29.07.2016

 

Adoro os filmes europeus e, em especial, os franceses (acho que por causa do meu prazer em escutar a melodia da língua francesa). Acho que minha admiração vem do fato deles se preocuparem em contar uma boa história e não em deixar o filme repleto de efeitos especiais capazes de esconder um roteiro fraco.

O filme tem início quando Paul Dédalus (interpretado na fase adulta pelo excelente Mathieu Amalric), um antropólogo, vai deixar o Tajikistão e voltar para sua terra natal, a França. Mas o filme se baseia totalmente na narrativa da sua história de vida. Essa história será narrada através da lembrança de três momentos específicos de sua infância e adolescência.

Inicialmente, a relação complicada com a mãe, que tinha distúrbios psiquiátricos e que acabou se suicidando enquanto ele ainda era pequeno.

A seguir, um momento da sua adolescência, quando viaja com um amigo judeu para a antiga União Soviética para ajudar judeus conhecidos desse amigo. E ele fornece seu próprio passaporte, e portanto seu nome, a um rapaz para que ele pudesse fugir do regime soviético em direção a Israel.

E o terceiro e mais complicado momento, quando ele narra a história do grande amor da sua vida, sua história com a jovem Esther, que teve início quando Paul tinha 19 anos e já cursava a Faculdade em Paris e Esther tinha 16 anos e ainda fazia o ensino médio na pequena cidade onde Paul nascera.

Essa terceira parte é que mais cativa no filme. Porque o amor que eles vivem é algo bonito e sincero, mas precisa tentar sobreviver em meio aos inúmeros problemas pessoais, emocionais, psicológicos que nos cercam no dia a dia: a falta de dinheiro de Paul, que não pode com frequência ir vê-la; a beleza de Esther, que atrai inúmeros rapazes que querem apenas conquistá-la para uma ou duas transas e faz com que as moças tenham ódio e inveja dela; esses eventos fazem com que Esther sinta-se cada vez mais solitária e deprimida…

Paul deseja focar na sua carreira. E acha que, ao continuar com Esther apesar da distância, está fazendo bem a ela. São necessários vários anos da sua vida para que ele perceba o quanto fez mal a ela, o quanto aceitou a interferência de “amigos” que apenas tinham interesses temporários.

E é assim nossa vida, não é? Formada de lembranças e memórias que chegam adulteradas por quem somos no presente… A cada momento de nossa vida, podemos avaliar essas vivências passadas de uma forma diferente, com nostalgia ou tristeza ou alegria. Reavaliamos cada coisa que passamos. Fazemos uma releitura e podemos perceber erros que não vimos no exato momento dos fatos… ou nos arrependemos porque não retribuímos um amor verdadeiro que recebemos e de que abrimos mão…

A vida é assim… uma releitura constante de nós mesmos… O bom é quando não temos medo de fazer essa releitura, quando não temos medo de olhar para dentro de nós, para nossas vivências, para os erros do passado e usamos essas informações para escrever algo melhor para o futuro. Quantos de fato fazem isso? A maioria talvez queira apenas enterrar tudo e olhar com condescendência para si mesmo, achando que o que passou não mereça ser relembrado.

 

– Sílvia Souza

Rosa

 

  Adoro os filmes europeus e, em especial, os franceses (acho que por causa do meu prazer em escutar a melodia da língua francesa). Acho que minha admiração vem do fato deles se preocuparem em contar uma boa história e não em deixar o filme repleto de efeitos especiais capazes de esconder um roteiro fraco. […]


  • Olá Silvia, eu acho que a escrita é uma forma de se libertar fantasmas, postas na boca dos protagonistas de nossas preocupações diárias e assumir os erros do passado. Um beijo.

    • Olá, Carlos!
      Para mim, a escrita funciona muito assim… para organizar os pensamentos, analisar as coisas com novos olhares, acalmar o espírito…
      E gosto de analisar os filmes e livros de tal forma a tirar dicas para minha própria vida…
      Um beijo!


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