16.06.2016
Lonely Girl de Connie Chadwell

Lonely Girl de Connie Chadwell

 

Em 19/06/2015, escrevi um texto sobre meu sonho de futuro (Uma casinha pra morar). Daquelas coisas que a gente gostaria que um dia acontecesse, caso a vida fosse da forma como planejamos.

Mas a verdade é que duvido muito de vir a viver esse sonho. Muitos vão dizer que assumo uma posição derrotista. Talvez seja; talvez um pouco influenciada pela depressão. Ou talvez seja apenas realista.

Tenho tentado criar as condições necessárias para esse futuro. Não é que eu esteja sentada em casa esperando que tudo caia do céu. Não tenho esse perfil. Até porque nunca recebi nada de mão beijada.

Mas o caminhar do mundo, da minha vida, do meu estado de espírito parecem querer escrever outra história para o fim dos meus dias.

A forma como me vejo em 10 ou 15 anos é como aquelas pessoas isoladas de todas as outras, que passa a maior parte do tempo sozinha em casa ou fazendo programas solitários. E não digo isso com sentimento de autopiedade, como alguém incapaz de fazer amigos. Não é esse o caso. O problema sou eu. Eu me isolo na minha solidão porque é mais fácil lidar com ela do que com outras pessoas.

A minha solidão, eu conheço bem. Consigo preenchê-la com minhas reflexões, com minhas leituras e com os filmes. Não me incomodo de olhar para dentro de mim, de me analisar, perceber meus defeitos e minhas qualidades.

As pessoas, de forma geral, preciso aprender a decifrar. Tenho que escutar o que me dizem e ouvir o que elas calam. Preciso olhar para a face e captar o que está por trás da máscara. É necessário que eu seja desconfiada, porque as falas são repletas de mentiras e de autovalorização para que pareçam melhores do que são.

Houve uma época em que eu me divertia tentando decifrar esse enigma, até conseguir captar o outro na sua essência. Mas eu me cansei. Cansei de me magoar achando que tinha entendido os desejos mais íntimos do outro. Cansei de me enganar por causa de variáveis que me eram desconhecidas. Cansei de perder o sono, de chorar escondida, de viver ansiosa, de criar falsas esperanças, de ter saudades dos planos sonhados e nunca realizados.

Por tudo isso, penso em mim em 10 anos e me imagino como Theodore (Joaquin Phoenix) no filme “Her”. Ou como Amélie (Audrey Tautou) no filme “Le fabuleux destin d’Amélie Poulain”. Ou como Max do filme “Mary and Max”. Ou, ainda pior, como Melvin (Jack Nicholson) em “As Good As It Gets”.

Sei que a escrevemos o roteiro da nossa vida. Mas nosso livre arbítrio tem um limite. E é por conta disso que tudo se torna tão nebuloso… Vamos ver…

– Sílvia Souza

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  Em 19/06/2015, escrevi um texto sobre meu sonho de futuro (Uma casinha pra morar). Daquelas coisas que a gente gostaria que um dia acontecesse, caso a vida fosse da forma como planejamos. Mas a verdade é que duvido muito de vir a viver esse sonho. Muitos vão dizer que assumo uma posição derrotista. Talvez […]


  • Eu acho que você tem uma capacidade de reflexão como raramente viu. Eu não estou pensando no futuro, porque a ser honesto, devo reconhecer que caminho até a borda da velhice. Primeiro defeito. Então, eu não sou corajoso o suficiente para planejar além do amanhã. Segundo defeito. Tento aproveitar cada dia imerso em tarefas simples, ajudar meus amigos e vizinhos pobres no que eu podo. Gosto de ouvir música em solitário da minha juventude, tirar fotos, escrever uma longa história que quase nunca dou por terminada, muitas vezes desenho casas que nunca serão construídos. Terceiro defeito. Estudar assuntos inúteis que incitam a minha curiosidade. Quarta padrão. E à vista da amarga realidade que nos rodeia preferem sonhar acordado. Quinto defeito. O sentimento íntimo de solidão, minha amiga, é inerente à existência, por isso acho que temos de tentar não impedir a nossa felicidade, embora baseada em falsas premissas. Um beijo.

    • Obrigada, Carlos, por compartilhar esses seus pequenos “defeitos”… Acho que compartilho alguns desses defeitos com você…
      Vou como em uma montanha russa… há dias mais otimistas e outros mais desanimados…
      Beijo!

      • Acho que seria melhor aproveitar os momentos felizes e descartar os mais tristes, todos nós temos momentos como esse só há dias que só são acelerados porque muitos eventos acontecem. Um fim de semana feliz e repousante cheio de bom humor.

