22.09.2016

 

No início do filme, falava que ele era baseado em uma história real. Não fui verificar.

Trata-se da história de uma mulher muito rica, cujo casamento aconteceu na base de uma troca: ela recebeu um título de Baronesa do marido e ele teve acesso ao dinheiro da esposa. Mas ela o amava de verdade. E tudo o que fazia era para chamar atenção do marido e tentar preencher sua própria solidão. O filme se passa na década de 1920, na França.

A principal coisa em que Marguerite Dumont emprega seu tempo é a música. Ela é uma grande admiradora de Ópera e coleciona partituras originais, vestuários e peças de decoração usadas nas montagens. E ela canta. Sem nunca ter recebido aulas ou orientação, ela canta as óperas que tanto admira. E ela acredita que canta bem. E nunca, ninguém teve a coragem de lhe dizer a verdade: de que é totalmente desafinada.

Mas Marguerite tem uma qualidade maravilhosa: ela é uma pessoa doce, compreensiva e sempre pronta a ajudar quem quer que seja. Quem se aproxima dela, geralmente por interesse, e tem a chance de conhecê-la de fato, consegue admirá-la de verdade.

O filme é muito bonito, com figurinos lindos e realizado com muita sensibilidade por Xavier Giannoli. A atriz que interpreta Marguerite é Catherine Frot

Eu fiquei pensando nessa questão da personagem principal não conseguir perceber que canta mal, no fato de não escutar sua própria voz. É claro que esta é uma situação extrema. Mas a verdade é que não sabemos exatamente como somos. Não nos escutamos como os outros nos escutam. Não sabemos exatamente quais são os nossos cheiros, porque nosso receptores olfativos não sentem bem os odores habituais. Geralmente, não sabemos as expressões faciais que fazemos ao falar, não nos vemos quando comemos, não notamos nossas pequenas manias. Acabamos sendo desconhecidos para nós mesmos. É claro que somos capazes de ter uma noção bastante precisa se prestarmos atenção.

Mas será que todas as pessoas olham para si mesmas de verdade? É mais cômodo assumirmos que fazemos tudo da forma correta e olhar para os outros, fazer julgamentos e críticas. Quem tem o direito de condenar outra pessoa? Quem está isento de todo tipo de falta?

Na minha opinião, é importante haver alguém que nos sinalize as coisas que podemos e devemos corrigir, melhorar, mudar. Mas existem as coisas que apenas indicam quem somos, nosso jeito de ser, nossa marca. Será que existe necessidade de que todas as nossas pequenas imperfeições sejam apontadas e criticadas? O que isso acrescenta em nossas vidas? O que acrescenta de bom na vida daqueles que nos criticam?

Todas estas reflexões vieram com o filme… Porque Marguerite é uma mulher sensível e gentil com todas as pessoas; e ela é tratada com crueldade por pessoas próximas e em quem ela confiava. Eu sei que o fato de sermos gentis não significa que receberemos gentilezas… Mas se cada um olhasse mais para si mesmo, para corrigir os próprios defeitos e aceitando mais os outros com gentileza, o mundo seria muito melhor.

 

 

 

  No início do filme, falava que ele era baseado em uma história real. Não fui verificar. Trata-se da história de uma mulher muito rica, cujo casamento aconteceu na base de uma troca: ela recebeu um título de Baronesa do marido e ele teve acesso ao dinheiro da esposa. Mas ela o amava de verdade. […]


  • Sílvia boa tarde, ainda haverá dia. Eu acho que cada um de nós tem o direito de ser imperfeito, sim os defeitos não faz mal a ninguém. Qual o quê pode culpar? Para mim, o pior é o desprezo pelas virtudes ou o esforço para fazer algo de bom para os outros. Aqueles que não podem apreciar as coisas boas da vida não bem.O merecem tais dons, são pessoas tóxicas, irritadas e insatisfeitas e que, se ele deve ser melhorado. Um beijo.


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