10.09.2016

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Eu já escrevi sobre o tema de suicídio antes (Um pouco mais sobre um assunto que é um grande tabu). Acho que é importantíssimo que o assunto seja abordado sem receios, porque a omissão apenas agrava o problema. No mês de setembro, acontece o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, hoje, dia 10.

Nesta publicação, coloco algumas estatísticas e fatos sobre o suicídio, extraídas dos sites da OMS e da IASP (Associação Internacional para Prevenção do Suicídio). Meus interesses de reforçar esta campanha são vários, como médica, como mãe, como cidadã e como uma pessoa que quase cometeu suicídio há cerca de 2 anos. Essa experiência pessoal ainda pretendo contar, quando estiver preparada para isso.

Todo suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros e tem efeitos duradouros sobre as pessoas deixadas para trás. E é uma das principais causas de morte em termos de anos retirados de pessoas em idade economicamente ativa.

Fatos:

  • A cada ano, 800 mil pessoas morrem em decorrência do suicídio; este dado corresponde a 1 morte a cada 40 segundos.
  • O número de vidas perdidas a cada ano devido ao suicídio excede o número de mortes decorrentes de homicídios e guerras combinados.
  • O suicídio é a 15a. causa de morte globalmente, sendo responsável por 1,4% de todas as mortes em 2012.
  • As taxas de suicídio são maiores para pessoas acima dos 70 anos mundialmente.
  • O suicídio é a 5a. causa de morte na faixa etária de 30 a 49 anos mundialmente.
  • O suicídio é a 2a. causa de morte na faixa etária de 15 a 29 anos mundialmente.
  • 75% dos suicídios cometidos no mundo ocorrem em países de mais pobres.
  • Estima-se que, em 2012, para cada adulto que morreu em decorrência do suicídio, mais de 20 outros tentaram cometer suicídio.
  • O suicídio é uma situação complexa, com inúmeros fatores psicológicos, sociais, biológicos, culturais e ambientais envolvidos.
  • O fator de risco mais importante para o suicídio é a existência de uma tentativa prévia de cometer suicídio.
  • Enquanto as doenças mentais (como depressão e alcoolismo) constituem-se no maior fator de risco para o suicídio, a impulsividade também pode representar um papel importante, particularmente em momentos de crise pessoal, como quando ocorre um colapso na capacidade de lidar com os estresses da vida, tais como problemas financeiros, rupturas de relacionamentos ou em casos de dor ou doença crônica.
  • Além disso, o fato de se vivenciar conflitos, desastres, violência, abuso, luto e perda, e isolamento acaba aumentando muito o risco de suicídio.
  • As taxas de suicídio são mais elevadas nos grupos que experimentam discriminação, como refugiados e migrantes, indígenas, homossexuais, bissexuais, transgêneros e pessoas com intersexo, e prisioneiros.
  • Conectar. Comunicar. Cuidar. Estas 3 palavras simbolizam o coração da prevenção ao suicídio.
  • Conectar: conectar-se a pessoas enlutadas por suicídio ou a pessoas que vivenciaram um comportamento suicida é fundamental para a prevenção do suicídio. É essencial estar disponível para alguém que tenha se desconectado e ajudar a guiá-lo para obter ajuda. 
  •  Comunicar: capacitar pessoas para que elas comuniquem-se, efetivamente, com pessoas com risco de suicídio é muito importante nos esforços de prevenção. Deve-se falar abertamente sobre o suicídio, a fim de acabar com os mitos que o rodeiam. Deve-se ser cauteloso com a mensagem e garantir que se está retratando de forma segura o assunto. Precisamos discutir o suicídio como faríamos com qualquer outro problema de saúde pública, se quisermos, de fato, acabar com os mitos sobre o assunto e reduzir o estigma em torno dele. É importante demonstrar compaixão e empatia, e escutar sem preconceitos e sem pré julgamentos. Os meios de comunicação também têm um papel importante a desempenhar na prevenção do suicídio; mostrar as histórias de superação das crises e de pessoas que venceram os desejos suicidas tem mostrado um efeito protetor.
  • Cuidar: as políticas governamentais e os prestadores de serviços de saúde devem priorizar a prevenção ao suicídio. As comunidades têm um papel fundamental a desempenhar no cuidado de pessoas vulneráveis e daqueles em risco de suicídio, apoiando de forma eficaz as suas necessidades. Todos nós precisamos fazer um esforço e dedicar tempo para cuidar de nós mesmos e daqueles que nos rodeiam. Precisamos olhar para outras pessoas que podem estar lutando com estes pensamentos de morte e deixá-los contar suas histórias à sua própria maneira e em seu próprio ritmo. Aqueles que foram afetados por pensamentos suicidas têm muito para nos ensinar a esse respeito.
  • Encontre mais informações relacionadas à prevenção do suicídio  e ao tema deste ano do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, Conectar, Comunicar, Cuidar, na página https://www.iasp.info/resources/World_Suicide_Prevention_Day/2016/.

