1.07.2016
Lisboa, Portugal

Lisboa, Portugal

 

O único mistério no universo

É haver um mistério do universo.

Sim, este sol que sem querer ilumina

A terra e as árvores, e as estações todas;

As pedras em que eu piso, as casas brancas,

Os homens, o convívio humano, a história,

O que se passa — tradição ou fala —

Entre alma e alma — as vozes, as cidades —

Tudo nem traz consigo a explicação

De existir, nem tem boca com que fale.

Por que razão não raia o sol dizendo

O que é? Por que motivo sossegado

Existem pedras sob os meus passos, e ar

Que eu respiro, e eu preciso respirar?

Tudo é uma máquina monstruosa e absurda.

Com todo o corpo e o ver [?], terra da alma,

Ignoramos.

Por que há? Por que há um universo?

Por que é um universo que é este?

Por que é assim composto o universo?

Por que há? Por que há o que há?

Por que há mundo, e porque é que há mundo assim?

For que há aqui, dores, consciência e diferença?

Fausto – Tragédia Subjectiva. Fernando Pessoa.

  O único mistério no universo É haver um mistério do universo. Sim, este sol que sem querer ilumina A terra e as árvores, e as estações todas; As pedras em que eu piso, as casas brancas, Os homens, o convívio humano, a história, O que se passa — tradição ou fala — Entre alma […]


  • claudio kambami

    E ele também tinha dúvidas, rsss. 😉


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