30.07.2016

Poor And Rich Differences in Painting (10)

 

Nessa semana, por duas vezes, eu vi, entre as manchetes do jornal online, as dificuldades do SUS com os gastos com tratamentos caros fornecidos a algumas pessoas, mediante uma ação judicial ou não, estando o sistema falido e sem conseguir dar atendimento ao setor mais carente da população. A manchete de ontem foi essa: “Processos judiciais devem onerar o SUS em R$ 7 bilhões, em 2016“.

Eu sei que nossa constituição prevê que a Saúde seja um dever do Estado. Mas, conforme a Medicina avança e mais e mais tratamentos (caros) surgem, o nosso Estado arruinado deve continuar sendo obrigado a pagar tratamentos onerosos e deixar de fornecer tratamento para doenças mais prevalentes e que incapacitam as pessoas?

Na minha tese de Doutorado, estudei crianças com baixa estatura, mas nas quais a produção do hormônio de crescimento era normal. Mesmo assim, estudávamos a resposta da administração do hormônio de crescimento (GH) nessas crianças. Tudo era feito em um protocolo de estudo, com critérios para inclusão bastante restritos. De qualquer forma, fazíamos a prescrição de um medicamento extremamente caro para melhorar a altura dessas crianças em 3 a 5 cm. E eu me questionava todo o tempo: isso é correto? Enquanto pacientes com diabetes não tinham acesso ao melhor tratamento, que poderia evitar a morte ou as complicações tardias da doença. Em qual situação eu conseguiria um maior impacto em termos sociais e em termos de evitar gastos futuros no SUS? Com certeza no caso do Diabetes. Não temos como manter tudo. Afinal, quem paga a conta somos nós mesmos, são nossos impostos.

Posso estar sendo muito dura. Por isso mesmo disse no título que o assunto era polêmico. Eu não tenho as respostas, mas essas coisas me incomodam sobremaneira.

Dentro desse mesmo conceito, escutei nessa semana uma palestra de uma pesquisadora no TED Talks falando sobre os estudos que têm sido feitos para evitar o envelhecimento das pessoas. Não peguei o nome da pesquisadora nem o título da palestra. Mas foi outra coisa que me incomodou e que mostrou os contrates do mundo atual. Investe-se muito dinheiro em pesquisas médicas que beneficiam uma pequena parcela da população ou que, como nesse caso, tenta aumentar o tempo de vida das pessoas, para que elas não demonstrem a idade. Isso em um mundo onde quase 800 milhões de pessoas passam fome (Fonte: Banco de Alimentos e Reuters Brasil) e cerca de 1/3 da população mundial não tem acesso a água limpa (Fonte: G1).

E queremos fazer com que as pessoas vivam mais, sem resolver os problemas daquelas que vivem e não têm acesso às condições mínimas de uma subsistência adequada?

Pode parecer que esteja assumindo uma postura contrária ao desenvolvimento da ciência. Mas acho que as prioridades precisam ser revistas. Não consigo simplesmente aceitar tudo isso passivamente, como se o problema não fosse comigo, simplesmente porque tenho acesso a uma boa condição de vida, a água e esgoto e durmo em uma cama macia.

Alguns eventos recentes da minha vida têm feito com que eu me confrontasse com esse contraste de forma muito viva e real. E isso tudo revira meu estômago. Eu sei que faço pouco. Quero e preciso fazer mais. Estou realizando algumas mudanças e tomando algumas atitudes.

Mas muita coisa precisa ser revista. Muita! Em muitas frentes diferentes: desde o combate à corrupção no mundo até à priorização do que de fato é importante para as pessoas, animais e para o planeta, quando pensamos na possibilidade de atenuar problemas e melhorar as condições de vida para todos, agora e no futuro.

 

 

– Sílvia Souza

Rosa

  Nessa semana, por duas vezes, eu vi, entre as manchetes do jornal online, as dificuldades do SUS com os gastos com tratamentos caros fornecidos a algumas pessoas, mediante uma ação judicial ou não, estando o sistema falido e sem conseguir dar atendimento ao setor mais carente da população. A manchete de ontem foi essa: […]


  • Lari Reis

    Realmente, um assunto polêmico. Porém, um questionamento super válido.
    Precisamos mesmo refletir sobre isso. Há muito que soa incoerente.
    Nos poucos minutos após ler seu texto, pensei numa série de problemas e em nenhuma solução prática (que seria aceita e colocada em prática pelos governos e sociedade). Difícil…

    • Eu sei, Lari…
      Assuntos polêmicos raramente são levados adiante por políticos. E aqui entram várias outras questões sociais, científicas, mundiais… sei lá…
      Mas eu precisava desabafar…
      Beijo!

      • Lari Reis

        Fez bem. Eu gostei de refletir sobre.
        Certamente, terei outras oportunidades para pensar a respeito e vou seguir achando válido ter tido contato com essa questão agora ^^

        • Se tiver novas ideias, opiniões ou conclusões, adoraria saber…
          Beijo!

          • Lari Reis

            Sigo sem uma conclusão. Consegui pensar em diferentes situações e possibilidades. Ao final, tentando manter a consciência livre, sempre me parece melhor pensar que uma conclusão completamente justa só seria possível em um país/mundo perfeito. Ou seja, fujo da raia, rs.
            Mas me faz total sentido pensar que situações mais simples, digamos assim, tenham que ser resolvidas primeiro… O impacto poderia ser bem grande.

  • Olá Sílvia hoje apresenta um tema quente, o que infelizmente não ocupa as primeiras páginas da imprensa. Super população e os recursos limitados do planeta. A premissa a considerar é que nem você nem eu temos a responsabilidade de resolver este problema. Ele corresponde ao grupo de nações agrupadas em empresas internacionais. Embora eu tenha a certeza de que a partir de ação individual, como concumidores e os eleitores devemos sempre levar isso em conta antes de tomar uma decisão de compra ou ir para colocar o voto na urna. Um beijo.

    • Olá, Carlos!
      Eu sei que não temos a responsabilidade de resolver esses problemas…
      Mas acho que podemos tentar fazer um pouquinho, não é?
      Deve haver algo…
      Beijo!


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