Resumo da Semana
Laços de Família #12: “O crime do professor de matemática”
Perfume da Semana: RÊVE DE LA REINE de Arty Fragrance
Medicina e Saúde: Câncer de Tireoide


21 janeiro 2017

 

Publicações da Semana:

 

  Publicações da Semana: Livro “A vida que vale a pena ser vivida” de Clóvis de Barros Filho Mais um desabafo Medicina e Saúde: Benefícios do exercício na prevenção do Diabetes Tipo 2 “Todos os Contos” de Clarice Lispector – Laços de Família #11: “Mistério em São Cristóvão” Medicina e Saúde: Câncer de Tireoide Perfume […]

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21 janeiro 2017

“Le Chien” de Marc Chagall

 

Este conto faz parte do livro “Laços de Família” de Clarice Lispector e foi reunido no livro “Todos os Contos”, organizado por Benjamin Moser. A Márcia Cogitare do Blog Surtos Literários me convidou para comentar com ela cada um dos contos escritos por essa escritora maravilhosa. A publicação da Marcia pode ser acessada clicando aqui.

Este é mais um conto de extrema sensibilidade. Não é a primeira vez que o leio; acho que tive a possibilidade de lê-lo em alguma outra coletânea de contos da Clarice Lispector.

Um homem sobe a uma colina carregando um saco pesado. Ao chegar lá, retira de dentro um cachorro morto e pretende enterrá-lo embaixo da árvore que ocupa aquele ponto elevado. O cachorro que ele iria enterrar era um animal desconhecido, mas que ocupava o lugar de um cão que ele já tivera e que não estava mais consigo.

Mas se fosse o outro, o verdadeiro cão, enterrá-lo-ia na verdade onde ele próprio gostaria de ser sepultado se estivesse morto: no centro mesmo da chapada, a encarar de olhos vazios o sol. Então, já que o cão desconhecido substituía o “outro”, quis que ele, para maior perfeição do ato, recebesse precisamente o que o outro receberia.

Ele enterrou o cachorro desconhecido, que ele encontrara morto em uma esquina, sem nada saber sobre sua história ou seu abandono. Ele tentava, com isso, se redimir de seu pecado, cometido com o outro cão, que tinha sido seu verdadeiro cão.

Deu um suspiro fundo, e um sorriso inocente de libertação. Sim, fizera tudo. Seu crime fora punido e ele estava livre.

E agora ele podia pensar livremente no verdadeiro cão. Pôs-se então imediatamente a pensar no verdadeiro cão, o que ele evitara até agora. O verdadeiro cão que agora mesmo devia vagar perplexo pelas ruas do outro município, farejando aquela cidade onde ele não tinha mais dono.

Ele vivia na culpa de ter abandonado seu verdadeiro cão, aquele que ele amava e que o amava. E agora podia reavivar suas memórias.

“Dei-te o nome de José para te dar um nome que te servisse ao mesmo tempo de alma. E tu – como saber jamais que nome me deste? Quanto me amaste mais do que eu te amei”, refletiu curioso.

Ele teve o cão desde que este era pequeno. Tinham uma compreensão completa um do outro. Mas decidiu abandonar o cachorro quando precisou se mudar com sua família para uma nova cidade, para trabalhar em uma nova escola.

“(…) Abandonou-te com uma desculpa que todos em casa aprovaram: porque como poderia eu fazer uma viagem de mudança com bagagem e família, e ainda mais um cão, com a adaptação ao novo colégio e à nova cidade, e ainda mais um cão? ‘Que não cabe em parte alguma’, disse Marta prática. ‘Que incomodará os passageiros’, explicou minha sogra sem saber que previamente me justificava, e as crianças choraram, e eu não olhava nem para elas nem para ti, José. (…)”

Após enterrar aquele cão desconhecido e conseguir pensar com liberdade no seu verdadeiro cão que fora abandonado, entendeu o motivo de ter cometido aquele crime. Escolheu aquele crime que julgara menor para e evitar que cometesse algum grande crime em sua vida, como se tivesse que escolher um crime para cometer.