  • claudio kambami

    Não sei Silvia, mas quando li também parei e me vi. Muito do que disse me cabe, me veste, me vejo, muito do que sente também sinto e sei que há uma diferença de estados emocionais e físicos entre nós dois, então se pudesse perguntar, lhe perguntaria, como podemos sentir tanta semelhança com tanta diferença?
    Todos nós somos sim sonhadores, todos nós almejamos que os sonhos se realizem. Depressão? Quem não as tem? Quantas vezes para evitar uso de anti depressivo, preferi até um Rivotril.
    Tento hoje quando começo a perceber alguma depressão mudar meu pensamento, ora funciona, ora não, ai mudo e ando, saiu fotografando, observando a natureza, noutras assisto a um filme. Leitura ultimamente não tem dado certo, já troquei o óculos já tentei de tudo, mas começo a ler e me dá sono. Optei pela música, pela escrita nem que seja de abobrinhas, mas é como tento retirar essa carga de minha mente. Muitas vezes o problema nem é meu, mas tenho uma capacidade igual imã de trazê-lo pra mim.
    Com todas as alegrias que tenho e o amor que recebo não deveria eu reclamar, não posso, pois muitos não conseguem nem uma fatia da felicidade que tenho e recebo e mesmo assim, muitas vezes me sinto só e como você mesmo descreve também assim prefiro, pois sei lidar com minha solidão o que não sei ou começo a evitar é lidar com essa mesma brincadeira de adivinhar as máscaras, pois muitas vezes me vejo como duas pessoas, uma me diz, não creia que decifrou, ais quebrar a cara, acorda, e a outra diz, viu como és experto, já matou a charada.
    Não sei qual dessas duas personas esta na frente ou se há empate, mas a que alerta sobre quebrar a cara é a que mais machuca, mais fere, pois no íntimo eu sabia, então por qual motivo dei corda, ou continuei?
    Há momentos que prefiro ficar na defesa e há momentos que parto para o ataque, figurativamente falando, seria o mesmo que num determinado momento fazer de tudo para evitar se expor, se magoar e no outro como quem diz, quer saber, vão se danar e seja o que Deus quiser.
    Uma coisa posso afirmar Silvia eu não vivo jamais o sonho de ninguém, posso até participar dele, mas se não for o meu sonho não me satisfaz, logo, o meu sonho eu lutarei por ele até não poder mais, mas desistir nunca e ai vai muito do que aprendi na fazenda de minha avó no Rio Grande do Sul, quando nos reuníamos na CTG (Centro de Tradições Gaúchas) e havia uma cantiga que ficou em minha mente que diz assim, “Não podemos entregar pros homens de jeito nenhum amigo e companheiro, não está morto quem luta e quem peleja, pois lutar é a alma do campeiro”.
    Lute até o fim, encoste a cabeça em ombro amigo/a assim como quando precisei encostei no seu e assim vamos levando a vida, ora felizes e ora com alguns imprevistos, mas vamos vivendo. Beijos repletos de carinhos e sabe se precisar conversar não há hora meu coração não dorme e fica plugado 24 horas. <3

    • Adoro esses seus comentários (quase cartas) que fazem com que eu me sinta mais normal ou, pelo menos, parte de um grupo que sente da mesma forma que eu (nem que seja um grupo de 2…).
      Será que há tanta diferença de estados emocionais e físicos entre nós que torna estranha essa semelhança no sentir? Não creio…
      Acho sempre engraçado pensar que cada ser humano é único e, ao mesmo tempo, raramente nosso sentimento é absolutamente exclusivo… geralmente há mais alguém que passou (ou passa) ou sentiu (ou sente) algo muito parecido. Creio que esse aspecto é o que mais me motiva a escrever… Pode ser que o que eu escrevo possa servir para alguém, uma alma solitária… e esse alguém pode se identificar e perceber que o que ele(a) sente outras pessoas sentiram… Eu gosto quando sou eu essa alma solitária e vejo que pertenço a algo ou encontro semelhança com alguém antes de mim.
      Às vezes me sinto meio louca ou desajustada… exatamente por me sentir tão fora do mundo…
      Eu tenho depressão mesmo, Claudio… e já me trato há 5 anos… 2 anos atrás vivi um momento negro… e quase (por muito pouco) você perdeu a chance de conhecer essa amiga extra terrestre…
      Agradeço todos os dias por sua amizade… mesmo sem pedir ajuda… nessa semana (que eu quase pedi), fui muito confortante saber que você estaria lá para me escutar…
      Um grande beijo!

      • claudio kambami

        A Silvia tenha certeza, eu movo uma montanha por qualquer amigo que me grite socorro. As vezes me acho meio louco, pois admito o meu sofrer mas nunca em meu semelhante. Uma vez em uma auto-análise percebi que isso poderia ser algo relacionado a um desejo de superioridade, mas não é isso não Eu estava enganado. Agora sei o porque. É muito mais fácil pra mim cuidar de minha ferida que ver meu semelhante estar ferido. Sou uma pessoa triste pois sei que a minha volta existem milhões de pessoas que sofrem e assim como no filme Guerra nas Estrelas, sinto mesmo um abalo na força. Acredito que seja esse desejo de um mundo utópico, onde todos juntos seriam o mesmo que um. E ai só levando na brincadeira ou mesmo me colocando como um marciano para dizer que eu acredito, pois tenho mesmo lembrança do futuro.
        Não me pergunte como e nem pretendo escrever previsões, só sei que se não for desse planeta deva ser de outro bem parecido.
        Importante pra mim é ver pessoas felizes e realizadas só assim me sinto feliz e realizado também. Acho que essa doença que tenho, só tem tratamento e não cura.❤😘

        • Mas essa sensibilidade e preocupação com as outras pessoas não é algo que deveria ser tratada ou curada… Sei que isso traz consigo certa tristeza, justamente pelo que você disse, porque não dá para resolver todos os problemas do mundo…
          Mas estamos precisando tanto de mais pessoas assim…
          Obrigada por me deixar aproveitar da sua amizade!


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