia, a destruição de tudo, inclusive de toda a dignidade.
      Acho que já consegui construir uma imagem bem precisa desse momento triste da nossa história.
      Beijo!


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