“Há tantas formas de ser culpado e de perder-se para sempre e de se trair e de não se enfrentar. Eu escolhi a de ferir um cão”, pensou o homem. “Porque eu sabia que esse seria um crime menor e que ninguém vai para o Inferno por abandonar um cão que confiou num homem. Porque eu sabia que esse crime não era punível.”

Esse é sempre um assunto que me vem à mente. Fico pensando se os piores crimes são aqueles puníveis por lei. Ou se são tão graves quanto aqueles pequenos pecados que julgamos bobos ou pouco importantes, como abandonar alguém, ou causar uma mágoa, enganar, contar uma pequena mentira, não cumprir algo que tinha sido prometido. São aquelas dores eternas que ficarão para sempre em quem sofreu, que mudará sua vida e sua capacidade de acreditar nas pessoas, e que, ao pecador, ficará eternamente voltando à lembrança, como um sonho incômodo, e esse pecador ficará sempre buscando justificativas e alívios ao se afirmar que aquele não é crime punível por lei. Por que fazemos aos outros aquilo que não desejaríamos que fosse feito conosco?

Sentado na chapada, sua cabeça matemática estava fria e inteligente. Só agora ele parecia compreender, em toda sua gélida plenitude, que fizera com o cão algo realmente impune e para sempre. Pois ainda não haviam inventado castigo para os grandes crimes disfarçados e para as profundas traições.

São crimes dos quais os próprios pecadores são incapazes de se perdoarem. Crimes que vão doer até o dia em que a morte chegar e aplacar todos os sofrimentos.

 

  Este conto faz parte do livro “Laços de Família” de Clarice Lispector e foi reunido no livro “Todos os Contos”, organizado por Benjamin Moser. A Márcia Cogitare do Blog Surtos Literários me convidou para comentar com ela cada um dos contos escritos por essa escritora maravilhosa. A publicação da Marcia pode ser acessada clicando […]

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20 janeiro 2017

 

Este perfume foi lançado um pouco antes de uma viagem que fiz para a França em 2015. Fiquei muito interessada por seu aroma Floral, com rosa e íris. Estava na minha lista para ser conhecido por mim. Mas não consegui realizar esse desejo.

É um perfume de nicho, com venda muito restrita. Estava disponível apenas na Jovoy, com um único endereço em Paris, ou na própria Arty Fragrance em Versailles. Acabei desistindo e deixando para uma próxima oportunidade. Hoje em dia, há mais pontos de venda, mas certamente não há nenhum no Brasil.

 

Elisabeth de Feydeau, historiadora do perfume e da perfumaria, encontrou em suas pesquisas nos arquivos do perfumista Jean-Louis Fargeon, os pedidos realizados pela Rainha Maria Antonieta. Ele era o perfumista da Rainha e sua solicitação foi:

« Monsieur, j’attends de vous que vous me mettiez Trianon dans un flacon. J’aime tellement ce lieu que je veux l’emporter partout avec moi. »

[Senhor, eu espero de você que você me coloque o Trianon em um frasco. Amo tanto este lugar que quero levá-lo comigo a todos os lugares.]

Dessa inspiração, nasceu Rêve de la Reine, um perfume espontâneo, refrescante e puro: nada de muito barroco, mas o equilíbrio de uma bela rosa suave e cintilante, adornada pelos reflexos prateados da íris. Estas duas matérias primas se encontram e formam o coração do perfume, com tons quentes e frios, de pétalas e da frescura da raiz.

Em torno deste duo principal, algumas notas vegetais e verdes de violeta trazem vivacidade, envolto por um envelope almiscarado e atalcado.

A descrição do perfume e sua história envolvendo a Rainha Maria Antonieta aumentaram meu desejo de conhecê-lo. Ele permanece na minha lista… quem sabe um dia?

  Este perfume foi lançado um pouco antes de uma viagem que fiz para a França em 2015. Fiquei muito interessada por seu aroma Floral, com rosa e íris. Estava na minha lista para ser conhecido por mim. Mas não consegui realizar esse desejo. É um perfume de nicho, com venda muito restrita. Estava disponível […]

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19 janeiro 2017

©2017 UpToDate®

 

O que é o câncer de tireoide?

