4.06.2016
Paris monuments

Paris monuments

 

Amo Paris como se fosse meu lar. Sinto-me bem lá. Faz mais de um ano que estive na cidade pela última vez e já começa a se intensificar a saudade.

Tudo o que acontece em Paris me afeta. Mais do que se fosse em outras cidades. Estou bastante chateada com essa inundação do rio Sena, causando tanto problemas na cidade. Sei que é um evento natural e sofremos periodicamente quando a Natureza nos mostra que não podemos controlar tudo.

Paris cresceu às margens do Sena. Ele é um rio sinuoso, que permeia toda a cidade. Costumava ser intermitente, ficando praticamente seco durante uma fase do ano, o que possibilitou que inúmeras pontes fossem construídas, mas deixava a população sem água. Com a ajuda da tecnologia e com a transposição de rios menores, o Sena tornou-se um rio perene.

 

La Seine

 

Consegue-se conhecer quase toda a cidade andando pelas ruas que margeiam o rio, à direita e à esquerda. Às margens estão o Museu do Louvre, o Museu de l’Orangerie, o Museu d’Orsay, a Catedral de Notre-Dame, a Biblioteca Nacional, o Museu de História Natural, a Assembleia Nacional, a Torre Eiffel.

Fico imaginando como tem sido a vida dos cuidadores das obras dos museus parisienses, na tentativa de preservar e proteger obras de arte de valor inestimável.

Desde quinta-feira, os museus do Louvre e o d’Orsay estão fechados para que se possa evacuar algumas obras, em especial algumas do acervo, mas que não ficam regularmente expostas e ficam guardadas no subsolo dos museus. Na sexta-feira, o Grand Palais também fechou, assim como alguns setores da Biblioteca Nacional.

 

le monde

 

Além disso, vinte parques e jardins estão fechados (em plena primavera) ou porque estão completamente inundados ou pelo risco de queda de árvores, fragilizadas pelas águas.

 

L'Île de la Cité

L’Île de la Cité

 

Essa situação é horrível para os turistas das mais variadas partes do mundo; mas muito mais para os habitantes da cidade e para os inúmeros moradores de rua (que também existem em Paris). Mais de 20.000 pessoas já foram evacuadas de suas casas. Os moradores de rua estão sendo deslocados para um ginásio, onde podem ficar abrigados.

Os meios de transporte público estão sofrendo inúmeros problemas por causa das águas, já que Paris tem um dos mais eficientes sistemas de metrô e trem urbano e intermunicipal. Algumas avenidas de grande movimento ficam bem ao lado do Sena e estão completamente cobertas pelas águas.

 

Quai

Quai

 

Eu me sensibilizo quando problemas assim acontecem aqui também, até porque temos um número muito maior de pessoas que não têm condições de reiniciar a vida após perderem tudo. Mas como disse, apesar de Paris estar muito longe, uma parte do meu coração continuou lá.

Apesar da minha tristeza, de certa forma, acho importante que a Natureza ainda imponha sua força, como uma forma de nos lembrar que somos uma pequena engrenagem no mundo.

 

– Sílvia Souza

 

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  Amo Paris como se fosse meu lar. Sinto-me bem lá. Faz mais de um ano que estive na cidade pela última vez e já começa a se intensificar a saudade. Tudo o que acontece em Paris me afeta. Mais do que se fosse em outras cidades. Estou bastante chateada com essa inundação do rio […]


  • Nós tendemos a esquecer que o planeta tem seu próprio ritmo e quando em vez nos lembra de que somos apenas os hóspedes. É uma pena que isso aconteça, mas os cientistas alertam há algum tempo. Boa noite. Ja é sexta-feira Um abraço

    • É isso mesmo, Carlos… E, como hóspedes, deveríamos cuidar melhor do planeta que nos acolhe…
      Beijo!

  • claudio kambami

    Sei de seu amor pela França e compartilho com você este sentimento até mesmo pelo sofrimento que sei ocorrer com as pessoas de lá, afinal somos todos irmãos queiramos ou não. Eu não digo natureza em um verso que fiz e sim o tempo onde lá descrevo:
    “O tempo triste quieto espera

    Pois sabe ele o seu grande poder

    E de tempo em tempo ele recria a atmosfera

    E nos mostra o que em terra veio fazer

    Movendo tudo pra todo lado

    Com um poder que a ele pertence

    Muda o tempo como um raio

    Deixando alguns felizes e outros descontentes…”

    Acredito que é exatamente isso que acontece de tempos em tempos, ele vem e mostra se grande poder. Caso queira ler ele todo basta procurar por Kitembu. <3 🙂

    • É isso mesmo, Claudio…
      Obrigada por compreender sua tristeza e por compartilhar seu poema…
      E, mais do que tudo, obrigada por fazer-se sempre presente…
      Um beijo grande!

  • Bis Perez

    Sílvia também estou perplexa com estas inundações… A natureza mostra toda a sua força, depois de tantos abusos sofridos. Ninguem leva a sério o seus avisos, ignoram suas mensagens… mas chega um tempo onde ela mostra a que veio. Sou apaixonada por Paris onde mora minha enteada… A cidade luz me encanta. Vamos torcer pra acabar logo estas enchentes. Bjs

    • Também estou torcendo, Bia…
      Sua enteada está bem? Não mora em nenhuma área afetada, mora?
      Beijo grande!


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