 

 

 

Prevenção

Os suicídios podem ser evitados. Algumas medidas podem ser tomadas para tentar combater essa situação:

  • redução de acesso a alguns meios utilizados para se cometer suicídio (pesticidas, armas de fogo e algumas medicações);
  • reportagens realizadas de forma responsável;
  • políticas de controle do abuso do álcool;
  • identificação precoce, tratamento e cuidado das pessoas com doenças mentais ou dependentes de substâncias químicas ou do álcool e daqueles que sofrem com doenças ou dores crônicas ou com alguma crise emocional aguda;
  • treinamento das pessoas da área da saúde não especializados para que sejam capazes de reconhecer e ajudar pessoas com comportamento suicida;
  • seguimento de pessoas que já passaram por tentativas de suicídio, com suporte social.

O suicídio é uma questão complexa e, portanto, os esforços de prevenção necessitam de coordenação e colaboração entre os vários setores da sociedade, incluindo o sector da saúde e outros sectores como educação, trabalho, agricultura, justiça, lei, defesa, política e da mídia. Estes esforços devem ser abrangentes e integrados, já que uma única abordagem pode ter um impacto pequeno sobre uma questão tão complexa como suicídio.

Mais informações estão disponíveis nos sites:

 

 

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  Eu já escrevi sobre o tema de suicídio antes (Um pouco mais sobre um assunto que é um grande tabu). Acho que é importantíssimo que o assunto seja abordado sem receios, porque a omissão apenas agrava o problema. No mês de setembro, acontece o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, hoje, dia 10. Nesta […]


  • Olá Sílvia é uma questão muito pessoal, eu acho que a coisa mais importante para uma pessoa que está preso em uma situação tão grave, e considerar abandonar a vida é saber que pode receber apoio desinteressado em um momento de crise de uma pessoa em particular, mas também que ela é insubstituível para os outros. Solidão ou solitosis como leim num romance é uma doença social que nos afeta a todos um dia ou outro. Infelizmente temos pouco treinamento para lidar com a doença mental e por essa razão, ou medo, ou vergonha a consequência é um crescente isolamento. Um beijo.

    • Olá, Carlos!
      Eu acho, sim, que a questão é bastante complexa.
      É uma situação desesperadora e acho que falta sensibilidade das pessoas perceberem a tristeza extrema, isolamento e fata de perspectiva do outro; e não estou certa de que as pessoas procuram ajuda com frequência… eu acho que não.
      O meu sentimento era de completa desconexão com o mundo e eu não queria chatear ninguém com os meus sofrimentos.
      Obrigada por sua amizade!
      Beijo grande e um lindo domingo!

  • Lari Reis

    Um post com essas informações é super importante, Silvia. Acho que os dados podem fazer diferença para quem não tem qualquer contato com causas de suicídio, por assim dizer, e não tenha noção da gravidade e da necessidade de atenção e sensibilidade à questão. Como um todo, eu gostaria que o Setembro Amarelo fosse mais divulgado. Não sei se há resistência em se falar no assunto pelo mesmo motivo em que há sobre noticiar casos (e isso faz total sentido). De qualquer forma, acredito que a internet seja um canal acessível a muitas das pessoas e é muito bom que tantas pessoas estejam dispostas a falar sobre o assunto, como forma de tentar ajudar 🙂

    • Oi, Lari!
      Eu acho que ainda existe muito tabu.
      Conheço muitas famílias com casos de suicídio em jovens e a causa de morte foi divulgada como algo completamente diferente. Isso só dificulta mais resolver o problema.
      Obrigada pela visita!
      Beijo!


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