O câncer de tireoide aparece quando as células normais da tireoide sofrem uma alteração e começam a crescer e se multiplicar de forma descontrolada.

A glândula tireoide está localizada no meio do pescoço e é responsável pela produção dos hormônios tireoidianos.

Há tipos diferentes de cânceres de tireoide, sendo alguns tipos mais graves do que outros.

 

Quais são os sintomas do câncer de tireoide?

No início da doença, não há sintomas. Muitas vezes, acaba-se diagnosticando a alteração na tireoide ao se fazer algum exame do pescoço por algum outro motivo.

Quando começa a haver algum sintoma, o que se nota, habitualmente, é o crescimento da glândula com a formação de um nódulo. E pode haver uma aceleração do crescimento de forma perceptível.

Outros sintomas que podem ser notados:

● Rouquidão ou perda da voz

● Falta de ar ou dificuldade respiratória

● Dificuldade na deglutição

● Tosse 

Todos estes sintomas podem ser causados por problemas outros que não o câncer de tireoide; eles são inespecíficos. Mas havendo uma associação de sintomas ou uma dúvida, deve-se procurar o médico.

 

Existe um exame para diagnosticar o câncer de tireoide?

Caso seja notado um aumento da tireoide, o médico costuma pedir exames para saber se se trata de um câncer ou não (a maior parte dos casos de nódulos e aumentos da tireoide não são em decorrência de câncer).

Podem ser solicitados:

● Exames de imagem: o exame mais comum é a ultrassonografia do pescoço; em alguns casos, pode ser solicitada a cintilografia da tireoide.

● Exames de sangue

● Punção aspirativa por agulha fina: com uma agulha fina, aspira-se uma pequena quantidade das células do nódulo; esse material é analisado em um microscópio.

 

O que é estadiamento do câncer?

É a avaliação realizada para que se saiba se o câncer se disseminou além da glândula acometida inicialmente. O tratamento indicado vai depender do tipo de câncer, do seu estadiamento e de outros problemas clínicos que o paciente possa ter.

 

Como é o tratamento do câncer de tireoide?

Normalmente, o tratamento inclui uma ou mais das opções abaixo:

● Cirurgia: na maioria dos casos, o câncer de tireoide é retirado com uma cirurgia. Geralmente, retira-se toda a glândula e podem ser retirados alguns linfonodos (gânglios) para avaliação.

● Iodo radioativo: é um líquido que se ingere contendo um material radioativo que destrói as células tireoidianas.

● Hormônio tireoidiano: será necessário após a cirurgia e/ou iodo radioativo; com isso, consegue-se manter os níveis dos hormônios tireoidianos normais, mesmo não havendo mais a glândula para produzi-los.

● Radioterapia externa: este tratamento usa doses altas de Raio-X para destruir as células cancerosas. 

● Quimioterapia: feito com a ajuda de medicamentos que matam as células do tumor.

 

O que acontece após o tratamento?

Após o tratamento, há a necessidade do paciente ser avaliado periodicamente pelo médico (de acordo com a orientação que ele passar) para verificar os níveis dos hormônios e se não há novo crescimento tumoral, verificado através de exames de sangue e de imagem.

O paciente também deve avisar seu médico caso note qualquer sintoma descrito acima.

 

  O que é o câncer de tireoide? O câncer de tireoide aparece quando as células normais da tireoide sofrem uma alteração e começam a crescer e se multiplicar de forma descontrolada. A glândula tireoide está localizada no meio do pescoço e é responsável pela produção dos hormônios tireoidianos. Há tipos diferentes de cânceres de […]

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18 janeiro 2017

“Bouquet des Fleurs” de Marc Chagall (1958)

 

Mais um conto do livro Todos os Contos de Clarice Lispector. Este projeto foi idealizado pela Márcia Cogitare do Blog Surtos Literários. A publicação da Márcia pode ser lida clicando aqui.

Mistério em São Cristóvão é um conto breve sobre uma família de classe média em que um evento altera o frágil equilíbrio de prosperidade.

O que tornava particularmente abastada a cena, e tão desabrochado o rosto de cada pessoa, é que depois de muitos anos quase se apalpava afinal o progresso nessa família: pois numa noite de maio, após o jantar, eis que as crianças têm ido diariamente à escola, o pai mantém os negócios, a mãe trabalhou durante anos nos partos e na casa, a mocinha está se equilibrando na delicadeza de sua idade, e a avó atingiu um estado.

Eles vão se deitar após este dia tranquilo de maio. No meio da madrugada, três homens fantasiados saem de uma casa próxima para irem a um baile.

Um era alto e tinha a cabeça de um galo. Outro era gordo e vestira-se de touro. E o terceiro, mais novo, por falta de ideias, disfarçara-se em cavalheiro antigo e pusera máscara de demônio, através da qual surgiam seus olhos cândidos.

Os três homens passam em frente à casa da família de classe média e vêem um jardim repleto de jacintos. Resolvem pular a grade para pegar algumas flores para enfeitar as fantasias.

Mas eis que, após a invasão, estando parados no meio do jardim, vêem o rosto da jovem através da janela. Os invasores morrem de medo, porque estavam invadindo a casa, e saem correndo, pulando de qualquer jeito a grade do jardim.

Mas fiquei imaginando a moça, ao ver três mascarados: um galo, um touro e um demônio, no meio da madrugada à frente de sua janela! Ela saiu correndo e gritou, acordando toda a família e destruindo o equilíbrio frágil.

 

  Mais um conto do livro Todos os Contos de Clarice Lispector. Este projeto foi idealizado pela Márcia Cogitare do Blog Surtos Literários. A publicação da Márcia pode ser lida clicando aqui. Mistério em São Cristóvão é um conto breve sobre uma família de classe média em que um evento altera o frágil equilíbrio de […]

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17 janeiro 2017

© Connie Larsen | Dreamstime.com

 

De acordo com a Endocrine Society (Sociedade Americana de Endocrinologia), a prevalência de Diabetes na população dos Estados Unidos chegou a 10%, afetando mais de 29 milhões de pessoas. Desse total, o Diabetes Tipo 2 (DM2), caracterizado por hiperglicemia crônica decorrente de resistência insulínica, redução da secreção de insulina e aumento da produção hepática de glicose, corresponde a mais de 90% dos casos.

Embora a correlação entre Obesidade e DM2 seja comprovada, assim como a associação entre Obesidade ou Sobrepeso com o sedentarismo, não se conseguia estabelecer de forma efetiva uma ligação entre a presença de DM2 na vida adulta e o grau de atividade física na infância.

Um novo estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine mostrou esta associação. Ele foi realizado por pesquisadores do Mount Sinai em Nova York e da Universidade Lund na Suécia; nesse país, eles mantêm um sistema de saúde nacional com dados arquivados por décadas, permitindo a correlação entre a capacidade aeróbica e a força muscular aos 18 anos de idade com a incidência de DM2 na vida adulta (até 62 anos de idade).

Foram analisados os dados de 1.534.425 homens suecos de 1969 a 1997 sem DM2; o resultado mostrou que a falta de capacidade cardiorrespiratória e de força muscular conferiram um risco 3x maior de desenvolver DM2. E este risco aumentado estava presente mesmo nas crianças com Índice de Massa Corporal (IMC) normal, desde que tivessem um estilo de vida sedentário.

A atividade física permite o melhor controle da glicemia em pessoas que tenham Diabetes e este efeito não acontece apenas em decorrência do exercício ajudar a manter o peso. A atividade aeróbica estimula a oxidação ácida e a resposta apropriada à insulina, enquanto os exercícios de resistência muscular contribuem à resposta à insulina pela promoção do crescimento da fibra muscular, o que facilita a queima de glicose.

Estes dados foram muito importantes, porque mostraram que a manutenção do peso normal pode não ser um fator totalmente protetor ao desenvolvimento do DM2 se o antecedente do indivíduo for de sedentarismo durante a infância. Além disso, o nível de atividade física é o principal fator modificável que ajuda a prevenir o desenvolvimento do DM2 na vida adulta.

Vários estudos já comprovaram os benefícios dos exercícios. Apesar disso, menos da metade das crianças e adolescentes fazem a quantidade de exercícios recomendada, que é de, no mínimo, 1 hora de atividade física intensa ao dia. As necessidades diárias de atividade física são maiores nos jovens por ser uma fase de crescimento mais acelerado e os exercícios são importantes para que ossos, músculos e o sistema cardiovascular se desenvolvam da forma adequada.

Em resumo:

  1. O DM2 afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo e sua prevalência aumento 51,2% do período 1988-1994 para o período 2005-2010, paralelamente ao aumento do sedentarismo.
  2. A falta de condicionamento aeróbico/cardiorrespiratório ou muscular na juventude, independente do IMC, está associada a uma maior incidência de DM2 na vida adulta.
  3. A falta de condicionamento aeróbico/cardiorrespiratório e muscular na juventude, independente do IMC, tem um efeito sinérgico e triplica o risco de desenvolvimento de DM2 na vida adulta.

Apesar do estudo poder ter suas limitações, uma coisa é certa: as crianças e adolescentes precisam aproveitar todo o tempo livre para praticar atividade física, para que sejam saudáveis enquanto jovens e para que mantenham a saúde na vida adulta. E o risco do desenvolvimento do DM2 pode ser bastante reduzido com a prática regular de exercícios.

– Sílvia Souza

  De acordo com a Endocrine Society (Sociedade Americana de Endocrinologia), a prevalência de Diabetes na população dos Estados Unidos chegou a 10%, afetando mais de 29 milhões de pessoas. Desse total, o Diabetes Tipo 2 (DM2), caracterizado por hiperglicemia crônica decorrente de resistência insulínica, redução da secreção de insulina e aumento da produção hepática […]

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16 janeiro 2017

© Olesia Bilkei | Dreamstime.com

 

Moro em um bairro de classe média na região central de São Paulo. Estou cercada por prédios. Não vejo favelas da minha janela. Mas eu seu que elas existem. Eu sei que a miséria é real. E isso dói no fundo da minha alma. Mas o que mais me arrasa é o sofrimento das crianças. Eu estava na faculdade ainda e eu chorava ao voltar do hospital tarde da noite e ser abordada por crianças nos faróis da Avenida Paulista pedindo para que eu comprasse uma bala para ajudar. Não deveria haver crianças na rua.

Já viajei para alguns países. Vi pessoas vivendo na rua nos Estados Unidos, na França, na Bélgica, na Inglaterra; mas nunca vi uma criança. Pode ser que hoje em dia a situação tenha mudado, com os refugiados que chegaram aos países da Europa Ocidental. Mas até bem pouco tempo atrás, posso dizer que não havia crianças.

Hoje, saí de casa logo cedo para ir à farmácia. Passei por uma esquina onde se estabeleceram alguns homens. Como a casa está desocupada naquele esquina, eles passam o dia lá, conversando e bebendo. Quando passei por lá hoje, no colchão que ocupava uma parte da calçada, dormiam uma mulher e uma criança; o homem já estava acordado mexendo nos pertences que estavam em uma carroça. A criança não devia ter mais do que dois anos. Uma menina. Ela dormia em paz, mas ao relento, naquele colchão sujo de uma calçada de um bairro de classe média de São Paulo.

Desde que a vi, senti necessidade de escrever este desabafo. Pode ser até um pouco hipócrita da minha parte, porque eu dormi em uma cama confortável, dentro de um apartamento, em segurança. Mas eu tento fazer minha parte; pode ser pouco, mas faço o que está ao meu alcance.

Mas o que realmente me revoltou foi pensar na quantia imensa desviada dos impostos que pagamos e que vai parar com os corruptos, enquanto nossas crianças continuam vivendo nas ruas, sem escola, sem comida e sem condições básicas de vida. O que esperar?

Podemos acreditar que essas crianças crescerão com princípios, com honra, respeitando a lei e lutando por uma vida melhor de forma digna? O que elas conhecem? O que elas vivem?

Enquanto isso, o candidato à Presidência da Câmara faz sua campanha falando que sua principal luta será para anistiar o Caixa 2! Enquanto as crianças vivem nas ruas sem um futuro, nossos políticos estão apenas preocupados em como escapar da cadeia e em como podem continuar obtendo privilégios e ganhando mais e mais (dinheiro que somos nós que pagamos!!!). Como uma pessoa dessas pode ter o descaramento de pregar em favor do aumento do próprio salário, enquanto falta tudo para essas crianças?

Afinal, NÓS SOMOS OS PATRÕES! Nós pagamos os impostos e é deles que vêm os salários e todas as outras verbas dos políticos! Nós, a população que paga impostos, deveríamos decidir quando os salários dos políticos são aumentados ou não. E não deveria haver aumento até que as crianças tivessem o que precisam. Essas crianças serão o futuro. E que futuro é este que vai ficar para este país?

Eu não tenho as respostas certas. Mas sei que as crianças precisam ser protegidas. Os direitos humanos deveriam se preocupar mais com estas pequenas pessoinhas indefesas do que com qualquer outra pessoa já responsável pelo seu destino. Não adianta querer endireitar a árvore que cresceu torta. Mas temos que permitir que as pequenas árvores possam crescer livres, retas, para dar muitos frutos.

– Sílvia Souza

  Moro em um bairro de classe média na região central de São Paulo. Estou cercada por prédios. Não vejo favelas da minha janela. Mas eu seu que elas existem. Eu sei que a miséria é real. E isso dói no fundo da minha alma. Mas o que mais me arrasa é o sofrimento das […]

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15 janeiro 2017

 

Primeira publicação: 2010

Editora: Vozes (24/10/2012) – 208 páginas

ISBN13: 9788532644848

Sinopse: Este é um livro para todos aqueles que já descobriram que a soberania para deliberar sobre a própria vida, com todos os riscos, é nosso único verdadeiro patrimônio. A intenção desta obra é de fortalece os leitores para que possam resistir, cada vez melhor, contra todo tirano que pretenda empurrar-lhes goela abaixo a vida que vale a pena. Pois essa vida é a sua, com seus sonhos, suas ilusões, seus medos e esperanças.

 

Clóvis de Barros Filho é advogado, jornalista e professor universitário. Doutor em Direito Constitucional e em Sociologia do Direito pela Faculté de Droit, d’Economie et des Sciences Sociales (Paris) e em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). É professor livre-docente pela ECA-USP, coordenador do curso Ética e Meio Ambiente do Programa de Educação Continuada da Fundação Getúlio Vargas (PEC/FGV), consultor de Ética da Unesco. É autor de Ética na Comunicação e coautor de A vida que vale a pena ser vivida.

 

Não sei quem já teve a sorte de escutar uma palestra de Clóvis de Barros Filho. Eu tinha assistido a alguns vídeos com ele no YouTube. Até que fiz um curso com ele na Casa do Saber, onde ele deu duas aulas de 2 horas cada. Ele fala sobre Filosofia e Ética de uma forma tão simples que nos encoraja a saber mais. Ele coloca os problemas filosóficos dentro dos problemas cotidianos que enfrentamos, com exemplos baseados nos relacionamentos, nas vivências diárias, no trabalho. Como ele mesmo diz, ele se realiza quando tem uma platéia escutando o que ele tem a dizer. Gosto muito das ideias dele.

Este livro foi escrito com base em um curso que ele deu. Foi realizado em co-autoria com Arthur Meucci. Por ser baseado no curso, o livro parece uma transcrição da fala do Clóvis de Barros Filho e eu o li com a sensação de que o escutava falando; conseguia até mesmo sentir a entonação da voz durante a sua palestra.

Neste livro, os autores descrevem nossas angústias e preocupações atuais, e, usando ensinamentos de vários filósofos, tenta nos mostrar quais são as preocupações que valem a pena vivenciarmos e aquilo que devemos valorizar em nossas vidas.

É um assunto árduo colocado de forma a ser compreendido por qualquer pessoa, mesmo quem nunca leu nada sobre filosofia.

Querido leitor. Proponho uma conversa. Sobre a vida. Sobre a melhor maneira de viver. Mas como infelizmente não estamos juntos, só me resta deduzir suas intervenções.

 

ADVERTÊNCIA

Você ainda está na livraria. Tomou este livro da estante para folhear. Atraído pelo título. A caminho do caixa. Não se precipite.

Você supõe que a leitura oferecerá soluções para a sua vida. Que resolverá seus problemas. Ou ao menos justificará sua tristeza. Que os 10 capítulos sejam dicas inéditas e preciosas para se dar bem daqui para a frente. Receitas de gurus consagrados do além-mar. Que você acaba de descobrir um tesouro. Que finalmente o segredo do sucesso será revelado.

Saiba que você está equivocado. Este livro não atende às suas expectativas. Sua leitura não trará soluções. Nele você não encontrará nenhuma dica ou artifício para se dar bem. Por ele, o sucesso continuará dos outros. Fora do seu alcance.

Portanto, feche o livro para não perder mais tempo. Recoloque-o imediatamente na estante. No lugar de onde tirou. Outras obras, ao lado, atenderão melhor este seu anseio.

Deixe este exemplar para outro leitor. Menos esperançoso. Mais desconfiado dos programas de excelência existencial. Que, se funcionassem, já teriam erradicado a tristeza do mundo. Ele talvez intua que o sucesso não tem fórmulas secretas. Que se a liderança passo a passo fosse eficaz, todos já seriam líderes. Ele provavelmente se dá conta de que fórmulas indiscutíveis escravizam. De que a soberania para deliberar sobre a própria vida – com todos os riscos – é nosso único verdadeiro patrimônio. Inalienável.

Para ele escrevemos. Oferecendo reflexão crítica sobre os critérios existenciais mais consagrados. Para que possa resistir, cada vez melhor, contra todo tirano que pretenda empurrar-lhe goela baixo a vida que vale a pena.

Esta “Advertência” é o início do livro. E achei que valia a pena transcrevê-la aqui.

 

  Primeira publicação: 2010 Editora: Vozes (24/10/2012) – 208 páginas ISBN13: 9788532644848 Sinopse: Este é um livro para todos aqueles que já descobriram que a soberania para deliberar sobre a própria vida, com todos os riscos, é nosso único verdadeiro patrimônio. A intenção desta obra é de fortalece os leitores para que possam resistir, cada vez melhor, contra todo […]

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14 janeiro 2017

“The Family” – 1969 – MARC CHAGALL

 

Mais um conto do livro Todos os Contos de Clarice Lispector. Este projeto foi idealizado pela Márcia Cogitare do Blog Surtos Literários. A publicação da Márcia pode ser lida clicando aqui.

No conto Começos de uma fortuna, Artur é um adolescente que tenta dizer aos pais que precisa de dinheiro. Mas existe uma barreira de comunicação entre as gerações: pais e filho não conseguem dialogar.

Os pais não conseguem perceber o motivo dessa necessidade do filho e minimizam suas preocupações e angústias, como se fossem muito pequenas quando comparadas aos problemas do mundo adulto.

E o jovem, desejando manter intacta sua privacidade, não diz porque precisa de dinheiro, conseguindo apenas dizer:

━ Eu também tenho as minhas preocupações mas ninguém liga. Quando digo que preciso de dinheiro parece que estou pedindo para jogar ou para beber!

E dizer isto não ajuda em nada; pelo contrário, dificulta ainda mais o acesso àquilo que ele busca.

Na escola, o amigo Antônio se oferece para emprestar o dinheiro que Artur precisa. O rapaz rejeita inicialmente, porque já está devendo para outra pessoa. Mas acaba aceitando quando estão aguardando para ir ao cinema, já que na fila está Glorinha, a quem Artur gostaria de pagar a entrada como uma forma de se aproximar da garota.

O mundo vem evoluindo muito. Meus filhos adolescentes vivem as relações de amizade de uma forma completamente diferente, de uma forma mais virtual do que presencial. Muitos moram longe, os pais têm receio de deixarem os filhos sair sozinhos por causa da violência, e eles acabam mantendo a proximidade através de jogos online, bate-papos virtuais e assim por diante. Apesar disso, a essência humana (dos jovens e dos pais) continua a mesma. Os adolescentes têm as mesmas necessidades de privacidade, autonomia, confiança ao longo das gerações. E os pais querem continuar detentores da autoridade. Mas hoje em dia os pais estão mais perdidos. Vivemos mais próximos dos filhos, achamos que entendemos seu mundo, e nos sentimos no direito de romper a barreira de que eles precisam.

No conto da Clarice Lispector, nitidamente falta diálogo entre os pais e o filho. Os pais não demonstram a confiança que o filho busca e não atendem minimamente seus anseios adolescentes.

Hoje em dia, achamos que conseguimos manter um diálogo totalmente franco com os filhos, mas nos esquecemos de que eles precisam de espaço e têm necessidade de construir sua privacidade, sem expor suas intimidades como se tudo fosse coletivo, como as redes sociais nos fazem parecer.

Não somos amigos dos filhos, com quem eles devem trocar todas as confidências. Devemos ser pais. Dispostos a escutar, amparar, abraçar, aconselhar, mas apenas quando eles demonstrarem que precisam desse desabafo. A obrigação é que eles demonstrem que são dignos da nossa confiança e que entendam que todas as relações são de troca: receberão enquanto mostrarem que cumprem sua parte.

Sei que fugi completamente da análise do conto. Mas acho que uma das funções das obras literárias é a de nos fazer pensar e analisar aquilo que vivemos. A literatura pode servir como experiência de vida, não vivida por nós, mas vivida pelos personagens; daí podemos extrair exemplos e reflexões.

Para concluir, deixo mais um pequeno trecho do conto:

━ … pode ser que você esteja muito ocupado com seus pensamentos, disse a mãe interrompendo-o, mas ao menos coma o seu jantar e de vez em quando diga uma palavra.

Então ele, em súbita volta à casa paterna:

━ Ora a senhora diz que na mesa não se fala, ora quer que eu fale, ora diz que não se fala com a boca cheia, ora…

━ Olhe o modo como você fala com sua mãe, disse o pai com severidade.

 

 

  Mais um conto do livro Todos os Contos de Clarice Lispector. Este projeto foi idealizado pela Márcia Cogitare do Blog Surtos Literários. A publicação da Márcia pode ser lida clicando aqui. No conto Começos de uma fortuna, Artur é um adolescente que tenta dizer aos pais que precisa de dinheiro. Mas existe uma barreira […]

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13 janeiro 2017

 

Este artigo foi publicado originalmente no site Au Parfum e foi escrito por Jeanne Doré.

Eu gosto muito do perfume Balenciaga Paris. Há alguns anos, presenteei minha mãe com este perfume e ele acabou se tornando a fragrância dela. É elegante, agradável, marcante e pode ser usado em todas as ocasiões.

 

É um perfume floral, com uma violeta translúcida e discreta, a meio caminho entre as fragrâncias verdes e as atalcadas, com um certo ar dos perfumes de Chanel, fazendo reviver os perfumes de marca com estilo, elegância e grande sensibilidade.

A fragrância tem ritmos verdes e vegetais no início, estendendo-se para um tom mais terroso, picante, amadeirado, mantendo um frescor suave e elegante.

Não é um perfume revolucionário, mas tem uma qualidade excepcional para um perfume de grande distribuição e mantém coerência com a marca.

O perfume é encontrado no Brasil nas grandes perfumarias, embora seu preço esteja bem acima da média dos perfumes. Apesar disso, vale a pena conhecer e experimentar.

  Este artigo foi publicado originalmente no site Au Parfum e foi escrito por Jeanne Doré. Eu gosto muito do perfume Balenciaga Paris. Há alguns anos, presenteei minha mãe com este perfume e ele acabou se tornando a fragrância dela. É elegante, agradável, marcante e pode ser usado em todas as ocasiões.   Marca: Balenciaga […]

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